10 de junho de 2026

Delatores dizem o que a Lava Jato quer ouvir, afirma Gilmar Mendes

Foto: Agência Senado
 
 
Jornal GGN – O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, disse em entrevista à Rádio Bandeirantes que “não é possível canonizar palavras de delatores” nem esquecer que a Lava Jato seleciona os alvos das delações.
 
“Quem acompanha o processo de delação sabe que há um tipo de indicação por parte dos investigadores e dos promotores para que determinadas pessoas sejam citadas. Portanto, há um tipo de negociação, de falar aquilo que o outro quer ouvir.”
 
Para o ministro, é prudente esperar que as delações virem processos, e que a defesa dos acusados se faça mais presente em meio ao noticiário que denigre a classe política como um todo.
 
Do Conjur
 
 
É preciso ter calma nos pré-julgamentos feitos com base em delações premiadas. Muitas denúncias, depois de passar pelo contraditório e pela ampla defesa, não param em pé. Além disso, “não é possível canonizar palavras de delatores”, pois deve-se lembrar que eles são criminosos que negociaram abrandamento de pena com as autoridades em troca das informações que podem fornecer.
 
É o que diz o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, sobre as recém-divulgadas delações dos executivos da construtora Odebeccht, em entrevista ao jornalista José Luiz Datena, da Rádio Bandeirantes. “Palavra de delator é palavra de delator”, resumiu.
 
 
Gilmar Mendes também atacou atos vislumbrados de autoridades insufladas pela mídia.
Carlos Moura/SCO/STF
“Quem acompanha o processo de delação sabe que há um tipo de indicação por parte dos investigadores e dos promotores para que determinadas pessoas sejam citadas. Portanto, há um tipo de negociação, de falar aquilo que o outro quer ouvir.”
 
Segundo o ministro, antes de se partir a conclusões, é preciso esperar que se apresentem outras provas que corroborem aquelas afirmações. É preocupante que se “dependa de atestado de honestidade dado por corruptos notórios”, diz.
 
Gilmar Mendes acredita que o melhor é esperar que essas alegações virem processos judiciais. “Aí o promotor é um mero promotor, um delegado é um mero delegado, os advogados passam a ter papel importante no contraditório e os fatos passam a ser revelados com maior tranquilidade.”
 
Segundo ele, é nesse momento que separa o que é doação, o que é corrupção e quais são as distorções. Disse ainda que, em algumas ocasiões, há um certo “entusiasmo juvenil dos investigadores”, entusiasmado com a fama que conseguiram com a operação “lava jato”.
 
“A condenação prévia que estamos acostumados a fazer a partir de notícias às vezes superficiais, fazemos na opinião que temos. Por exemplo, eu sobre o jogo dos Santos. Mas quando se tratar de cumprir uma função institucional é preciso ter cuidado”, disse.
 
Acordão é fantasia
O ministro negou a existência de um acordão para proteger a classe política de denúncias. Reportagem do jornal Folha de S.Paulo afirmou que os ex-presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso se reuniram com o presidente Michel Temer para encontrar uma saída que evite a substituição da política por um projeto de poder de procuradores da República e setores da magistratura.
 
Para Gilmar Mendes, essa possibilidade não existe e esse suposto acordo de lideranças está na “ilusão imagética e imaginária das pessoas”. Ele criticou o que chamou de “satanização da classe política, pois essa condenação pode fazer com que o país caia nas mãos de um aventureiro. “Já tivemos no passado essas tendências populistas, esses falsos salvadores.” O acordão sugerido pelo ministro seria um que o Brasil assumisse o compromisso de reformar seu sistema político.
 
Nesse espectro, o ministro destacou que a operação “lava jato” tem uma missão importante ao contribuir, mesmo que indiretamente, para a reforma política. Sobre essa mudança, Gilmar Mendes atacou particularmente as coligações que são feitas por siglas para aumentar seu tempo de propaganda na televisão e no rádio afirmando que alguns partidos são “falsos e fajutos”, e que “deveriam estar inscritos mais nas juntas comerciais do que na Justiça Eleitoral”.
 
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Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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21 Comentários
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  1. lenita

    17 de abril de 2017 3:19 pm

    Gilmar

    Não é que, pela 1a. vez, concordo integralmente com o que disse o Gilmar Mendes. !  quase o mesmo  dito pela  PF.

    Porém , o “Seguro morreu de velho”, melhor esperar o andamento.

    Mas que as instituições brasileiras estão podres, estão mesmo ! sejam as públicas, como as privadas. Haja !

    1. jose carlos lima...

      17 de abril de 2017 3:57 pm

      Verdade. Vindo de um GM é

      Verdade. Vindo de um GM é esperar para ver  quando petistas serão excluidos desse garantismo, pois o que sabemos é que a defesa CF o STF sabe fazer, pero no mucho…

    2. Jaide

      17 de abril de 2017 4:01 pm

      É isso mesmo.
      As delações não

      É isso mesmo.

      As delações não devem ser canonizadas, pois os delatores dizem o que o que os procuradores querem ouvir.

      Faltou apenas a ressalva: com relação aos suspeitos de sempre, É TUDO VERDADE.

    3. sergioa

      17 de abril de 2017 4:40 pm

      Mas o que ele sugere agora,

      Mas o que ele sugere agora, já foi exaustivamente falado antes. Só que era falado pelos que ele não tem o menor apreço. Como não deveria ter mesmo, se fosse um magistrado com a envergadura moral ilibada.

      Porém agora que sua turma, a turma do golpe (TEMER, AECIO, SERRA, JUCA, EUNICIO, PADILHA, ANGORA, FHC, ALCKIMIN … enfim a nata do PSDB e PMDB) aparecem na delação, ele vem falar o que já foi falado antes?

      Que o MORO, a PGR e a PF estãoi sendo seletivas?

      Francamente, não passa de um hipócrita. E que como já foi falado por alguém que não me lembro o nome:

      “A mais viel e pior gente do mundo, são os hipócritas”.

    4. Marly

      17 de abril de 2017 5:57 pm

      Não, Lenita!

      Esse comportamento só chegou agora. Isto porque seus amigos e todos aqueles que ele defende como um cão de guarda, estão quase entrando na fogueira. Agora ele quer apagar o fogo. Antes, jogava gazolina na fogueira! Acho que jamais estarei a favor desse triste e bizarro ser!

      1. lenita

        17 de abril de 2017 8:10 pm

        Marly

        Td bem ? É que eu apenas analisei a fala atual dele, e concordo. Mas mantendo um pé atrás.

        Abraços

  2. Arnaldo Costa

    17 de abril de 2017 3:24 pm

    O ex melhor amigo do doleiro

    Quero saber quando vão citar um dos maiores falastrões do país, o mentor e amigo íntimo de Youssef, Álvaro Dias. Essse gangster é protegido pela república de Curitiba. É só investigar construtoras ligadas a obras no Paraná, que o nome dele estará lá (se o Moro deixar…).

    1. Marly

      17 de abril de 2017 5:51 pm

      Sr.Bottox…

      Há tanto tempo que aguardo essa notícia! Faz tanto tempo… Na época eu o mencionava nesse espaço,como sr. Bottox.  E até agora nada, nada, nada…

    2. Jose mestre Carpina

      17 de abril de 2017 7:40 pm

      Com certeza…

      E, na  mesma linha do homogenere mineiro, gostava de um aeroporto perto das terras dos coligados…

  3. Ugo

    17 de abril de 2017 3:27 pm

    urgente, organizar rodizio dos napoleões no hospício judiciário

    Vamos lá Gilmar Dantas Mendes, se as vacas sagradas do teu psdb não estivessem no mar de lama da vida, o teu discurso não seria este!

    A tua aparente serenidade nesta situação contrasta com os arroubos moralistas do mensalão onde apenas o PT estava na berlinda.

    Este discurso longe de te fazer magistrado acima das paixões, evidencia ainda mais o teu partidarismo.

  4. Maria Luisa

    17 de abril de 2017 4:08 pm

    Delator esta nas mãos dos procuradores….

    Se realmente houve esse encontro entre Lula, FHC e Temer, Gilmar é obvio não somente esta a par, como deve ter parte nessa historia. Eh melhor essa união do que o salve-se quem puder, que ai esta 🙂

  5. Clovis 50

    17 de abril de 2017 4:44 pm

    Esse é o tipico discurso que

    Esse é o tipico discurso que mais se parece com colocação de moveis na sala para receber visita. Mas como na metáfora, só se senta aqueles que convidamos, assim será a acolhida dos processos. Primeiro se faz o discurso para insinuar a imparcialidade e depois processa-se (e condena-se) quem quiser. Pois ninguém poderá acusar ele e sua turma de parcial.

  6. Jota Lopes

    17 de abril de 2017 5:10 pm

    Algo de estranho acontece. Há

    Algo de estranho acontece. Há algum tempo o GM deixou de lado sua giratória contra o PT. Não foi por bondade, mas sim por ficar provado que o PSDB e PMDB roubaram muito mais que o PT. Então é preciso salvar seus amiguinhos  como Aécio, Serra,  Alkmin e sobretudo seus amigo de mais de 30 anos, MT. Por isto, os dias de gloria do Moro e do Janot estão contados.

  7. jcordeiro

    17 de abril de 2017 5:14 pm

    E Nove Dedos Caiu Nessa?

    Nassif: meu décimo sexto sentindo diz que o “acordão” tá a todo vapor. O que não contaram pro Nove Dedos é que ele não vaisser cumprido. Ou, pelo menos, não foi esse o combinado com os gringos…

  8. Juliano Santos

    17 de abril de 2017 5:35 pm

    Não precisava, porque os

    Não precisava, porque os colegas já falaram, mas mesmo assim lá vai. Porque só agora ministro? Quando o PT era governo, qualquer denúncia era pretexto para verborrágicas indignações cheios de superlativos, “maior corrupção do universo”, “sindicato de ladrões assaltando a nação” e por aí vai.

    Agora é calma aí, vamos analisar. Tem o contraditório. Delações precisam de provas. Etc etc. Justo agora que o senhor resolveu advogar para o MT. Mas apesar disso, concordo com 100% do que disse. Se o diabo disser uma verdade ela não vira mentira

  9. Marcia Eloy

    17 de abril de 2017 6:20 pm

    Gilmar

    Ontem eu ouvi uma parte da delação do Emílio Odebrech, em que ele dizia que gostava do Lula, e depois de uma pausa falou ao Moro:- se quiser desligar o gravador, pode desligar.

    Conclusão:- ele sabe que o Moro não gostado lula e esta partede sua fala poderia estragar sua delação,

    Gilmar sabe disso,pode querer proteger seus protegidos mas desta vez está sendo útil.

  10. João Alexandre

    17 de abril de 2017 6:24 pm

    Pulha

    Esse pulha só diz isso agora, embora seja verdade, porque as delações atingiram o ninho tucano.

  11. MarFig

    17 de abril de 2017 6:41 pm

    Verdade. Parece que a

    Verdade. Parece que a farsajato proibiu os delatores de falar a palavra juiz.

  12. Jose mestre Carpina

    17 de abril de 2017 6:50 pm

    Misture numa caixa…dois quebra-cabeças desmontados…

    E  depois, faça como o Moro et Caterva:  só pegue os de cor vermelha, que é o  seu  jogo dos desejos !!

    Simples  assim !!

  13. AleaJactaEst

    17 de abril de 2017 6:58 pm

    Aqui está o perfeito exemplo

    Aqui está o perfeito exemplo do fenômeno “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”. Provisório, é claro, já que estamos falando do oportuno Gilmar.

  14. Delano Willians

    18 de abril de 2017 12:49 am

    Acelera Gilmar beiçola, bate
    Acelera Gilmar beiçola, bate menos o beiço e toma atitude ou será tarde.
    Só tem um caminho: salvar Lula, os do PT da perseguição da lava jato e do Moro e abrir as portas para salvar os do PMDB e do PSDB, salve todos teus amigos tucanos antes que seja tarde.
    Já passou dá hora de invalidar essas prisões essas delações torturadas e vazadas, apliquem aquele argumento do fruto dá árvore envenenada usada para invalidar toda a operação castelo de areia. O juiz Moro, Janot , os delegados, os procuradores cometeram muito mais abusos e ilegalidades.
    A Lava Jato é a operação mais ilegal é abusiva dá história mundial!

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