27 de junho de 2026

Hether, o gênio, por Izaías Almada

Hether, o cientista sueco citado é um personagem fictício que criei para escrever e chamar a atenção sobre o risco da digitalização do ensino.

Hether, o gênio

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por Izaías Almada

         Mikail Hether Bengtsson, cidadão sueco, mais conhecido como Hether, o gênio – por suas qualidades de mestre em ciência da computação e psicologia – nasceu na pequena cidade de Kristianstad ao sul da Suécia.

         Formou-se pela Universidade de Kristianstad no ano de 2012, tornando-se um dos mais novos cientistas dedicado ao avanço da cibernética, razão pela qual tem usado os seus conhecimentos e estudos para chamar a atenção, não só em seu país, mas para todos aqueles que defendem a digitalização do ensino, afirmando que essa radical mudança na educação na formação dos alunos mais jovens poderá se tornar um perigo para o desenvolvimento da humanidade.

         Os inconvenientes causados pela pandemia coronavírica somados ao rápido avanço da tese defensora de se criar alternativas digitais para o ensino tradicional em escolas e universidades, acabaram por criar a falsa necessidade de que os alunos mais jovens e não só poderiam estudar em seus computadores e celulares para se recuperarem (o que aconteceu em muitos países, inclusive aqui no Brasil) do período de isolamento social a que foram obrigados pelos dois anos de pandemia mundial.

         Na Suécia, após a constatação, na prática, de que tal investimento na digitalização do ensino – ao contrário do que se esperava – não apresentava resultados satisfatórios, o Ministério da Educação do país afirmou que tal procedimento poderia transformar uma nova geração de estudantes em “analfabetos funcionais”.

         Segundo as palavras da Sra. Lotta Edholm, ministra da Educação na Suécia: “Os alunos perderam o hábito da leitura, os professores ficaram sem acesso a livros e as mães, pais e responsáveis não conseguem ajudar seus filhos e filhas”.

         E aqui no nosso Brasil, como é que fica?

         Aqui, para além de estimular a digitalização do ensino, como os governos de São Paulo e do Paraná, ainda temos que enfrentar a ignorância das chacinas praticadas pelas polícias estaduais, a corrupção endêmica que nos persegue desde a colonização, as alianças políticas que acabam sempre por favorecer as elites (desculpem o palavrão) e tantas outras mazelas do dia a dia. Quando é que o Brasil ou o povo brasileiro, em sua maioria, vai criar vergonha na cara?

         Por fim devo dizer que o senhor Hether, o cientista sueco citado acima é um personagem fictício que criei para escrever e chamar a atenção sobre o risco da digitalização do ensino.

         A cidade e a Universidade de Kristianstad são reais, bem como a ministra Lotta Edholm.

         Com isso quis fazer uma homenagem ao governo da Suécia que assumiu o pioneirismo contra a digitalização do ensino e evitar a falência educacional e cultural dos seus e dos nossos jovens estudantes.

         Se o encantamento e o deslumbre do homem continuar com aquilo que considera moderno, como o mundo digital, a profecia de Einstein poderá se cumprir: “Não sei como será a terceira guerra mundial, mas sei como será a quarta: com pedras e paus”.

Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

Izaias Almada

Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.

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