19 de junho de 2026

Plataformas digitais dominam todo o processo de verificação dos fatos, diz professor

Ainda que Google e Meta incentivem o combate à desinformação, são elas que estabelecem o olhar crítico sobre as publicações
Créito: Marcello Casal Jr./ Agência Brasil

O programa TVGGN 20H discutiu, na última sexta-feira (5), discutiu as agências de checagem e o sequestro de informações com Afonso Albuquerque, professor do Programa de Pós Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense e Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia – Disputas e Soberanias Informacionais (INCT-DSI).

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Além de contextualizar a história do fact-checking no mundo e no Brasil, Albuquerque comentou as mudanças recentes em relação às agências especializadas em analisar a veracidade de informações. 

“Se você olhar no primeiro momento, nos Estados Unidos, você pode concordar ou não com a metodologia de assumir que isso é verdade, o que é muito complicado porque as fontes sempre são ambíguas, sempre são suspeitas, as fontes oficiais não são fontes que podem ser 100% confiáveis, mas a respeito disso havia uma certa intenção de um trabalho com uma certa qualidade”, aponta o professor. 

Porém, graças à influência de grandes plataformas, como Google e Meta, estas organizações se tornaram uma espécie de oligopólios da grande mídia, em que são padronizados certos discursos de verdade. 

“Industrializaram o fact-checking e venderam o modelo mundo afora, usando-o em várias instituições, inclusive instituições universitárias”, continua o entrevistado. 

Domínio

Albuquerque aproveitou o espaço para chamar mais atenção ainda para a atuação das plataformas digitais, que se lançam como a solução para combater a desinformação e definir os parâmetros do bom jornalismo. 

“A natureza das agências de checagem mudou. O fact-checking raramente checa o discurso público. Ele checa mais o discurso publicado na internet, publicações instantâneas. Na premissa da verificação dos fatos, a proposta era ter mais tempo para checar as informações. Agora não tem mais tempo e usa-se inteligência artificial para fazer essa checagem.”

Assim, forma-se um ciclo dominado pelas plataformas: são elas que financiam agências e oferecem as ferramentas para a averiguação da própria plataforma, dirigindo todo o processo ao conduzir o olhar crítico do que é publicado nelas. 

“Todos esses agentes, de alguma forma, estão tentando negociar o seu status com o fato de que as plataformas roubaram boa parte do seu negócio. Tem uma história interessante nesse negócio que as plataformas priorizaram o jornalismo. Agora elas oferecem uma espécie de boia, que pressupõe uma certa afinidade ideológica, mas que lembra que as empresas fluem a serviço deles”, conclui o entrevistado.

Assista ao programa completo no YouTube do GGN:

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    7 de janeiro de 2024 9:05 am

    Ao libertar o conhecimento das garras da reflexão
    exclusivamente racional, a revolução do pensamento desencadeada por Kant provocou o grande desenvolvimento da ciência. A física experimental evolui até o ponto em que os homens podem controlar reações nucleares de maneira sustentável e construir bombas atômicas. O estudo empírico da biologia criou remédios que não existiam, mas possibilitou a fabricação de armas bacteriológicas. A química atinge deu apogeu com a criação de combustíveis de foguetes. Ao provocar a implosão da metafísica, Kant proporcionou ao homem condições para manufaturar misseis balísticos com ogivas capazes de exterminar centenas de milhões de pessoas. Numa outra direção, a revolução Kantiana do pensamento levou ao desenvolvimento da psicologia cujos conhecimentos são agora aplicados por algoritmos que invariavelmente trabalham de maneira incansável para controlar e redefinir as escolhas comerciais e politicas dos usuários de redes sociais. A suprema ironia é que o maior produto tardio da revolução iniciada por Kant abre caminho para o retorno da metafisica, do erro e da ilusão por intermédio de Inteligências Artificiais que produzem resultados cientificamente consistentes e alucinações grotescas sem fazer distinção entre ambas. A nova metafísica robótica será tão ou mais destrutiva do que a metafísica que Kant implodiu. Bem vindo ao deserto artiificial do real resultante da revolução kantiana do pensamento. Alguma coisa obviamente precisa ser feita imediatamente para nos salvar dos escombros do mundo que está sendo criado: regular plataformas sociais e a IA me parece essencial, mas duvido que existam condições políticas e tecnológicas para fazer isso.

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