5 de junho de 2026

Postalis tenta transferir para Mellon Bank responsabilidade por seus golpes

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Jornal GGN – A pedido da entidade dos funcionários dos Correios, Postalis, a Justiça do Rio decretou ontem (22) o bloqueio de quase R$ 200 milhões das contas do Bank of New York Mellon no Brasil. A Postalis quer receber o dinheiro como indenização por perdas com títulos da dívida argentina.

Para muitos observadores, trata-se de manobra do Postalis e da direção dos Correios para se livrar das responsabilidades pelos rombos sofridos pelo banco em várias operações mal explicadas.

Justiça bloqueia conta do Mellon no Brasil

Por David Friedlander

Da Folha de S. Paulo

Pedido é do fundo de pensão dos Correios, que pede indenização por perda de R$ 197 mi com títulos da Argentina

Banco dos EUA diz que gestor de fundo é o responsável e vai recorrer; Postalis faz também queixa ao BC

A Justiça do Rio decretou nesta sexta-feira (22) o bloqueio de R$ 197,8 milhões das contas do Bank of New York Mellon no Brasil, a pedido do fundo de pensão Postalis (dos funcionários dos Correios), segundo a Folha apurou.

A entidade quer receber esse dinheiro do banco americano como indenização por perdas com títulos da dívida argentina, reduzidos a pó depois do calote do governo daquele país em credores, semanas atrás.

As perdas ocorreram no fundo de investimentos Brasil Sovereign II, do qual o Postalis é o único cotista. O Mellon é o administrador desse fundo, que era gerido por uma outra empresa, chamada Atlântica.

Embora o Brasil Sovereign tivesse que aplicar 80% dos recursos em títulos da dívida brasileira, ele tinha a maior parte investido em papéis da Argentina, da Venezuela e de sua estatal de petróleo, a PDVSA. Além disso, a Atlântica superfaturou os preços dos papéis em mais de R$ 79 milhões.

Na visão do Postalis, o banco americano foi “negligente e imprudente” no papel de administrador desse investimento. Como a Atlântica, então gestora do fundo, fechou as portas e seus donos sumiram do mapa, o Postalis quer que o New York Mellon pague agora pelo prejuízo.

QUEIXA NO BC

Pressionados pelo desastre nas contas do Postalis, que acumula um déficit de R$ 1,9 bilhão nos últimos dois anos, os diretores da entidade resolveram culpar o Mellon, que administra a maior parte de seus investimentos, por parte de seus prejuízos.

A Folha apurou que nesta sexta a entidade pediu também ao Banco Central a apuração de supostas irregularidades cometidas pelo Mellon na administração de 11 fundos de investimento, nos quais a fundação dos Correios aplicou R$ 2 bilhões.

Na queixa feita ao BC,o Postalis acusa o banco de fazer investimentos fora das regras definidas em lei para os fundos de pensão –como aplicações acima do teto permitido em papéis de bancos e investimentos fora do regulamento dos fundos.

INFLUÊNCIA POLÍTICA

Responsável pela poupança para a aposentadoria de 130 mil carteiros e funcionários dos Correios, o Postalis é o maior fundo de pensão do país em número de contribuintes. Tem patrimônio de R$ 8 bilhões, mas vive sob ameaça de intervenção por causa da péssima situação de suas contas.

Os diretores do Postalis não quiseram se manifestar, mas profissionais contratados para assessorar a fundação atribuem os maus investimentos dos últimos anos a diretores de gestões anteriores, indicadas pelo PMDB.

Nos últimos dois anos, parte desses dirigentes foram substituídos –agora por alguns ligados ao PMDB e outros ao PT. Embora a influência política não tenha acabado, a tarefa da nova gestão agora seria tentar a redução do prejuízo para evitar uma intervenção.

De um ano para cá, a fundação tirou cerca de R$ 700 milhões de investimentos considerados ruins e colocou o dinheiro em títulos do governo, mais seguros.

Mesmo assim, o passivo é grande, puxado por aplicações duvidosas como as que foram feitas nos bancos Cruzeiro do Sul e BVA ou na financeira Oboé, todos liquidados pelo BC.

Só em fundos que tinham na carteira empréstimos bichados do BVA, o Postalis tinha R$ 350 milhões aplicados. E ninguém descarta que, com o tempo, novos esqueletos possam aparecer.

 

 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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12 Comentários
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  1. Motta Araujo

    23 de agosto de 2014 12:15 pm

    É impressionante. O Bank of

    É impressionante. O Bank of New York não é GESTOR, é depositario dos titulos, não é ele quem toma a decisão de investir.  O Bank of New York é o maior depositario de titulos do planeta, é como se ele fosse o cofre alugado para guardar os titulos,  ele não tem nada a ver com a gestão.  Quem é culpado pela compra desses titulos é em PRIMEIRO lugar a direção do Fundo Postalis e em segundo lugar a Atlantica, que é a gestora. Processar o Banco é obviamente pura má fé, não sei como o juiz embarcou nessa.

    1. Ivan de Union

      23 de agosto de 2014 12:20 pm

      Entao ta simples resolver, eh

      Entao ta simples resolver, eh so mudar o nome de “banco” pra “depositario de titulos gerenciados por terceiros”, nao eh?

      1. Motta Araujo

        23 de agosto de 2014 12:52 pm

        Nada a ver. A função de

        Nada a ver. A função de depositario SÓ pode ser exercida por bancos, é assim há 300 anos, o Bank of New York é o depositario das ações da Petrobras que são listadas na Bolsa de Nova York, uma ação emitida no Brasil é depositada em Nova York e em cima dela o BNY emite um American Depository Receipt, que é um recibo de que uma ação original está nos seus cofres, é o recibo ADR que é então cotado na Bolsa e não a ação original.

        1. Mário Mendonça

          23 de agosto de 2014 1:25 pm

          Motta
          O neoliberalismo é uma

          Motta

          O neoliberalismo é uma “delicia” heim?

          Abração

          1. Motta Araujo

            23 de agosto de 2014 1:49 pm

            Meu caro, conheço esse caso ,

            Meu caro, conheço esse caso , a culpa não é do neoliberalismo, é da SACANAGEM   PELEGADA dos dirigentes que obviamente “”montaram”” uma operação para saquear o fundo que eles dirigem, sacanagem essa que é muito anterior ao neoliberalismo, é coisa bem primaria, de pelego tradicional do populismo.

          2. Mário Mendonça

            23 de agosto de 2014 5:11 pm

            Prezado Motta
            ” ironia

            Prezado Motta

            ” ironia “

            Abração

          3. Lionel Rupaud

            23 de agosto de 2014 3:32 pm

            Lamento muito para os carteiros mas

            André Araujo tem toda a razão: o BNYM é só o custodiante destes Fundos de Investimentos. É praticamente o único negócio que tem no Brasil.

            O juiz não entende nada de mercado financeiro, e pelo que entendo do mercado financeiro, a sacanagem era feita a nível da entidade gestora a tal de Atlântica que “sumiu do mapa” segundo a Folha (deve ser bem diferente mas agrada mais o patrão).

            O leitor do blog tem que se lembrar que o romance do tal “mensalão” (do PT) nasceu da gravação de um caso de corrupção de pequeno valor nos Correiros, feita por “arapongas privados” a serviço do “empresário de diversões” Carlinhos Cachoeira”, sócio (só oculto para os Homer Simpson) da revista veja.. Carlinhos precisava de fato se livrar de concorrentes em alguma boquinha nos Correios.

    2. Neo Pelegoberal

      23 de agosto de 2014 3:23 pm

      Precisa ler para opinar melhor

      O texto diz algumas coisas ignoradas em seus comerdário, digo comentário.

      1) Quem aplica não é a Postallis, mas quem ela delegou fazer as operações. Qualquer pessoa sabe a diferença entre investir direto e através de terceiros.

      2) Quem aplicou, aplicou ilegalmente, fora das regras definidas para fundos de pensão.

      3) O texto diz que agora membros ligados ao PT e PMDB estão tentando reverter a situação. Portanto quem eram os “pelegos” (neoliberais?) que tocavam a Postallis e seus prepostos “escafedidos” (Atlantica, etc.)? 

      4) Quanto ao banco, ele pode (não acuso) muito bem estar envolvido no processo, já que ele é responsável pelo que tem em seus ativos. Ou , por ex. lavagem de dinheiro (vide HSBC) vale?

      5) Portanto a Postallis jamais poderia ter culpa “primária” (sic). No máximo, negligente (o que já é muito) em acompanhar o seu portfólio. Ou dirigida por comparsas de um golpe (dentro de outros).

      Isto é um processo jurídico perfeitamente cabível, podendo ser bem ou mal sucedido. O que (sempre) espanta é sua patética presteza em sair na defesa do banco, tal como de hábito, em qualquer instituição norte-americana.

      Em todo caso, preocupa mais defender os interesses de pensionistas dos correios (certamente inocentes e prejudicados) do que os de banqueiros (possivelmente envolvidos e provavelmente benfeficiados).

      Questão de posicionamento, nã é mesmo?

      1. Motta Araujo

        24 de agosto de 2014 1:22 am

        Quem orientou a aplicação foi

        Quem orientou a aplicação foi a Atlantica, uma consultoria financeira CONTRATADA pela direção da Postalis, que responde por sua escolha da Atlantica, a direção do Fundo é sempre a responsavel final pela gestão. Quem contratou a consultoria financeira já sabia o que estava fazendo para montar uma “operação” esquema. Se quisesse fazer uma administração séria contrataria o Banco do Brasil, que faz gestão de fundos de pensão para valer.

        O Banco custodiante não tem NENHUMA participação na escolha do investimento.

    3. Athos

      24 de agosto de 2014 4:31 pm

      É que o juiz é advogado.
      E
      É que o juiz é advogado.
      E advogados, como se sabe, tem problemas de lógica simples.

  2. Jorge Rebolla

    23 de agosto de 2014 1:35 pm

    Quem deu o calote não foi a argentina de Kretina Botox?

    Os sócios do PT no Foro de São Paulo tiraram o pão da boca dos funcionários dos Correios e a culpa é de outro?

     

  3. lenita

    24 de agosto de 2014 1:47 am

    Eu jamais confiei em nenhum

    Eu jamais confiei em nenhum fundo e jamais irei confiar.  Tem sempre os espertinhos, desde que eu era criança. Pelo visto não mudou grandes coisas. B riga do Jefferson x Cachoeira.

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