Sergio Moro decidiu fazer as vezes de auxiliar de defesa de Jair Bolsonaro e sua afilhada, Carla Zambelli, durante o depoimento de Walter Delgatti à CPMI do 8 de janeiro, nesta quinta (17).
Ao se deparar com um hacker sem medo de implicar Bolsonaro e seus aliados – inclusive o alto escalão militar – num plano escandaloso de fraude nas eleições de 2022, Moro atuou para tentar convencer a seus pares congressistas que a palavra de Delgatti não vale nada.
“Existe problema de credibilidade da testemunha, que praticou estelionatos em série. (…) O cerne do estelionato é o que? A fraude, a falsidade, a mentira contumaz”, disse Moro.
“O que ele fala aqui, nós precisamos analisar, mas não podemos ter a palavra de alguém envolvido em crimes em série – inclusive estelionato – como verdade”, acrescentou.
Há muita ironia, beirando mesmo a desfaçatez, na estratégia de Moro. Parece até que o ex-juiz esqueceu que a Lava Jato foi erguida a partir da palavra de figuras como Alberto Youssef, seu delator de estimação desde os tempos de Banestado. A memória coletiva não pode ser tão curta assim.
Youssef era um criminoso reincidente quando firmou acordo de delação na Lava Jato, abrindo caminho para vários outros réus confessos. Por que as acusações deles tinham credibilidade para Moro, mas o testemunho de Delgatti não lhe convence?
Teto de vidro
Na CPMI, Moro não perguntou absolutamente nada sobre os encontros que Delgatti travou com Zambelli e Bolsonaro para planejar o golpe (fracassado) de 2022. Preferiu desfilar uma série de acusações criminais contra o hacker.
Autor do Vaza Jato, Delgatti não deixou barato. Respondeu aos ataques chamando Moro de “criminoso”.
“Eu li as conversas de vossa excelência, eu vi a parte privada, e posso dizer que o senhor é um criminoso contumaz. Cometeu diversas irregularidades e crimes”, disparou o hacker.
Ao final de sua participação na CPI, restou a Moro repisar que a ficha de Delgatti emite “sinais claros de que o depoente está envolvido na prática de fraudes e faz do crime a sua profissão.”
Segundo informações da GloboNews, Delgatti não conseguiu acordo de delação e decidiu jogar tudo o que sabe no ventilador, durante a CPMI, visando a ter acesso a um programa de proteção a testemunhas.
Leia a cobertura do Jornal GGN sobre o depoimento de Walter Delgatti:
Jicxjo
17 de agosto de 2023 4:34 pmAté que enfim, com dez anos de atraso, Serginho Malandro descobriu que palavra de delator sozinha não é prova de nada, que é necessário comprovar as afirmações por meio de investigações complementares sob o devido processo legal. A conferir se não terá amnésia em breve. Ieié! Ieié!