Em sua coluna em O Globo, Malu Gaspar expõe preconceitos contra Fernando Haddad, que ela diz ter recolhido no tal de mercado.
“No mercado, ele é tido como alguém dogmático, arrogante e avesso à disciplina fiscal – uma espécie de “professor de Deus”, imagem com a qual o potencial ministro da Fazenda sempre se incomodou”.
Efetivamente, os operadores ouvidos – e tratados genericamente como “mercado” – nunca trataram com Haddad. Os jornalistas que cobriram o Ministério da Educação ou a Prefeitura, no seu período, conseguiram identificar algumas características com as quais provavelmente o operador-mercado de Malu não esteja acostumado:
- Haddad é racional.
Em todas as entrevistas que ele deu, há uma obediência férrea à lógica e aos fatos.
- Seus projetos são montados ouvindo especialistas e partes envolvidas.
Tanto no MEC quanto na Prefeitura, montou projetos redondos ouvindo incessantemente especialistas e setores envolvidos. Seu projeto de educação inclusiva – para crianças com deficiência -, por exemplo, contemplava um engenhoso sistema de remuneração das escolas públicas que aceitassem as crianças, para as APAES (Associação de Pais e Amigos de Excepcionais) que fornecessem apoio pedagógico à criança, dentro da escola convencional. Além disso, estimulou a fabricação de uma série de equipamentos para salas especiais, desenhadas de acordo com orientação pedagógica.
- Haddad não deixa denúncias sem resposta.
Certa vez a revista Veja soltou uma insinuação contra ele em uma reportagem. Ele ligou para o herdeiro de Roberto Civita, Giancarlo e lhe disse que tinha uma boa relação com o pai e lhe dava até às 17 horas para retornar a ligação e informar se havia qualquer fato concreto servindo de base para a acusação.
Não era intimação, sequer pretendia saber detalhes da suposta prova. Queria apenas que Giancarlo respondesse sim ou não.
Às 17 horas, Giancarlo telefonou dizendo que, de fato, não havia nada. Perguntou o que poderia ser feito para reparar o dano. Haddad ponderou que nem adiantaria desmentido, porque serviria apenas para realimentar o boato. Pediu-lhe apenas que viesse almoçar na prefeitura com o diretor da Revista, Eurípedes Alcântara.
Os dois compareceram e Haddad foi à forra, dando um sabão inesquecível em Eurípides, na frente o seu patrão.
Teve o mesmo comportamento desabrido quando a Folha o denunciou por vazamentos de exames do Enem – que se deram na própria gráfica do jornal, como se soube posteriormente.
- É construtor de soluções criativas.
Aqui reside o maior receio do mercado. Desde a implantação do infausto sistema de metas inflacionárias, o país foi incapaz de modernizar e baratear o custo de administração do tal mercado. Operações compromissadas, metas inflacionárias, remuneração diária de recursos de curto prazo, tudo isso criou uma boca do inferno que suga todos os recursos orçamentários.
Há outros desafios, como a indução de recursos privados para infra-estrutura, fundos garantidores para financiamento às pequenas e micro empresas, o grande trabalho de renegociação das dívidas privadas.
Não sei se Haddad terá ousadia de investir sobre esses totens. Tendo, haverá a garantia de soluções racionais, negociadas, discutidas e explicadas. Argumentos racionais serão considerados; esperneios, não. E o foco principal será o país real, não as fantasias da fonte da Malu Gaspar.
O que se sabe é que, ao contrário de outros tempos, a interlocução não será com ministros insossos, como Pedro Malan, Antonio Pallocci e Henrique Meirelles
Fábio de Oliveira Ribeiro
25 de novembro de 2022 1:40 pmTem petista babaca acusando Haddad de ser um advogado rico e metido. Esse povo da esquerda também é foda, Nassif.
Renato Cruz
25 de novembro de 2022 2:05 pmNada entendo do assunto, portanto não serei eu a dar palpites no campo mais vital de qualquer país, a condução da economia. Fernando Haddad foi um bom prefeito de São Paulo e deixou ao menos uma herança maravilhosa para a população, as ciclovias. O que me pergunto é se um homem marcado por três fracassos eleitorais seguidos, começando por sua derrota arrasadora na tentativa de reeleição à prefeitura paulistana em 2016, depois o fracasso da campanha presidencial de 2018 e agora o desastre da eleição estadual, quando foi derrotado por um forasteiro que nunca viveu em São Paulo, não contamina de saída a sua tarefa como Ministro da Fazenda. Apesar de honrado, Fernando Haddad é um perdedor, um loser. Será boa essa fama para um homem num cargo tão vital e tão sensível ao currículo do ocupante?
Plácido
25 de novembro de 2022 2:46 pmPela lógica do comentarista Renato Cruz, Lula era um loser ainda maior do que Haddad, pois perdeu três vezes a disputa presidencial até conseguir a sua primeira vitória. Não é por aí. E dou um exemplo atual: Ciro e Tebet perderam em 2022, mas apenas porque não venceram a eleição. O primeiro perdeu mesmo, foi derrotado e perdeu o bonde; a segunda, ganhou uma visibilidade que não tinha e pode render sucessos eleitorais no futuro. Os resultados são mais sutis e complexos do que um simples: eleito/não eleito.
Anônimo
25 de novembro de 2022 5:07 pmHaddad é o mais tucano dos petistas. Sua gestão no MEC correspondeu a um grande crescimento de vagas nas instituições públicas federais de ensino superior e uma enorme explosão de vagas no setor privado, com a criação dos megaconglomerados de negócios de educação, alavancados pelo FIES. Não avançou na regulamentação da autonomia universitária, não ouviu em momento algum as entidades representativas de docentes e de Técnico-administrativos. Ao final de sua gestão e após ter deixado o MEC para concorrer à prefeitura de São Paulo, explodiu a greve de 2012, que extravasava os erros de condução da expansão e o verdadeiro congelamento de salários a que estas categorias de trabalhadores do setor público federal estavam submetidas desde 2006. Seu período na prefeitura é marcado pelos enormes erros na condução de 2013, bem marcados na entrevista em que ele, calado, ouve Geraldo informar que o reajuste de passagens havia sido suspenso. Mas ele era o prefeito. Haddad é a acabada expressão do petismo burocratizado, que defende a institucionalidade e as soluções de gabinete, todas genialmente construídas, como relata Nassif, mas sob o viés dos interesses os financistas.
+almeida
25 de novembro de 2022 6:06 pmNão conhecendo do assunto, mas considerando Nassif como um profundo conhecedor, com todo respeito aos colegas comentaristas, apoio a sugestão de Nassif favor de Haddad, no como possível ministro da faxenda
WAGNER MORENO AGUILAR
26 de novembro de 2022 8:02 amÉ inacreditável, Haddad, o mais PSDB do pt provoca histeria no mercado. Se eu encontrar esse tal mercado pela frente, encho de sopapos!
Moacir R. de Pontes
26 de novembro de 2022 6:45 pmYo no credo en esto mercaderia maluka, pero si eres contra Haddad en la Hacienda, entonces nosotros si seremos por el! (pero que si, pero que no!).
Arthur Arruda
28 de novembro de 2022 1:16 amTaí uma boa tese de doutorado, dissecar o típico militante petista que se auto entitula raiz e se arvora a torpedear um dos melhores quadros e peça fundamental na renovação do partido. Regredido, quiçá saudoso da escola Mantega, e incapaz de compreender a realpolitik, ataca o ex-ministro não pelos defeitos, mas por suas qualidades tão imprescindíveis na quadra atual. O que resta do seu discurso é o velho anacronismo sectário, o preconceito de classe às avessas e a inveja de ser preterido nas sabias escolhas que faz o presidente eleito.
Paulo Dantas
28 de novembro de 2022 2:38 pmEu nomearia um menino(a) saído da graduação , o que ele(a) fizer vai estar errado mesmo pro “mercado” , nem que colocasse o “mercado” na Fazenda ( se ele existisse …) o “mercado” estaria feliz…
E o Art. 84 ainda vale , a bola é do seu Luiz, ponto.
Rubem Corveto
29 de novembro de 2022 10:47 amDiscordo.
Qualquer coisa que o Fernando Haddad fizer será questionado, alimentação para uma oposição extremista e dificultando o governo Lula.que deveria PRIMEIRA nomeação do Ministro do Planejamento, Pérsio ou o próprio Haddad (?) , Lara Resende, alguns nomes fora do Pt. Também a casa Civil para afastar as hienas do mercado e do fascismo .
Lula saberá articular – na falta que faz o J Dirceu!