4 de junho de 2026

Nova ordem multilateral e relações justas marcam abertura da 3ª Cúpula Celac-UE

"Para além dos acordos econômicos, devemos caminhar juntos. A região deve se fortalecer em uma nova ordem multilateral", afirma Lula
Reunião de cúpula da União Europeia em 2022: ministros das relações exteriores se encontram agora para tratar da escalada da violência no Oriente Médio. Foto: Twitter @jorgerojas2022

A 3ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo entre a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e a União Européia (UE) foi instalada no final da manhã desta segunda-feira (17), horário de Brasília, e ocorrerá até esta terça-feira (18), em Bruxelas, na Bélgica.

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Ao todo, cerca de 60 líderes estrangeiros dos países componentes dos blocos participam do encontro. Embora não figurem entre os principais temas da 3ª Cúpula Celac-UE, as negociações para a conclusão do acordo de livre-comércio entre os países do bloco europeu e do Mercosul podem ser objeto das conversas. A delegação brasileira levará propostas a esse respeito.

O discurso de abertura foi proferido pelo primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves, presidente da Celac, seguido do presidente da Espanha, Pedro Sánchez, e do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. Na sequência, falaram a presidente de Honduras, Xiomara Castro, e seu colega argentino, Alberto Fernández.

Gonsalves afirma que a missão da Cúpula é “melhorar a situação para todos, com o multilateralismo respeitando o direito internacional e seguindo os preceitos da paz e do desenvolvimento sustentável”. Para ele, a mudança climática, a pobreza e a desigualdade entre as nações são os principais desafios.

“Todos juntos podemos alcançar a multilateralidade para um mundo melhor. Estamos enfrentando desafios terríveis. Na Celac (acreditamos que) junto com outros países podemos fazer muito por toda a humanidade, temos que acabar com a impunidade onde os fracos sofrem”, diz Gonsalves.

Imposição dos mais fortes 

Em seu discurso, Gonsalves alerta que é preciso acabar com a situação em que “os fortes impõem o que querem e os fracos sofrem, um fato histórico que afeta o mundo inteiro, especialmente os povos da América”, declarou. O presidente espanhol, por sua vez, apelou para ampliar a cooperação entre os dois blocos. 

Pedro Sánchez defende aos dirigentes europeus e latino-americanos para que alarguem a colaboração entre as duas regiões no atual contexto geopolítico para defender o multilateralismo e a resolução pacífica de conflitos. Sánchez lembrou que a cúpula ocorre após oito anos sem ser convocada, e isso não pode mais acontecer.

Nova ordem multilateral 

Lula considera a cúpula um passo fundamental para a construção de um mundo mais solidário, mais fraterno e menos desigual. Chamou a atenção para a persistente vulnerabilidade global revelada pela pandemia de covid-19, a crise climática, entre outras situações, que colocaram a humanidade em risco.

“O ser humano não foi feito para ficar sozinho. Continuamos vulneráveis, às mudanças climáticas, à fome, às crises que podem acabar com o planeta”, alerta. Para Lula, é fundamental unir esforços para construir um roteiro de superação das desigualdades para o desenvolvimento social e econômico.

“Para além dos acordos econômicos, devemos caminhar juntos. A região deve se fortalecer em uma nova ordem multilateral”, afirma Lula.

O presidente insistiu na necessidade de acordos que possibilitem o crescimento da América Latina e Caribe. 

Colônias ficaram para trás

Para Lula, esses continentes não devem ser vistos apenas como lugares a serem explorados pelos europeus. “A cooperação entre os dois blocos da América Latina e Caribe e a UE deve ter um roteiro para resolver as assimetrias, devemos ter transferência de tecnologia”, declara.

Ele também considerou que a UE é um modelo de como construir a democracia, “eles são a prova de superação de divergências”, diz. Porém, o presidente Lula ressalta a imposição de ambos os blocos manterem relações justas, sustentáveis e inclusivas. 

O modelo de governação não pode exacerbar as assimetrias, “o modelo de governança que temos hoje continua a gerar crises que não se resolvem, temos de ter projetos de desenvolvimento”, sublinha Lula.

Bloqueio a Cuba e Venezuela

Neste primeiro dia, e como último orador a encerrar a primeira fase, antes de os participantes da cúpula tirarem a fotografia oficial do evento, a presidente de Honduras, Xiomara Castro, pediu à UE e à América Latina e Caribe que passem “das boas intenções” às “soluções”.

“Para nossa região é muito importante manter relações fraternas, respeitosas, mas recíprocas com a União Europeia”, disse Castro. Em vista disso, pediu a suspensão do bloqueio contra Cuba imposto pelos Estados Unidos no século passado e que fossem retiradas as medidas coercitivas contra a Venezuela.

A líder hondurenha também se referiu à crise climática e lamentou que “todo o sistema internacional seja altamente ineficaz para deter a emissão de gases de efeito estufa e a destruição de dois dos principais recursos naturais de nosso planeta”.

“Brechas socioeconômicas”

O presidente argentino enfatizou que “a América Latina e o Caribe são uma região marcada por profundas brechas socioeconômicas”. Fernández sustentou que “nossas sociedades não vão mudar enquanto o mercado excluir e o Estado não encontrar mecanismos de integração e participação”.

Na América Latina e o Caribe, o presidente da Argentina lembrou que se tratam de lugares onde milhões de pessoas enfrentam a pobreza e a falta de acesso a serviços básicos. Portanto, a Europa precisa cumprir o compromisso de fornecer os recursos financeiros necessários para permitir o desenvolvimento.

O que o levou às questões ambientais. “A Europa sabe bem que somos provedores de oxigênio, que nossas selvas, nossas florestas e nossas montanhas cumprem esse papel”, disse o presidente argentino. Por isso, defendeu uma arquitetura multilateral de financiamento ambiental “justa e transparente”. 

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Renato Santana

Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

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