21 de julho de 2026

Do capitalismo financeiro de Lemann à economia real, e megalômana, de Eike, por Luís Nassif

O ponto não é absolver o método de Eike, e sim reafirmar que o tipo de ambição — construir capacidade produtiva — é o que falta
Eike Batista - Reprodução vídeo InvestNews

Jorge Paulo Lemann implantou corte de custos no Unibanco, desmontando o BIB e enfrentando crises até a fusão com o Itaú em 2008.
Eike Batista investiu em infraestrutura, mas calculou mal jazidas de petróleo e quebrou, deixando ativos como Porto do Açu e MPX.
Com a crise, Eike vendeu ativos e deixou prejuízos a minoritários e bancos públicos; seu modelo produtivo é visto como necessário hoje.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

É curiosa a maneira como os empresários e a imprensa celebraram o sucesso da 3G. Lembro-me de um almoço com Pedro Moreira Salles, então presidente do Unibanco — cuja história eu conhecia bem, na condição de biógrafo de Walther Moreira Salles.

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Seu guru máximo era Jorge Paulo Lemann, não o pai. Assim que assumiu, implantou no banco o padrão Lemann: corte radical de custos, sobretudo nos setores que ganhavam muito. Mandou embora os grandes operadores do BIB, havia décadas o maior banco de investimento do país. Desmontado, o BIB morreu — e assistiu à ascensão do Itaú-BBA, do Pactual e de outros.

À frente do programa de qualidade total, colocou um acadêmico sem a menor noção de gestão, mas apreciado por Lemann. Depois, enveredou pela arbitragem de juros e câmbio sem cuidar de montar um departamento de análise de risco, de novo por questão de custo. Quando o câmbio reverteu, o banco passou por maus bocados. Foi salvo na fusão com o Itaú, em 2008.

Nesse período, o país inteiro celebrava Jorge Paulo Lemann e crucificava Eike Batista. Filho de Eliezer Batista, um dos grandes construtores da Companhia Vale do Rio Doce, Eike enriqueceu com a compra de jazidas de ferro e aproveitou a grande onda de liquidez internacional para planos grandiosos.

É curioso esse Rio antigo, que já não há. Eike passou a investir em grandes obras de infraestrutura. Na época, escrevi que certamente estava sendo aconselhado pelo pai, um dos maiores formuladores de projetos de investimento público do país. Logo em seguida, recebi um e-mail do próprio Eliezer, pedindo que eu corrigisse a informação: todo o mérito era do filho.

Ali percebi que, por trás do título de homem mais rico do país — que Eike ostentou por algum tempo —, havia um empresário cujo sonho era alcançar a relevância nacional do pai, ou dos amigos que o cercavam, como Rafael de Almeida Magalhães e outros integrantes da elite política e empresarial do Rio de antigamente.

Era megalomaníaco e muito melhor com o Powerpoint do que com as planilhas. Calculou mal as jazidas de petróleo que arrematou nos leilões da ANP — com uma equipe recrutada na Petrobras — e quebrou. Mas deixou um legado. O Porto do Açu, em São João da Barra, vendido em 2013 à americana EIG e rebatizado de Prumo Logística. A MPX, depois Eneva, o braço de energia, que passou às mãos da alemã E.ON — provavelmente o ativo mais bem-sucedido do antigo grupo. E o estaleiro da OSX, no próprio Açu.

Com a crise, foi se desfazendo de tudo, uma a uma. AUX (mineração de ouro, ligada à canadense Ventana Gold), IMX (entretenimento, parceira do UFC no Brasil) e REX (imóveis, dona do Hotel Glória) foram repassadas ao Mubadala; a fatia na SIX (semicondutores) saiu para a argentina Corporación América; a concessão da Marina da Glória foi para a BR Marinas. Somam-se a esses o Hotel Glória — reformado e perdido para o Mubadala —, a CCX (carvão na Colômbia) e fracassos retumbantes como a JPX, dos jipes para mineração.

Era megalomaníaco, sim. Em outros tempos, ao lado de alguém que lhe mantivesse um pouco de pé no chão, talvez tivesse se tornado um Baby Pignatari, do círculo restrito dos grandes empreendedores nacionais.

Quando quebrou, Eike deixou um rastro de minoritários e bancos públicos no prejuízo.

E, nestes tempos em que o país volta a buscar soberania — em que terras raras, energia verde e bioeconomia clamam por grandes empreendedores —, o espírito de Eike Batista seria muito mais útil ao Brasil do que o espírito de rapina de Lemann e seus associados. O ponto não é absolver o método de Eike, e sim reafirmar que o tipo de ambição — construir capacidade produtiva — é o que falta, em oposição à extração financeira pura. 

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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5 Comentários
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  1. JOZÉZINHO.MARCELO

    27 de junho de 2026 11:04 am

    As elites abdicaram de trabalhar,querem so :investir”(especular)nossas autoridades com seus salários ROBUSTOS querem só ir para.Paris londrrs se acham os maoorais diferentes da gentalha se distanciaram dos valorrs reais da sociedade humana são mimadinhos insaciáveis a onternet norte americana está criando pessoas muito vulneráveis as FUTILIDADES da vida hj em dia criamos calo no bumbum pedindo pelo celular comida,especulando,comversando,vendo vídeos,jogando,elogiando e.xingando lula e etc…isto está causando muitos males contemporâneos na sociedade e com a ia absorvendo e manipulando as informações do ser humano sem limite nenhum está mais grave pq estas informações estão na mão de pessoas iINESCRUPULOSAS SEM LIMITE NENHUM, e o Brasil está na vanguatda da resistência e organização deste mundo digital louco,precisara surgir alguém para organixar esta insanidade sem limites geral,o mundo digital precisa ser inclusivo e democrático como um meio ALTERNATIVO ao mundo real e não se tornar o meio principal de tudo no planeta cito o.exemplo do Brasil ptluladilma ficaram sete anos sem governar e quem governou neste período fez um arrasso uma catástrofe geral em tudo e mesmo assim os culpados eram od mesmis luladilmapt e pasmem mesmo melhorando MUITO vários setores após a catástrofe os culpados de coisas erradas são luladilmapt escondendo mal feitos de bolso e quadrilha e congresso bolsonaristas o mundo virtual manipula e transforma mente com a ajuda da ia q é uma psicologa coletando informações sobte a nossa mente para usalas contra nós mesmos sem autorização nenhuma e a favor dos seus donos bilionários mimafos,felizmente o.b.o tá no colo dos brasileiros e teremos q saber organizsr isto ppr sermos uma sociedade muito integrada com as tecnologias q muitas são a solução e muitas a doença e o remédio para curalr somios nos no mundo ocidental ja na China e arredores é ouyras idéias,aff sem mais !!!

  2. OoutroZÉ!!!

    27 de junho de 2026 12:46 pm

    Isso mesmo Jozezi vamos a um exemplo prático,após uma grande resistência de um juiz da mais alta instância do Brasil muitos aparelhos de celular eram coletados as informações de localização ao iniciar ou reinicialos,após a atuação deste magistrado se cessou esta coleta,como um sistema digital vira e mexe muda os termos e condições de uso ao bel prazer dos seus donos?É surreal,aliás so foi possível esta resistência por ser um JUIZ COM MATURIDADE DE VIDA e fora da bolha,Aff !!!

  3. ZÉDENOVO

    27 de junho de 2026 1:46 pm

    Outroze o Brasil precisa fazer uma pesquisa de Estado sobre os impactos muitos negativos no ser humano da internet norte americana e precisa ter o seu próprio navegador,zap e sistem de busca para se livrar da manipulação e dependência estrangeiras no comércio e mentes brasileiras!!!

  4. fabricio coyote

    27 de junho de 2026 7:11 pm

    e viva o jornalismo deslumbrado! ao que consta o pai tinha laços estreitos com a ditabranda (fica talvez mais palatável aos egressos da folha) e o empréstimo saiu do estado para ser investido e terrenos em marte. o fato de não purgarmos (catharsis) a ditadura faz com que nos atemos a campeões nacionais que aumentam a desigualdade social. húbris que nos levará ao limiar do que Paulo Freire chama de trânsito político (em Educação como prática da Liberdade o filosófo nos situa naqueles tempos e percebemos que o golpe de 64 foi em razão do movimento de educação popular deflagrado pelo governo de então e coordenado pelo pedagogo)

    o país seria uma potência se não ridicularizasse os movimentos populares. mas nosso jornalismo é o inverso de engajamento no sentido radical de Paulo Freire e admite en passant ( Ave Mario de Andrade! ) que a elite é superior à imaginação e ao criativo jeitinho do povo brasileiro.

  5. José machado

    30 de junho de 2026 7:33 am

    Eles faliram o país com o golpe a partir de 2013. Ninguém reclamou, ninguém
    falou nada. Permitiram que os facistas mentissem e demontassem o crescimento
    econômico que o Brasil vinha alcançando e a partir de 2014, com a eleição de Dilma
    todos calaram e deixara os facistas da elite fiananceira e da mídia atacarem o governo
    até o impeachment de Dilma em 2016 (tudo ruiu: economia, emprego, pobreza voltou forte).
    Ninguém da elite bancária-financeira se pronunciou vendo
    toda desordem que fizeram na nossa economia e na nossa política.
    Após a saída da Dilma viram todos desmandos que fizeram com o governo do Michel
    Temer e seguidamente do Bolsonaro. Entregaram o país desmontado e endividado.
    E cheio de bolsonaristas (e militares) nos órgãos públicos. A herança do pós-golpe
    2016 foi muito pior para o PT e para o Lula, do que a herança do governo FHC em
    2002. O governo FHC não entregou o país em frangalhos como o bolsonarismo
    entregou e ainda com ameaça de não entregar o poder e tentaram um golpe de
    Estado no 8 de janeiro de 2023. O que fizeram com nosso país? Todos aceitaram e até apoiaram
    em troca do que? da atualização da bolsa a partir de 2016? (estava com os preços das
    ações no chão durante vários anos ) do aumento da taxa selic, da venda das estatais
    inclusive que o 3G participou da compra da Eletrobrás (ou não)? A favor de quem? de capital?

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