1 de julho de 2026

Bolsonaro ironiza Carta a favor da democracia

Texto se opõe à Carta democrática da USP, que reuniu mais 100 mil assinaturas de juristas, banqueiros e intelectuais
Jair Bolsonaro
Foto: Fabiano Pozzobom/Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro foi ao Twitter para ironizar o apoio à democracia. O texto vem após a Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito, da Faculdade de Direito (USP), alcançar a marca de mais de 100 mil assinaturas.

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Enquanto o manifesto do mandatário tem 27 palavras, o documento da USP conta com 643.

Carta pelo Estado Democrático

O texto da Universidade foi ratificado pela elite econômica, intelectual e jurídica do Brasil. Por exemplo, Arminio Fraga (ex-presidente do Banco Central), José Olympio Pereira (ex-presidente do Credit Suisse local), Juca Kfouri (jornalista e ex-integrante do movimento de 77) e Pedro Serrano (professor na PUC) estão na lista.

Segundo Miguel Reale Júnior, jurista signatário do documento, o texto procurou ser o menos partidário possível. A ideia, segundo ele, é reunir todos aqueles que estão preocupados com as ameaças recentes ao Estado Democrático de Direito.

A Carta, apesar de não mencionar Bolsonaro diretamente, é encarada pela própria campanha do presidente como um movimento contra o chefe do Executivo.

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Nas últimas semanas, Bolsonaro reuniu embaixadores internacionais para colocar o TSE, as urnas e o processo eleitoral como um todo em dúvida. Além disso, no lançamento de candidatura à reeleição pelo PL (Partido Liberal), o presidente convocou apoiadores para “irem às ruas pela última vez” no próximo dia 7 de setembro.

Confira a íntegra da Carta da Faculdade de Direito da USP:

Em agosto de 1977, em meio às comemorações do sesquicentenário de fundação dos Cursos Jurídicos no País, o professor Goffredo da Silva Telles Junior, mestre de todos nós, no território livre do Largo de São Francisco, leu a Carta aos Brasileiros, na qual denunciava a ilegitimidade do então governo militar e o estado de exceção em que vivíamos. Conclamava também o restabelecimento do estado de direito e a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

A semente plantada rendeu frutos. O Brasil superou a ditadura militar. A Assembleia Nacional Constituinte resgatou a legitimidade de nossas instituições, restabelecendo o estado democrático de direito com a prevalência do respeito aos direitos fundamentais.

Temos os poderes da República, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, todos independentes, autônomos e com o compromisso de respeitar e zelar pela observância do pacto maior, a Constituição Federal.

Sob o manto da Constituição Federal de 1988, prestes a completar seu 34º aniversário, passamos por eleições livres e periódicas, nas quais o debate político sobre os projetos para país sempre foi democrático, cabendo a decisão final à soberania popular.

Novo documentário do Jornal GGN denuncia ameaça de golpe eleitoral de Bolsonaro e os esquemas da ultradireita mundial. Apoie o lançamento: WWW.CATARSE.ME/XADREZ-ULTRADIREITA

A lição de Goffredo está estampada em nossa Constituição “Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.

Nossas eleições com o processo eletrônico de apuração têm servido de exemplo no mundo. Tivemos várias alternâncias de poder com respeito aos resultados das urnas e transição republicana de governo. As urnas eletrônicas revelaram-se seguras e confiáveis, assim como a Justiça Eleitoral.

Nossa democracia cresceu e amadureceu, mas muito ainda há de ser feito. Vivemos em país de profundas desigualdades sociais, com carências em serviços públicos essenciais, como saúde, educação, habitação e segurança pública. Temos muito a caminhar no desenvolvimento das nossas potencialidades econômicas de forma sustentável. O Estado apresenta-se ineficiente diante dos seus inúmeros desafios. Pleitos por maior respeito e igualdade de condições em matéria de raça, gênero e orientação sexual ainda estão longe de ser atendidos com a devida plenitude.

Nos próximos dias, em meio a estes desafios, teremos o início da campanha eleitoral para a renovação dos mandatos dos legislativos e executivos estaduais e federais. Neste momento, deveríamos ter o ápice da democracia com a disputa entre os vários projetos políticos visando convencer o eleitorado da melhor proposta para os rumos do país nos próximos anos.

Ao invés de uma festa cívica, estamos passando por momento de imenso perigo para a normalidade democrática, risco às instituições da República e insinuações de desacato ao resultado das eleições.

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Ataques infundados e desacompanhados de provas questionam a lisura do processo eleitoral e o estado democrático de direito tão duramente conquistado pela sociedade brasileira. São intoleráveis as ameaças aos demais poderes e setores da sociedade civil e a incitação à violência e à ruptura da ordem constitucional.

Assistimos recentemente a desvarios autoritários que puseram em risco a secular democracia norte-americana. Lá as tentativas de desestabilizar a democracia e a confiança do povo na lisura das eleições não tiveram êxito, aqui também não terão.

Nossa consciência cívica é muito maior do que imaginam os adversários da democracia. Sabemos deixar ao lado divergências menores em prol de algo muito maior, a defesa da ordem democrática.

Imbuídos do espírito cívico que lastreou a Carta aos Brasileiros de 1977 e reunidos no mesmo território livre do Largo de São Francisco, independentemente da preferência eleitoral ou partidária de cada um, clamamos as brasileiras e brasileiros a ficarem alertas na defesa da democracia e do respeito ao resultado das eleições.

No Brasil atual não há mais espaço para retrocessos autoritários. Ditadura e tortura pertencem ao passado. A solução dos imensos desafios da sociedade brasileira passa necessariamente pelo respeito ao resultado das eleições.

Em vigília cívica contra as tentativas de rupturas, bradamos de forma uníssona:

Estado Democrático de Direito Sempre!!!!

Johnny Negreiros

Estudante de Jornalismo na ESPM. Estagiário desde abril de 2022.

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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    29 de julho de 2022 11:12 am

    O desespero do capitão genocida, ladrão e vagabundo é evidente.

    https://www.conjur.com.br/2022-jul-28/carta-democracia-sofre-1500-ataques-hackers

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