5 de junho de 2026

“É uma mentira deslavada”, rebate secretário sobre insegurança na doação de sangue

Ultradireita usa fake news para aprovar PEC da comercialização de sangue, mas operação dos bancos públicos é aprovada pela Anvisa.
Uma das preocupações é de que o sangue será o início da venda de mais órgãos do corpo humano e o acesso de empresas ao patrimônio genético brasileiro. Crédito: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) pautou para votação, nesta quarta-feira (4), a proposta de emenda à Constituição (PEC) 10/2022, que autoriza a comercialização de plasma sanguíneo, vai oferecer pagamento aos doadores de sangue, além de permitir que empresas privadas atuem na produção e comercialização de hemoderivados.

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Para comentar esta proposta, o programa TVGGN 20 Horas recebeu, na última terça-feira (3), o secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde, Carlos Gadelha. Contrário à proposta, o convidado fez questão de ressaltar que o Brasil tem a tradição de ser uma sociedade generosa e altruísta.

“Hoje, na área de sangue, há 3,1 milhões de doações por ano. Isto é um patrimônio nosso. Imagina o que vai acontecer se o sangue passar a ser uma mercadoria, ser comercializado?”, comentou Gadelha.

Barbárie

Atualmente, o recebimento de doações de sangue e a produção de insumos para o tratamento de diversas doenças é uma exclusividade da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás).

Mas ao propor que esta atuação seja realizada também por empresas privadas e que os doadores recebam gratificações pelo sangue, os senadores contrariam a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O Brasil já contou com este tipo de iniciativa, que transformoua década de 1980 em uma “barbárie”, nas palavras do secretário, pois é uma política que se aproveita das pessoas mais vulneráveis, que literalmente vendem o próprio sangue para sobreviver, como denunciou Chico Buarque na música Vai trabalhar vagabundo.

Mentira deslavada

Para convencer a opinião sobre a necessidade de se aprovar a PEC, a ultradireita se vale da sua estratégia mais conhecida: as fake news.

“Ontem saiu em diversos jornais uma matéria paga, em que o pessoal fala de fake news, mas eu prefiro chamar de mentira deslavada, dizendo que o plasma e hemoderivados da Hemobrás não tinham segurança. Todos os hemoderivados aprovados pela Anvisa, todos submetidos a testes. A Hemobrás não desperdiça uma bolsa de sangue e de plasma, a não ser a reserva técnica, quando o sangue que não passa no controle de qualidade. É um verdadeiro desserviço, em que começam a gerar mentiras para desestabilizar coisas que no Brasil funcionam”, pontuou Gadelha.

O secretário acredita ainda que tal serviço de desinformação pode ter graves consequências, entre elas “um apagão” na oferta voluntária de sangue no País.

Conflito de interesses?

A votação da PEC vem à tona justamente uma semana depois do lançamento da Estratégia Nacional para o Desenvolvimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, programa que prevê R$ 42,1 bilhões de investimento no setor até 2026.

A proposta do programa é aumentar, cada vez mais, a autossuficiência do sistema público e ampliar o acesso aos serviços. A Hemobrás, segundo o secretário, “é uma das estrelas do Complexo Econômico do Ministério da Saúde”, e a previsão é de que tais investimentos tornem o País 80% autossuficiente na produção de hemoderivados.

Segundo o Planalto, este é o maior investimento em biotecnologia da América Latina e será instalado na região nordeste.

Assista ao programa na íntegra:

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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