5 de junho de 2026

Na Pesquisa do Comércio, a economia estagnada, Luís Nassif

Em 10 anos, o único crescimento foi em hipermercados e supermercados. Crescimento de 6,6% no primeiro grupo, significa ridículo 0,6% ao ano.
Foto: Tânia Regô/Agência Brasil

Há alguns pontos de otimismo na economia.

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Da parte do mercado, ante a expectativa de que a economia já bateu no fundo do poço. Sempre que essa constatação torna-se majoritária, há um movimento da compra de ativos que impulsiona uma onda de valorizações.

Da parte do público, a sensação de que a economia vai parar de cair, o que traz um alívio temporário e a esperança de reversão da paralisia dos últimos anos.

Na economia real, no entanto, o que se vê é uma economia estagnada e, no máximo, ambicionando a algum crescimento modesto nos próximos anos. Enfim, o país continua preso à armadilha da estagnação.

Tome-se a Pesquisa Mensal do Comércio, do IBGE, referente ao mês de maio.

No mês, 5 setores registraram queda e 2 alta. Em 12 meses, há 4 setores em queda e 3 em alta. Em 24 meses, 4 setores em queda e 3 em alta. De maio de 2019 para cá, 5 setores em queda e dois em alta.

De maio de 2021 para cá, o comércio cresceu 4,7% – ou 2,% ao ano em uma base extremamente depreciada, em plena pandemia.

No mês, houve aumento expressivo apenas em Livros, Jornais, Revistas, um segmento quase inexpressivo hoje em dia.

De maio de 2022 para cá, houve aumento pequeno em Hipermercados e produtos alimentícios, e queda drástica em Tecidos, Vestuário. E estagnação nos setores que necessitam de crédito ao consumidor.,

Em um período de 10 anos, o único crescimento foi em hipermercados e supermercados. Crescimento de 6,6% no primeiro grupo, significa ridículo 0,6% ao ano. De 9,1% em 10 anos não chega a 1% ao ano.

Quando analisa-se o histórico da variação acumulada em 12 meses (em relação ao período anterior), percebe-se uma perda de ritmo, em parte devido ao período de desaleceração provocado pela pandemia.

Na comparação mês a mês com o período anterior, observa-se a primeira queda desde agosto de 2022.

Quando se analisa a curva do comércio nos últimos 10 anos, percebe-se mais claramente a estagnação.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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2 Comentários
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  1. ed.

    17 de julho de 2023 10:40 am

    Nassif, essas estatísticas incluem o comércio pelas redes? (nacional e internacional)?

  2. José Carvalho

    17 de julho de 2023 1:25 pm

    O comércio depende muito de que os outros setores da economia estejam com bom desempenho. A economia brasileira mantém crescimento aquém do necessário faz algum tempo, além de o pouco crescimento apresentado estar basicamente situado nos mesmos setores. Até para a ocorrência dos investimentos, a renda produzida por todos os participantes das atividades teria de ser maior. Com melhor dinamismo entre eles a realização do conjunto econômico permitiria buscar maior crescimento para o País. O aumento da renda geral na sociedade é imprescindível para que o Brasil alcance um nível de sustentabilidade no seu crescimento e desenvolvimento. O realizar de cada um dará o impacto na soma da renda a ser distribuída de acordo com a produtividade, competitividade procurada. O País precisa sair da estagnação.

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