4 de junho de 2026

Anarriê, Alevantú, Vamos fugir não. Por Rui Daher

Temos a covardia de escolher os mais poderosos, mesmo que em detrimento dos mais fracos, muitas vezes nós.

Anarriê, Alevantú, Vamos fugir não.

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Por Rui Daher

Pesquisa divulgada em 15 de setembro pelo Datafolha indica uma avaliação, por mim considerada péssima para qualquer governo que sucedesse, depois de apenas nove meses, o desastre Jair Messias Bolsonaro, tão ruim ele foi entre os presidentes desde a Proclamação da República e até 2022. Ainda mais em se tratando de Lula, dois mandatos comprovados e bem avaliados por aprovação popular.

Nem mesmo precisava ser Lula o novo responsável pelo poder incumbente da Federação de Corporações Brasil. Que fossem Ciro Gomes, Simone Tebet, Padre Kelmon, Eymael, outros, a avaliação de 38% (ótimo/bom) dada a Lula comparadas aos 31% (ruim e péssimo), precisariam ser mais explicadas por jornalistas e analistas políticos. Bem como, por acadêmicos sérios. Não me refiro a você, geógrafo Demétrio Magnoli (Globo News, Folha de São Paulo). Fosse o caso, perguntaria a distância entre o Oiapoque (Norte do Amapá) e o Chuí (RS).

Os resultados qualitativos e os demais recortes da pesquisa, por óbvio, agregam, fortemente, opiniões de renitentes bolsonaristas, “senhoras de Santana” (bairro paulistano conservador), heranças simpáticas da época da ditadura civil e militar, que já apontavam o que poderia vir a ser – a partir daí os acadêmicos pesquisadores se confundem – Jair Bolsonaro. Tudo serve ao que tenho cansado de repetir:

  1. Bolsonaro foi um ente mítico criado para materializar o conteúdo reacionário político real do brasileiro. POLÍTICA PRÓPRIA PARA INCORPORAR QUEM NÃO RECONHECE A EXISTÊNCIA DO PRÓXIMO;
  2. O bolsonarismo é passado, presente e futuro da essência que formatou as política, economia e sociedade brasileiras, o mesmo que sabemos de Macunaíma, uma eternidade;      
  3. Temos a covardia de escolher os mais poderosos, mesmo que em detrimento dos mais fracos, muitas vezes nós. Antes pelos únicos armados, oficialmente, em suas casernas; hoje em dia, até pelos votos em sufrágios disfarçados e pela disseminação do conluio liberado por Congresso, milícias e mídia;
  4. Nossas raízes culturais, como na época da ditadura civil-militar, de 1964, eram minha esperança. Foram. Hoje em dia, não mais. Quando CartaCapital, onde escrevo e colaboro, lança uma edição cuja capa é “A Roça Venceu”, de Fabíola Mendonça, passa os créditos do agronegócio, óbvia vitória de nossa vocação agropecuária, favorecida por benefícios edafoclimáticos e pela devastação em amplo e rico território, de herança lusitana;
  5. Apesar de um povo amorfo e ignorante, Lula já mostra que irá reconstruir um caminho para que seus sucessoresfaçam um Brasil melhor para as gerações seguintes. Se a Folha de São Paulo, e seu instituto de pesquisas, pior sem Mário Paulino (agora na Globo News) mantiverem o ódio de certo almoço na Barão de Limeira, anos atrás, quando Lula saiu antes do final, tão agredido foi, sem se despedir, nada que a Folha escreva sobre ele será crível;
  6. Transcrevo o que leio hoje (18/9) no Valor: “Queda dos preços impulsiona consumo de carnes no Brasil (…) o nível e a renda da população voltaram a crescer, (…) impulsionados, a partir de abril pela queda nos preços das proteínas animais”;
  7. “Previsão de mais 0,5% de queda na taxa Selic”;
  8. “Com reuniões no exterior, país reconquista credibilidade perdida durante os anos Bolsonaro (…) Concedido fim da recuperação judicial da Atvos (uma das maiores produtoras de etanol) com aporte R$ 500 milhões pelo fundo soberano de Abu Dhabi, o Mudabala Capital;
  9. Tem muito mais, mas não digo;
  10. Saco cheio de ver o óbvio.

Inté! Anarriê, Alevantú.

Rui Daher – administrador, consultor em desenvolvimento agrícola e escritor

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

Rui Daher

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