4 de junho de 2026

Tributo ao Espirito Santo, por Francisco Celso Calmon

O ES ficar mais quatro anos esperando ter prioridade é um tributo alto demais, para um estado lindo por natureza e com o nome de Deus.
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Tributo ao Espirito Santo

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por Francisco Celso Calmon

Nunca devemos parar de lutar quando se acredita numa ideia, mesmo quando as circunstâncias parecem difíceis, mas não intransponíveis.

Qual é a ideia que fez a militância no ES puxar a direção estadual para cerrar trincheiras pela candidatura do senador Contarato ao governo estadual?

Essa ideia tem três pontos: 1. Oferecer ao povo capixaba um projeto alternativo ao do “Espirito Santo em Ação”, que vem inspirando os oligarcas políticos, Paulo Hartung e Casa-grande, que se revezam num círculo vicioso, no qual os PT-ES já foi caudatário algumas vezes; 2. Possibilitar o partido a assumir um protagonismo na política espírito-santense e um palanque que puxe as candidaturas proporcionas ao Senado, à Câmara Federal e à Assembleia; 3. Lula ter um palanque confiável, exclusivamente identificado com a sua candidatura.

O cenário no estado constitui numa oportunidade histórica no plano nacional e estadual para o PT e a esquerda no geral caminharem na implementação de um projeto popular.

Contudo, se não houver a compreensão desse cenário, não haverá a sinergia necessária e a luta contra o bolsonarismo no ES claudicará. 

A contradição principal na conjuntura nacional é entre o bolsonarismo (retrocesso e golpe) versus a recomposição do Estado democrático de direito (Frente Brasil da Esperança).

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A luta contra o bolsonarismo se dá em duas grandes frentes. Uma: ganhar as eleições, preferencialmente no primeiro turno. Duas: estruturar uma resistência ativa (a cada investida do adversário) e proativa (antecipando-se a elas e criando antídotos) frente às articulações golpistas. 

E o Casa-grande com isso? Ele localmente representa a antítese, ou seja: tem um projeto voltado prioritariamente aos interesses empresariais com aliados bolsonaristas, divide a federação partidária PT/PCdoB/PV, e, sobretudo, não se coloca na questão nuclear da resistência ao bolsonarismo.

A ele interessa a retirada da candidatura petista, porque com o Contarato haverá um segundo turno. Sem Contarato e com o apoio do PT Casa-grande pode vencer no primeiro turno.

O que ele oferece em troca? Uma falácia! Declarar que apoia o Lula, mas que no seu palanque estariam outros presidenciáveis, é o mesmo que não apoiar, pois nivela Lula com os demais e não concentra forças para o Lula ganhar no primeiro turno.

 Outrossim, assinalemos que a chapa é do Lula e Alkmin, isto é, do PT e do PSB. A convenção do PSB fechou esta aliança, com a presença e assinatura do secretário-geral do partido, Renato Casa-grande. Como ele poderá deixar de fazer campanha da chapa presidencial do seu partido, seria uma transgressão disciplinar. Que poderá lhe custar caro no futuro, (vamos lembrar que está surgindo um novo PSB e o peso do Casa-grande tende a diminuir), quando outros candidatos do PSB eleitos e o Lula presidente e ele, eventualmente, governador.

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A moeda com que Renato Casa-grande negocia está podre!

O que ele está propondo é um apoio plural, e com isso qual o delta eleitoral que ele julga passar para o Lula?

O ES tem 2% do eleitorado nacional, três milhões de votos. Se considerarmos 2.700 de votantes e, segundo a última pesquisa, Lula já aparece no estado com 45% e Bolsonaro 32%, o que equivale a 1.215.000 para Luiz Ignácio e 864.000 para o energúmeno, o que restaria, com base nessa planilha, seriam 620 mil votos para os demais, ou ainda mais um pedacinho para um ou outro.

O valor do delta seria em torno de 100 mil votos que Casa-grande poderia levar ao Lula com muito empenho, certo?  Talvez, já que eleição não é matemática. Mas, também, pode ser que o fenômeno do voto útil leve Lula para mais longe no estado, independente de Casa-grande.

Segundo informação que me passaram, de quem esteve na reunião dos representantes do PT com ele, o que foi oferecido foi para o futuro, pós eleição. Quem sabe uma secretaria e alguns cargos de níveis inferiores, bem ao gosto do fisiologismo.

A vice, nem pensar, o senado, idem, pelo menos por ora.

Será que a ideia vale tão pouco? Adiar por mais 4 anos um projeto!

Quando a ser compensação para o PSB desistir da candidatura do França em SP e apoiar o Haddad, estão incoadas as tratativas, ninguém parece seguro, e não conclui. Então esperamos. Como, sentados ou levando a ideia em verbos e ações?

Quem vai ganhar com Lula sem palanque, sem potencializar as proporcionais e sem a luta antifascista?

O projeto nacional é fundamental e prioritário, sobremaneira para ganhar no primeiro turno, mas deve ser para todo o Brasil, deve-se evitar a todo custo em função de uma árvore amputar um galho.

O ES ficar mais quatro anos esperando ter prioridade é um tributo alto demais, para um estado lindo por natureza e com o nome de Deus.

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Mesmo que o ônus fique com a nacional do PT, como disse em seu discurso o senador Fabiano Contarato, o desgaste será de todos, inclusive do pré-candidato, eventualmente castrado em sua pretensão, também da direção local, e, com magna certeza, o da militância, que há muito tempo não estava unida como agora. A maior perda, porém, será a do povo capixaba que não terá um projeto em seu benefício para escolher.

A militância é o elo com a base social, se é enfraquecia, é o elo que se torna frágil.

A direção recebe delegação dos filiados, mas a soberania continua com a base, que deve ser sempre protagonista e não objeto de manipulação e silenciamento.  Afinal, na democracia é a dialógica o método de convencimento, jamais a imposição.

Os militantes controlam os dirigentes, apontando erros e indicando a forma de corrigi-los, para que os dirigentes conduzam com mais acerto, esta é a forma de gestão dialética coletiva. O Inverso é mandonismo e burocratismo, é a onisciência do soberbo personalismo.

Contudo, se este for o preço, a história retribuirá, um dia, um tributo ao ES.

Francisco Celso Calmon, coordenador do canal pororoca e ex-coordenador nacional da Rede Brasil – Memória, Verdade e Justiça

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected].

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Francisco Celso Calmon

Francisco Celso Calmon, Analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia, 60 anos do golpe: gerações em luta, Memórias e fantasias de um combatente; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.

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  1. Fernanda Maria Waichert Pinheiro

    13 de junho de 2022 3:14 pm

    Uma analise fiel dos fatos que acontecem no ES. Esta é a luta e apos a unanimidade pelo nome do senador CONTARATO, cientes que fomos assistidos, buscamos oficializar essa deliberacao, encaminhando relatorio a Presidenta e a dirigentes nacionais do PT, solicitando uma reuniao virtual urgente.

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