4 de junho de 2026

Gilmar Mendes revoga liminar contra ex-prefeita de Conde, na Paraíba

Márcia Lucena é acusada de desvio de verbas do Estado e perdeu a reeleição em 2020 devido ao caso. Gilmar reverteu decisão.
Márcia Lucena (foto: Instagram)

O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), revogou nesta quarta-feira (20/4) uma liminar que proibia Márcia Lucena (PT-PB), ex-prefeita da cidade de Conde (Litoral Sul da Paraíba), de cruzar os limites do município sem autorização judicial.

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As restrições contra Márcia foram adotadas em dezembro de 2019 pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça, devido a uma acusação de desvio de R$ 134 milhões em verbas da Saúde e da Educação do Estado da Paraíba, durante a gestão do governador Ricardo Coutinho (PT-PB), entre 2011 e 2018 – período em que ambos eram filiados ao PSB. O caso é sustentado pelos descobrimentos da Operação Calvário, promovida pelo MP-PB (Ministério Público da Paraíba), que aponta a ex-prefeita de ser parte de uma organização criminosa.

No entanto, Gilmar Mendes decidiu revogar a medida, com base no artigo 580 do Código de Processo Penal. Em sua argumentação, o magistrado afirmou que Márcia sofreu “constrangimento ilegal” e que “as medidas cautelares estão sendo aplicadas em relação a fatos consideravelmente distantes no tempo da imposição cautelar”.

Segundo o blog Política por Elas, de Rejane Negreiros e Juliana Teixeira, a denúncia contra Márcia Lucena teria sido decisiva na disputa eleitoral em Conde, no ano de 2020, quando ela não conseguiu sua reeleição e foi derrotada por Karla Pimentel (PROS-PB)

“Havia uma nuvem pesada de desconfiança sobre a gestora e, quando a credibilidade é posta em xeque, o impacto sobre os votos é certo”, escreveu o blog, que lembrou que Márcia Lucena teve que enfrentar, durante a sua gestão, conflitos de terra envolvendo o povo Tabajara e um grupo de empresários e políticos interessados na expansão imobiliária da região, entre outros problemas.

Segundo alguns meios nordestinos e também acadêmicos de universidades da região, existem muitas semelhanças entre a Operação Calvário e a Operação Lava Jato, e alguns chegam a classificar a primeira como “Lava Jato paraibana”.

Por exemplo, o cientista político José Artigas, professor da UFPB (Universidade Federal da Paraíba), publicou artigo no Brasil de Fato, em dezembro de 2019, descrevendo a Calvário como “a versão pirata do lavajatismo também age ilegalmente em conluio com o Ministério Público (MP). Os direitos e garantias legais dos denunciados vêm sendo sistematicamente tolhidos, as prisões decretadas não encontram justificações legais ou amparo em provas materiais, mas essencialmente em delações”.

No mesmo texto, Artigas citou o caso de Márcia Lucena e expressa “toda solidariedade também à prefeita do Conde, que vem promovendo uma verdadeira revolução na administração pública da cidade e que, sem justificativas plausíveis, também foi submetida a uma ilegítima prisão” – lembrando que ela chegou a ser presa em 2019, em decisão que durou apenas alguns dias, sendo substituída pela medida cautelar de restrição para deixar a cidade.

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Victor Farinelli

Victor Farinelli é jornalista residente no Chile, corinthiano e pai de um adolescente, já escreveu para meios como Opera Mundi, Carta Capital, Brasil de Fato e Revista Fórum, além do Jornal GGN

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1 Comentário
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  1. Gonzalez

    21 de abril de 2022 9:55 pm

    Acusação sem prova é a especialidade do ministério público, a minha cidade ficou 2 anos sem prefeito em razão de processo que o prefeito eleito sofreu do ministério público. Provou-se que o ministério público abriu processo sendo cópia de uma acusação de prefeito de outra cidade, acusação era um plágio de outra, como essa instituição pode ter credibilidade e confiança da população ?
    É uma instituição politicamente motivada, basta ler sobre como o fascismo construiu a sociedade das corporações, a semelhança não é mera coincidência.

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