4 de junho de 2026

Um projeto para impulsionar as PMEs, por Luis Nassif

BNDES pode ser o pivô de um grupo envolvendo Sebrae, federações de indústria e sistema de inovação

O próximo governo terá, às mãos, todas as ferramentas necessárias para promover uma revolução nas pequenas e micro empresas.

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Desde os anos 90, consolidou-se no país os Arranjos Produtivos Locais (APL), empresas de um mesmo setor, em uma mesma região, produzindo em conjunto. O desafio agora será montar Arranjos Produtivos Digitais – isto é, empresas de um mesmo setor, espalhadas pelo país e unidas pelas redes sociais. E, principalmente, alçar as PMEs aos novos patamares tecnológicos.

O modelo a ser seguido provavelmente será o seguinte:

  1. O Cedeplar (Centro de Estudos e Planejamento Regional) da Universidade Federal de Minas Gerais, desenvolveu uma metodologia de pesquisa inspirada em Cesar Hidalgo, professor do MIT. Permite trabalhar grandes bases de dados e identificar, em cada cidade ou micro-região, os setores – incipientes ou avançados – portadores de futuro.
  2. Em cima dessa base, acionam-se dois setores essenciais: a estrutura de pesquisas das fundações de amparo à pesquisa e dos órgãos federais; a estrutura do Sebrae, para orientação gerencial. Paralelamente, haverá o apoio dos centros da indústria das diversas federações.
  3. A terceira perna será o sistema de bancos públicos. O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, com sua abrangência nacional, poderão ser a ponta de lança para identificar empresas a serem apoiadas. E o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) será o provedor de capital de giro.
  4. Finalmente, a Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações) poderá ser a porta de entrada nas exportações de produtos de maior valor agregado.
  5. De seu lado, a Fazenda e o Banco Central poderão criar instrumentos direcionando parte do crédito privado para PMEs.

O desafio central está no desenho do modelo que permita essa concatenação. O BNDES poderia ser o pivô de um grupo envolvendo Sebrae, federações de indústria e sistema de inovação.

Trazendo de volta o projeto de conteúdo nacional e os pontos centrais do Estatuto da Microempresa – que prevê 25% das compras públicas serem de PMEs, dentro de determinados limites de preço -, poder-se-á ter uma explosão de um setor que é essencial para o desenvolvimento nacional, tanto pelo potencial de inovação quanto de geração de empregos.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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2 Comentários
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  1. WILLIAM ROBERTO PORTO

    17 de novembro de 2022 11:05 am

    Dentre os itens poderia haver a SIMPLIFICAÇÃO do SIMPLES NACIONAL. Já tentou calcular DIFAL e ICMS-ST entre Estados?

  2. tvc

    17 de novembro de 2022 5:37 pm

    Luís,
    Já ha boas iniciativas quanto à digitalização de PMEs (indústrias), listo alguns que são bacanas de serem avaliados

    – Minha Indústria avançada (MInA) – no âmbito do programa Brasil Mais Produtivo 2 – SENAI Nacional

    – Programa ALI do SEBRAE Nacional

    – Jornada Digital do SENAI SP

    – Sebrae Connect (MG)

    – FIEMG Competitiva do IEL de MG

    – Startup Lab do Inova RS

    – Desenvolve.ai do Porto Digital

    – Inovação aberta (para PMEs): FIEMGLab, Linklab ACATE, OIL do Porto Digital

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