Luis Nassif
Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
jc.pompeu
6 de junho de 2014 3:15 ammirou na assassina de machado, pero si, acertou no paulo freire
a propósito do apólogo achado de Machado e para encher linguiça no post: um loooongo artigo sobre um Machado alienista alienado alienante…
Discípula de Paulo Freire assassina Machado de Assis
artigo de José Maria e Silva no Jornal Opção edição 2028
Em sua arbitrária simplificação de Machado de Assis, em que comete erros primários de intepretação de texto, a escritora-empresária Patrícia Secco embrutece o espírito do leitor ao falsear o mestre e descaracterizar seus personagens
Machado de Assis: adaptação demagógica comete erros graves de interpretação de textos e destrói a universalidade do autor | Foto: Wikipédia
Localizado nas proximidades do Viaduto do Chá, que, desde a inauguração em 1892, se tornou, durante muitos anos, o principal cartão postal da cidade de São Paulo, o Vale do Anhangabaú será palco, em junho próximo, de um evento literário inusitado — um túnel construído não por concreto, mas por 60 mil livros. Trata-se do lançamento da nova edição de uma das mais importantes obras da língua portuguesa de todos os tempos, a novela “O Alienista”, de Machado de Assis, que, depois da morte do escritor em 1908, separou-se de “Papéis Avulsos”, o volume de contos em que fora originalmente publicado em 1882, e se tornou um livro autônomo, traduzido em vários idiomas. Mas não se trata exatamente da obra-prima de Machado — o que o leitor vai encontrar nesse lançamento faraônico é uma adaptação de “O Alienista”, coordenada pela escritora Patrícia Secco e patrocinada pelo Ministério da Cultura, por intermédio da Lei Rouanet.
“Entendo por que os jovens não gostam de Machado de Assis. Os livros dele têm cinco ou seis palavras que não entendem por frase. As construções são muito longas. Eu simplifico isso”, disse Patrícia Secco, em 4 de maio último, numa entrevista ao jornalista Chico Felliti, da “Folha de S. Paulo”. Proprietária da Secco Assessoria Empresarial S/C Ltda., que juntamente com sua pessoa física já teve aprovados no Ministério da Cultura projetos que somam cerca de R$ 10 milhões captados, Patrícia Secco produz literatura infanto-juvenil em ritmo industrial, com mais de 200 títulos publicados, a maioria com temas da moda, como meio ambiente, direitos humanos e inclusão social. Com o propósito de facilitar a leitura de quatro clássicos da literatura brasileira, Secco pedira autorização ao Ministério da Cultura para captar R$ 1,53 milhão; por incrível que pareça, foi autorizada a captar R$ 1,45 milhão, ou seja, quase o montante que havia pedido para seu projeto. Na prática, conseguiu captar uma cifra milionária — R$ 1,039 milhão — para produzir dois livros a serem lançados num mesmo volume: “O Alienista”, de Machado de Assis, e “A Pata da Gazela”, de José de Alencar.
A princípio, a ideia de adaptar um clássico não é necessariamente condenável, especialmente se for para crianças. As adaptações de clássicos da literatura — começando pela Bíblia — devem ser tão antigas quanto o ato de ler. Em sua já clássica “Uma História da Leitura”, o argentino-canadense Alberto Manguel conta que, em 1387, John de Trevisa, que estava traduzindo do latim para o inglês a epopeia “Polychronicon”, do monge beneditino Ranulf Higden (c. 1280-1364), resolveu fazê-lo não em versos, mas em prosa, pois sabia que o público já não queria ouvir uma recitação pública da obra (que, por sinal, se tornaria muito popular no século XV), preferindo lê-la diretamente. Da mesma forma, a “Divina Comédia”, de Dante Alighieri, originalmente escrita em versos, mereceu adaptações em prosa e versões condensadas para crianças, que exploram o viés aventureiro de sua viagem ao Inferno, Purgatório e Céu, transformando-o numa espécie de Julio Verne do espírito.
Uma das primeiras justificativas para se adaptar uma obra é, sem dúvida, sua extensão. Poucas crianças são capazes de ler um romance ou uma epopeia que se estende por mais de 500 páginas. A boa adaptação é uma espécie de resumo que tenta extrair a essência da obra sem desvirtuá-la. Carlos Heitor Cony, que adaptou diversos clássicos para o público infanto-juvenil, como Dostoievski, Melville, Mark Twain, Dumas, Gogol, Eça, Manoel Antônio de Almeida e Julio Verne, ao ser indagado numa entrevista à revista “Cult” se reescrevia ou resumia os livros, respondeu: “Era uma condensação. Eu eliminava pontos mortos, alguns diálogos, detalhes técnicos. Deixava o texto mais denso. Mas preservava a história, o clima e principalmente a expectativa”. Cony foi taxativo: “O bom adaptador não falseia o original”.
Facilitação de Machado nega o escritor
Paulo Freire: pedagogia análoga à escravidão condena o pobre à fala de tijolo, como se um operário não pudesse ouvir estrelas | Foto: Wikipédia
Infelizmente, Patrícia Secco falseia Machado de Assis. Além de lhe desfigurar o estilo, ela o emburrece. Sua adaptação é um retrocesso, que sacrifica até os avanços linguísticos do estilo machadiano, já ousadamente próximo da linguagem coloquial, numa antecipação das vanguardas do modernismo que só iriam se consolidar no Brasil quase meio século depois. A autora esqueceu-se de que Machado, assim como Borges, Beckett, Graciliano, não dá para ser adaptado em prosa sem que se perca a essência de sua arte. A obra machadiana é basicamente linguagem. Em seus romances, não há enredos rocambolescos nem profusão de personagens, como há em Homero, Cervantes e nos clássicos românticos. Mesmo “O Alienista”, talvez o enredo mais movimentado de toda a sua obra, depende substancialmente da linguagem, pois é nela que moram a argúcia e a ironia do conto.
Para justificar sua adaptação, Patrícia Secco recorre a afirmações demagógicas. “Estou horrorizada. É muito triste pensar que algumas pessoas acham que Machado de Assis, o mestre da literatura brasileira, não pode ser lido pelo sr. José, eletricista do bairro do Espinheiro, que, apesar de gostar de ler, não cursou mais que o primário, ou pelo Cristiano, faxineiro de uma farmácia de Boa Viagem, que não sabe nem mesmo o significado da palavra boticário”, disse a escritora-empresária à repórter Maria Fernanda Rodrigues, do “Estadão”, em matéria de 9 de maio último. Ora, quem disse que um faxineiro não pode compreender Machado de Assis? Se fosse assim, o próprio Machado — descendente de agregados e ex-escravos, somente com o ensino primário — nem existiria. Foi justamente porque em seu tempo não existia uma Patrícia Secco facilitando-lhe Camões, Vieira e Almeida Garrett que o Machadinho do Morro do Livramento embebeu-se dos clássicos, aprendeu francês sozinho e não apenas se tornou capaz de compreender os mestres da literatura universal como até mesmo se tornou um deles.
Com sua adaptação de “O Alienista”, a escritora-empresária Patrícia Secco destrói a universalidade da literatura de Machado de Assis com a pequenez ideológica da pedagogia de Paulo Freire. Foi o criador da “Pedagogia do Oprimido”, uma espécie de marxismo de autoajuda, quem consagrou a tese pedagógica de que o aprendizado é um epifenômeno das circunstâncias materiais e é somente a partir delas que se pode alfabetizar uma criança e despertar-lhe a consciência. O pedagogo brasileiro foi um grande admirador de Mao Tsé-Tung e, assim como o monstruoso comunista chinês mandava os lavradores arrancarem até as flores nativas, porque eram inúteis no universo do trabalho, Paulo Freire também arranca as palavras burguesas da cartilha do trabalhador, determinando a alfabetização a partir das tais “palavras geradoras”, como “tijolo”. É o que chamo de pedagogia análoga à escravidão — o filho do lavrador deve ter os olhos presos ao chão e está proibido de ouvir estrelas.
Patrícia Secco professa a mesma filosofia: se o faxineiro da farmácia não sabe o que é “boticário”, que se arranque então essa maldita palavra dos textos clássicos. Nunca ocorreu a ela que seria muito mais fácil, barato e respeitoso oferecer um dicionário ao faxineiro? Aliás, um trabalhador que resolva ler “O Alienista” — e isso está longe de ser raro — nem precisará de dicionário para descobrir o significado dessa palavra. O próprio conto, que sempre associa o boticário Crispim Soares a remédios, já lhe oferece a resposta. Além disso, tão logo veja a palavra no texto, o faxineiro irá se lembrar de que existe uma rede de perfumaria com esse nome e, por associação de ideias, poderá lembrar-se da palavra “botica” que pode ter ouvido a um parente mais velho. Caso não disponha de um dicionário em casa, o faxineiro machadiano sempre poderá consultar uma pessoa letrada de seu meio, parente ou um conhecido, que se não for capaz de sanar sua dúvida, saberá onde encontrar a resposta. Ou Patrícia Secco acha que só existe vida inteligente em seu meio social e que nas classes pobres não há ninguém capaz de trocar ideias com um faxineiro interessado em literatura?
Censo de 1872 abalou a literatura brasileira
O psicólogo Yves de La Taille, professor da USP e autor do livro “Limites”, considera que os limites morais comportam três dimensões, uma das quais significa desafio — uma pessoa, além de respeitar limites em face dos direitos dos outros e de impor limites em defesa de sua intimidade, deve também superar limites, o que significa superar a si mesma, buscando a maturidade e a excelência. É tudo o que Patrícia Secco não quer do leitor, com sua simplificação dos clássicos. Ninguém aprende sem esforço próprio, recebendo tudo de mão beijada. Graciliano Ramos começou a ser escritor quando se sentiu desafiado pelas mesóclises da “Carta de ABC”, do lendário Abílio César Borges, o Barão de Macaúbas, que trazia a máxima “fala pouco e bem, ter-te-ão por alguém”. A frase o levaria a indagar à sua meia-irmã Mocinha se “ter-te-ão” era um homem. Como Mocinha, a adolescente semialfabetizada que o ensinou a ler, também não tinha ideia do que fosse aquilo, o menino Graciliano, enfezado vivente das Alagoas, criado a cascudos e beliscões, teve que descobrir sozinho, devorando, antes dos dez anos, a prosa romântica de José de Alencar, bem mais distante da linguagem comum do que a linguagem coloquial de Machado de Assis.
Ao se dar conta da indignação que sua proposta suscitou no País, desde um abaixo-assinado contrário até artigos e editoriais — Patrícia Secco publicou na “Folha de S. Paulo”, no dia 13 de maio, uma defesa de sua adaptação. O título do artigo não poderia ser menos machadiano: “Machado não gostaria de permanecer desconhecido para quem não lê”. Que afirmação mais esdrúxula! Machado, revolucionariamente, sabia-se texto e, como tal, sabia-se também dependente do leitor. Em sua tese “Os Leitores de Machado de Assis” (Editora da USP, 2004), o professor da USP Hélio de Seixas Guimarães chega a sustentar que a obra machadiana foi influenciada pelo Censo de 1872 (o primeiro realizado no Brasil e divulgado em 1876), ao revelar que apenas 18,6% da população livre e 15,7% da população total, incluindo escravos, sabiam ler e escrever. “A tomada de consciência da escassez de leitores, problema que se inscreve de maneira cada vez mais radical em seus romances, parece-me fator relevante para ajudar a guinada que o escritor imprimiu a sua carreira”, escreve Seixas Guimarães.
Mas Machado de Assis, como sociólogo e psicólogo nato, também estava preocupado com os que não sabem — ou não querem — ler, oferecendo-lhes não a literatura-texto, mas a literatura-instituição, encarnada na Academia Brasileira de Letras, que detém até o monopólio legal da língua, tão grande é a sua importância. Aliás, ao contrário do que pensa Patrícia Secco, isso torna Machado de Assis o escritor mais conhecido pelos que não sabem — ou não querem — ler, nomeando ruas e escolas e simbolizando as letras nacionais da mesma forma que o desgrenhado Beethoven simboliza a música para quem nunca pisou numa sala de concerto e só conhece da música erudita o eterno “tchan-tchan-tchan” da Quinta Sinfonia. No próprio modo de composição da ABL, que aceita políticos e notáveis travestidos de escritores (como o Barão do Rio Branco, Marco Maciel e Ivo Pitanguy), Machado de Assis revelou toda sua engenharia político-institucional, dando à literatura brasileira uma dignidade social que ela jamais poderia alcançar numa nação de analfabetos se continuasse sendo produzida em bares, por uma despreocupada geração de boêmios.
E quando procurou fazer da literatura brasileira também uma instituição social descarnada do texto, capaz de chamar a atenção da sociedade por outros meios, Machado de Assis não estava pensando exatamente nas camadas populares da nação — estou certo de que ele pensava, sobretudo, na preguiçosa elite nacional, que, mesmo sabendo e podendo ler, não lia, nem em seu tempo, nem hoje. Machado estava consciente de que, mesmo entre as elites, eram poucos os que tinham o habito da leitura, tanto que seu grande amigo José de Alencar se queixava de que o público conhecia mais “O Guarani” pelo teatro do que pelo texto do romance em si. Portanto, Patrícia Secco revela todo o seu preconceito contra os pobres quando cita uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo mostrando que 58% dos brasileiros não leram nenhum livro nos últimos seis meses e, logo em seguida, afirma que, “por trás desses números existem rostos e vidas”, mas ao desvendá-los só se lembra de pessoas como “Seu Roberto, motorista de táxi, o Cristiano, caixa da farmácia da esquina, a Dona Nice, copeira do escritório”, pois, segundo ela, “eles são não leitores”.
Ora, só eles? E quantos são leitores entre as elites econômica, social e política do País? Essa preocupação perpassa a obra de vários críticos ao longo do tempo, como José Veríssimo, Sílvio Romero e Otto Maria Carpeaux, que se angustiavam com o grande número de profissionais liberais, como médicos, engenheiros, advogados, professores e outros profissionais de nível superior, que passam ao largo da literatura, limitando-se às leituras técnicas de suas respectivas áreas e reservando o tempo livre para outras formas de lazer, que nada têm a ver com as letras. Por isso, quando se pensa em pobre como sinônimo de não leitor, o que se quer, no fundo, é uma justificativa para arrancar dinheiro dos cofres públicos.
Simplificar livros agrava o problema da leitura
Escritora-empresária Patrícia Secco: R$ 10 milhões captados no Ministério da Cultura e produção de literatura infanto-juvenil em ritmo industrial
Linguagem difícil nunca foi o maior empecilho à leitura. Mário de Andrade, com seu espírito galhofeiro, disse que para se gostar de Machado de Assis é preciso já nascer velho. Eu vou mais longe: para se gostar de literatura é preciso envelhecer cedo. Por isso, o Eclesiastes diz que “o muito estudar enfado é da carne”. Em nenhuma época ou lugar, a leitura foi a mais popular das formas de lazer. A literatura é a mais reflexiva das artes e a maioria das pessoas abomina reflexão, que, para muitos, rima com depressão. Isso ocorre também com a música erudita. Quantas pessoas, ricas ou pobres, formadas ou não, tão logo se sentem tocadas por um concerto de Mozart, uma sonata de Beethoven, logo tendem a afastá-las dos ouvidos, pedindo uma “música alegre”, sob a alegação de que aquele tipo de música lhes provoca tristeza?
Creio que isso ocorre com qualquer povo, só que, no Brasil, fugir da reflexão como o diabo foge de cruz não é uma característica só das massas, mas também das elites. Uma frase de Machado de Assis talvez explique esse fenômeno: “A verdadeira ciência não é a que se incrusta para ornato, mas a que se assimila para nutrição”. Infelizmente, no Brasil, a educação nunca foi um meio de edificação intelectual e moral do indivíduo, como pregava Machado, mas um salvo-conduto para o sucesso social. Nas nações que levam a sério o conhecimento, o indivíduo primeiro busca o saber e, como consequência, conquista o diploma. No Brasil dá-se o contrário: o sujeito busca avidamente o diploma e, se sobrar tempo, vai à cata de algum conhecimento para fingir que não é de todo ignorante. Por isso, lê-se pouco no Brasil, mesmo entre a gente letrada: ler exige uma posição de sentido do espírito — que é cada vez mais rara numa nação que sempre desprezou o mérito.
Simplificar livros não resolve o problema — pelo contrário, agrava-o. Iniciativas como a de Patrícia Secco abastardam o povo brasileiro ao impedi-lo de conhecer o verdadeiro Machado de Assis, sufocado por uma montanha de 600 mil falsificações de sua obra. Nesta semana que passou, dormi menos de três horas por dia, em média, varando as madrugadas na comparação — linha por linha — da sagrada escritura de “O Alienista” de Machado de Assis com o apócrifo de mesmo nome da escritora Patrícia Secco. Ao cabo dessa ingente labuta (que Secco, toscamente, “traduziria” por “ao fim desse grande trabalho”), faço minha a indignação de Alcides Vilaça, professor da USP: “Apresentar como sendo de Machado de Assis uma mutilação bisonha de seu texto não devia dar cadeia?” Sim, devia dar cadeia, sobretudo para os tecnocratas do MEC que torraram mais de R$ 1 milhão dos cofres públicos nessa falsificação grosseira de Machado de Assis.
Machado de Assis para consumo próprio
Nem se pode chamar de adaptação esse trabalho de Patrícia Secco. Em sua arbitrária simplificação de “O Alienista”, com graves erros de interpretação de texto, a escritora-empresária embrutece o espírito do leitor ao falsear o estilo de Machado de Assis, descaracterizar seus personagens e descontextualizar sua obra. Segundo ela própria contou a Chico Felliti, da “Folha”, a equipe que “descomplica” o texto é formada “por um monte de gente” (expressão dela, segundo o jornalista), entre eles a própria escritora e “dois jornalistas amigos”. É como pegar pintores de parede num bar e levá-los para restaurar a Capela Sistina. O resultado não poderia ser pior. Onde Machado de Assis escreve: “Uma volúpia científica alumiou os olhos de Simão Bacamarte”; Patrícia Secco traduz: “Uma curiosidade científica iluminou os olhos de Simão Bacamarte”. Além de destruir a musicalidade da frase, a troca de palavras assassina o sentido do texto: “volúpia” tem uma forte conotação sexual, imprescindível para se compreender a paixão de Bacamarte pela ciência, algo que se perde completamente com a palavra “curiosidade”. Além do mais, palavras como “volúpia” e “alumiar” não precisam de tradução: a primeira pode ser lida na Bíblia ou ouvidas em homilias católicas e pregações evangélicas e a segunda, em que pese fazer parte do repertório clássico da língua, é perfeitamente compreensível para qualquer lavrador que nunca frequentou escola, mas sabe perfeitamente o que é uma candeia alumiando.
A impressão que fica é que Patrícia Secco e sua equipe traduziram Machado de Assis para consumo próprio. Ou alguém imagina que uma pessoa esforçada o suficiente para ler um livro não vai ser capaz de compreender, com a ajuda do contexto da obra, palavras e expressões como “congregar”, “atarantado”, “estatelar-se”, “pessoa de consideração”, “déspota”, “laudas”, “demanda”, “estar em erro”, “arruaças e clamores”, “vereança”, “eloquência”, “aritméticos”, “abono”, “vestuário”, “gaiato”, “intuito”, “oficiou”, “lusitana”, “juiz-de-fora” e outras do mesmo nível? Pois todas essas palavras foram substituídas por sinônimos catados arbitrariamente no dicionário sem levar em conta o contexto da obra muito menos o estilo do autor. Analisei minuciosamente a adaptação de Patrícia Secco e hei de voltar a ela. Mas já adianto: trata-se de um caso clínico de analfabetismo funcional, digno de ser recolhido às dependências da Casa Verde de Simão Bacamarte. Em vários momentos, Secco e sua equipe não conseguem compreender o que Machado diz com sua peculiar clareza e desvirtuam completamente o original.
Machado de Assis escreve: “Simão Bacamarte começou por organizar um pessoal de administração; e aceitando essa ideia ao boticário Crispim Soares, aceitou-lhe também dois sobrinhos”. Patrícia Secco deturpa: “Simão Bacamarte começou organizando um pessoal de administração. Convencendo o farmacêutico Crispim Soares, aceitou-lhe também dois sobrinhos”. Reparem no absurdo: a adaptadora transforma o alienista num subordinado do boticário, a quem precisa convencer sobre a necessidade de uma administração em seu próprio manicômio. Em outro trecho, o Padre Lopes diz: “Isso de estudar sempre, sempre, não é bom, vira o juízo”. A adaptadora reescreve: “Isso de estudar sempre, sempre, não é bom, prejudica o juízo”. Chega a ser inacreditável essa troca da popularíssima expressão “vira o juízo” por “prejudica o juízo”, um barbarismo que deve ter revirado o estômago do primeiro verme que roeu as frias carnes do defunto Brás Cubas!
Deturpando o enredo e a história
Machado conta que, como D. Evarista não conseguia ter filhos, o Dr. Simão Bacamarte “fez um estudo profundo da matéria, releu todos os escritores árabes e outros, que trouxera para Itaguaí, enviou consultas às universidades italianas e alemãs, e acabou por aconselhar à mulher um regímen alimentício especial”. Entretanto, “a ilustre dama, nutrida exclusivamente com a bela carne de porco de Itaguaí, não atendeu às admoestações do esposo; e à sua resistência, — explicável, mas inqualificável, — devemos a total extinção da dinastia dos Bacamartes”. Qualquer dona de casa sem nenhum estudo compreende que D. Evarista, por amor à saborosa carne de porco de Itaguaí, não quis fazer a dieta proposta pelo marido e, por isso, não conseguiu ter filhos. Agora vejam a versão analfabeto-funcional de Patrícia Secco: “[Simão Bacamarte] acabou por indicar à mulher um regime alimentício especial. A ilustre dama, que deveria se alimentar exclusivamente com a carne de porco de Itaguaí, não atendeu aos conselhos do esposo. E, à sua teimosia — explicável, mas inqualificável — devemos a total extinção da dinastia dos Bacamartes”. Ela simplesmente está dizendo que o alienista receitou uma dieta de carne de porco à esposa, quando foi o contrário.
Mais adiante, quando descreve a revolta dos Canjicas contra a Casa Verde, Machado de Assis narra: “Os dragões pararam, o capitão intimou à multidão que se dispersasse; mas, conquanto uma parte dela estivesse inclinada a isso, a outra parte apoiou fortemente o barbeiro”. Patrícia Secco estropia o texto: “Os soldados pararam, o capitão intimou à multidão que se dispersasse. Mas, enquanto uma parte dela estivesse inclinada a isso, a outra parte apoiou fortemente o barbeiro”. A adaptadora não faz ideia da conjunção “conquanto” e, em vez de recorrer a “embora”, a traduz por “enquanto”, transformado Machado em analfabeto. No mesmo episódio, o escritor diz que o capitão dos “dragões” mandou “carregar contra os Canjicas”. Patrícia Secco traduz “carregar” (que, no contexto, significa “investir contra”) por “disparar”, sem perceber que os dragões — como os “Dragões da Independência” de hoje — usavam espadas e não armas de fogo. Com isso, o leitor de sua adaptação vai achar que Machado de Assis fazia realismo mágico: uma tropa mete fogo na multidão e essa multidão arrosta as balas, sem medo da morte.
Na arbitrária simplificação de “O Alienista”, com erros de interpretação de texto, escritora embrutece espírito do leitor ao falsear estilo machadiano
Uma das admiráveis qualidades do conto “O Alienista” é o cuidado com que a história aparece nele. Machado de Assis preocupa-se com os mínimos detalhes históricos e escreve que Simão Bacamarte era “o maior dos médicos do Brasil, de Portugal e das Espanhas”. Patrícia Secco corrige para “Espanha”, sem fazer a menor ideia de que, na época colonial em que se passa a história, a Espanha era oficialmente chamada de “Reino das Espanhas”. Em outro trecho, Machado diz que, para D. Evarista, ver o Rio de Janeiro “equivalia ao sonho do hebreu cativo”, sintetizando nessa expressão a sensação de exílio e confinamento que a acanhada Itaguaí produzia no espírito frívolo da mulher de Bacamarte. Patrícia Secco estraga a imagem, substituindo “hebreu cativo” por “judeu cativo”. Ela confunde os hebreus que se tornaram escravos no Egito e foram libertados por Moisés com os filhos da tribo de Judá que, já na terra prometida de Canaã, séculos depois, emprestariam o nome de sua tribo para todo o povo eleito. Se ao citar Dante, Machado tivesse dito, com precisão histórica, “poeta florentino”, não tenho dúvida de que Patrícia Secco iria corrigir para “poeta italiano”. Aliás, numa das raras e lacônicas notas de rodapé, a adaptadora faz isso: ela diz que Averrois é um filósofo e poeta “hispano-árabe”. É o mesmo que chamar Santo Agostinho de filósofo romano-argelino.
Por que Patrícia Secco e sua equipe cometem essa profusão de erros de extrema gravidade ao adaptar o conto de Machado de Assis? Sem dúvida, porque não estão à altura da tarefa. No fundo, a escritora e seus amigos jornalistas, a cada vez que buscam um sinônimo para um termo ou expressão do conto, estão traduzindo a obra para eles próprios e não para o eletricista, o faxineiro, o motorista de táxi, que precisam menos do que eles dessa facilitação. Para se ter uma ideia do quanto é absurda essa adaptação, Machado empregou o termo “transeuntes” e a adaptadora achou por bem substituí-lo pela expressão “os que por ali passavam”. Imagino Patrícia Secco ouvindo uma rádio AM do interior na década de 70, quando o Brasil era muito menos escolarizado do que hoje. Ela ficaria pasmada (ou “espantada” conforme sua tradução de Machado) ao se dar conta de que um dos grandes sucessos de Tonico & Tinoco, dedicado por peões de fazenda às suas respectivas namoradas, era a canção “O Gondoleiro do Amor”, um poema de Castro Alves, cantado pela dupla caipira ao som de violinos. Saudosos tempos em que uma dupla de lavradores elevava o povo até Castro Alves; hoje, gente como Patrícia Secco faz é rebaixar o povo quando dá a ele um Machado de Assis no nível de si mesma.
http://www.jornalopcao.com.br/reportagens/discipula-de-paulo-freire-assassina-machado-de-assis-4399/
Motta Araujo
6 de junho de 2014 3:16 amO estarrecedor nas greves
O estarrecedor nas greves continuadas em São Paulo é a apatia dos governos dos tres niveis. A cidade está IMPLODINDO na democracia louca onde vale tudo, quebrar, incendiar, destruir. Os governos olham impassiveis.
O Governador limita-se a comentar que a greve é politica, e? Faz o que? Qual sua reação?
Uma Desembargadora que presidiu a audiencia de conciliação em entrevista foca-se exclusivamente nos autos, a ela interessava a regularidade do processo da mediação. “”Um Oficial de Justiça foi até a estação constatar que os trens estão parados, fez certidão e deu fé, disse ela satisfeita com a eficiencia do Tribunal. Disse tambem que o Tribunal estabeleceu multa, que consta em ata e que o feito será julgado em Plenario, quando então serão analisados os fatos” A circunstancia de 4 milhões de passegeiros terem sido prejudicados aparentemente não he causou maior preocupação,
o importante é a regular certidão do Sr.Oficial de Justiça, constatando que os trens não funcionaram”. Maravilha, a Justiça funciona perfeitamente, está rudo nos conformes.
Pedir aumento de 35% para uma categoria que sempre ganhou muito mais que outros trabalhadores em transportes é
um sinal do desvario sindical, os governos no Brasil já não tem nenhum poder, perderam na covardia da ação.
Gilson AS
6 de junho de 2014 4:09 amBARBOSA IRONIZA E DÁ RISADA DE RECURSOS À OEA
http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/142548/Barbosa-ironiza-e-d%C3%A1-risada-de-recursos-%C3%A0-OEA.htm
Mesmo demissionário, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa não perde a oportunidade de tripudiar em cima dos condenados na Ação Penal 470; ele ironizou nesta quinta (5) a apresentação de recursos à Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão da Organização dos Estados Americanos; após o fim do julgamento de cinco recursos apresentados por condenados em outra ação, a AP 640, o presidente disse que não é incomum que réus sem foro privilegiado recorram ao Supremo para serem julgados pela corte; após seu próprio comentário, deu risadas; “Não é incomum. Depois vão procurar a Corte Interamericana de Direitos Humanos”; alguns dos condenados na AP 470, como o ex-ministro José Dirceu, já denunciaram o julgamento à OEA
5 DE JUNHO DE 2014 ÀS 22:06
Gilson AS
6 de junho de 2014 4:17 am(Sem título)
Gilson AS
6 de junho de 2014 4:21 am(Sem título)
ricardo_almeida
6 de junho de 2014 5:09 amcomo são os homens daqui
“Carta 6, 17 de maio de 1770”
“(…) Se tu me perguntas como são os homens daqui, eu te respondo que o são aqui como em toda a parte. A espécie é uniforme. A maior parte trabalha uma boa porção do dia para ganhar a sua vida, e o pouco que lhe fica livre os atormenta a ponto de procurarem todos os meios possíveis para encher o vazio. Ó, destino humano! (…)”
“Os sofrimentos do jovem Werther”, Goethe, editora Hedra, 2006
Mara L. Baraúna
6 de junho de 2014 5:43 amMaysa: o canto e o lamento
Maysa Matarazzo (Maysa Figueira Monjardim) ou simplesmente Maysa (Rio de Janeiro, 6 de junho de1936 – Niterói, 22 de janeiro de 1977)
Do Obvious, por Vitor Dirami
Dona de dois olhos verdes inesquecíveis, ela viveu 40 anos a mil. Em pouco menos de meio século de vida mudou seu destino já traçado e se tornou a maior cantora romântica da música brasileira. Conheça agora um pouco mais de Maysa.
Nascida numa tradicional família capixaba, com alto padrão de vida, Maysa desde criança seguiu os mesmos passos que a maioria das jovens de mesma realidade. Morou em endereços privilegiados e estudou em colégios de elite. Mas, a música já era presente em sua vida desde muito pequena. Aos 12 anos compôs sua primeira canção, chamada “Adeus”, que por acaso seria gravado em seu disco de estreia.
Desde essa época ela já revelava traços de uma personalidade marcante. Quando criança, implorou aos pais que a tirassem do colégio religioso, tradicionalíssimo, alegando que as freiras a estavam deixando louca. Maysa era péssima nos estudos, chegou a repetir o 2º ano ginasial duas vezes seguidas, por fim, na última, abandonou os estudos de vez. Sua imagem era a da legítima bad girl. Aos 16 anos, usava cabelos curtos, vestia calças compridas (absurdo na época), pintava as unhas de vermelho e maquiava-se com audácia.
Naquela época, o destino comum das garotas como Maysa era se casar com um rapaz de boa estirpe e constituir uma família, ou seja – ela estava destinada ao lar. E tudo parecia indicar que ela cumpriria esse destino sem nenhuma alteração de rota. Aos 17 anos, em 1955, Maysa se casou com o empresário André Matarazzo. O sobrenome faz estremecer, a família ítalo-brasileira Matarazzo era considerada uma das mais ricas do Brasil e uma das maiores fortunas do mundo. Donos de um verdadeiro império que englobava industrias de metalurgia, comércio, navegação e cabotagem.
André Matarazzo era quase 20 anos mais velho que Maysa. Algo estranho, mas natural na época. O casamento, na Catedral da Sé de São Paulo, e a festa, foram dignos de uma super estrela hollywoodiana. Nada anormal para um clã que ao casar sua herdeira nos anos 40, chegou a realizar festins de três dias e três noites em São Paulo.
Em pouco tempo, Maysa se deu conta da gaiola de ouro em que havia se prendido. A distância e a incompatibilidade com um marido sempre distante e ocupado foram minando seu casamento tempo após tempo. A pressão da tradição daquele clã rígido e obsoleto começou a se tornar insuportável para uma jovem alegre e expansiva, de mentalidade moderna e transgressora. E esta seria a alcunha com que a identificariam tempos depois – transgressora.
A carreira musical de Maysa começou de forma tão banal quanto surpreendente. O produtor Roberto Corte-Real, maravilhado com o seu talento, a convidou para gravar um disco durante uma reunião familiar, em 1956. Obviamente, o marido de Maysa foi contra, e só depois muita insistência ela pode gravar um disco em caráter beneficente com renda revertida para a campanha contra o câncer – o que vetava qualquer possibilidade de carreira profissional.
Continua aqui
Leia mais em:
Blog Maysa
Disco Maysa – Esta Chama Que Não Vai Passar (Homenagem)
Maysa – Dicionário Cravo Albin
Maysa – Wikipédia
Artigos, livros, trabalhos acadêmicoa
A canção dos olhos de Maysa, por Paulo Henrique de Moura
Maysa: Fotos antigas em capas de discos
Maysa Matarazzo: a cantora dos tormentos amorosos, por Marcelo Teixeira
O olhar panóptico da imprensa sobre Maysa, por Valdiná Guerra Félix
Livros
Maysa, por José Roberto Santos Neves
Maysa: só numa multidão de amores, por Lira Neto
Meu Mundo Caiu: a Bossa e a Fossa de Maysa, por Eduardo Logullo
Vídeos
Participou do filme O Batedor de Carteiras (1958), direção de Aloísio T. de Carvalho
[video:https://www.youtube.com/watch?v=_t8kdhJamZA%5D
Participou das novelas O Cafona (1971), de Bráulio Pedroso, direção de Daniel Filho e Walter Campos e Bel-Ami (1972), de Ody Fraga, direção de Henrique Martins
[video: https://www.youtube.com/watch?v=tswecA08VjM%5D
Maysa homenageada por Manuel Bandeira
[video:https://www.youtube.com/watch?v=jCpLTFqjxlI%5D
[video:https://www.youtube.com/watch?v=RKgTxp8_FCc%5D
[video:https://www.youtube.com/watch?v=ZZEQ0DQeLnw%5D
[video:https://www.youtube.com/watch?v=AWBIY6uajrg%5D
[video:https://www.youtube.com/watch?v=ZOPHNB4sfls&list=PL9UwogXhvWZnsaRpO4IzrwyD9hSW9csGu%5D
Seleção de músicas
[video: https://www.youtube.com/watch?v=BgkEb_EHaP0&list=PL9DFA9EA9EB315917&index=1%5D
Notívago
6 de junho de 2014 5:51 amO vídeo não oficial da Copa
O verdadeiro hino da Copa é este: traz esperança e levanta a auto estima o povo brasileiro.
http://www.youtube.com/watch?v=g9KZHT2UXpQ
ricardo_almeida
6 de junho de 2014 5:53 am“É preciso estar sempre bêbedo”
E M B R I A G A I – V O S
– C. Baudelaire ( * )
É preciso estar sempre bêbedo . Tudo se resume a isso; eis a única questão .Para não sentirdes o fardo horrível do Tempo, que sopra vosso dorso e vos faz pender para a terra, é preciso que vos embriagueis sem cessar.
Mas – de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, como achares melhor. Contanto que vos embriagueis.
E, se alguma vez, nas escadarias de um palácio, na verde relva de um jardim, na triste e desolada solidão do vosso quarto, despertardes, com a embriaguez já atenuada ou desaparecida, perguntai ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai-lhes que horas são; e o vento, e a vaga, a estrela, e o pássaro, e o relógio vos responderão:
– É hora da embriaguez! Para não serdes escravos martirizados do Tempo,embriagai-vos sem tréguas! De vinho, de poesia ou de virtude, como quiserdes.
( * ): em “Pequenos Poemas em Prosa“, Charles Baudelaire, 1821 – 1867.
Vânia
6 de junho de 2014 5:54 am(Sem título)
Vânia
6 de junho de 2014 5:56 amCaldeirão do Huck com ingredientes de Aécio
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10152703095757262&set=a.10150107038987262.285146.671152261&type=1&theater
Caldeirão do Huck com ingredientes de Aécio
Nunca tive dúvidas de que Aécio Neves não seria meu candidato a presidente. As razões são diversas, além das questões de âmbito moral e pessoal do candidato, dos quais eu prefiro não aprofundar.
Prefiro me ater ao fato de que é de um partido com perfil conservador. Corrupto, embora seja intencionalmente protegido pela mídia, está entre os partidos com os mais elevados índices de corrupção, quem tem dúvidas basta checar os dados de cassação de políticos por corrupção eleitoral no TSE. Neoliberal e privatista, privatizou bancos, telecomunicações e só não conseguiu privatizar a Petrobrás, que se tornaria PetrobraX, graças a mobilização da sociedade organizada.É também violento, criminaliza e oprime os movimentos sociais.
Só isso já é suficiente para que eu saiba que estamos realmente em lados opostos, mas um fato fortaleceu ainda mais o antagonismo existente entre nós. A reunião de Aécio na casa de Luciano Huck e Angélica e outros “artistas”, os quais também prefiro ignorar e focar apenas no rapaz do Caldeirão.
Luciano Huck começou ganhando dinheiro na noite paulistana com baladas e restaurantes sofisticados para bem nascidos, chegou a dar uma entrevista ao Palmério Dória em que disse textualmente que seu bar era um sucesso porque “aqui baiano não entra”.
Já na tevê Globo Huck entendeu que era mais fácil ganhar dinheiro com pobres do que com os seus amigos mais endinheirados. Passou a faturar alto se fazendo de moço caridoso, explorando a miséria do povo em quadros como “Lata Velha” e “Lar Doce Lar”.
Quando foi assaltado e levaram seu rolex escreveu um artigo indignado na Folha de São Paulo, no qual disse que não era possível continuar vivendo no Brasil. O escritor Ferréz rebateu em um artigo no mesmo jornal dizendo que no episódio ambos ganharam, Huck ficou com a sua vida e o “correria” poderia levar leite para casa. Huck agiu nos bastidores e Ferréz pagou um alto preço pela ousadia, teria visto se fechar as portas, desfazendo-se convites que recebera para trabalhar na tevê.
Quando Huck declara sua disposição para engajar-se na campanha de Aécio Neves, organizando encontros em sua casa para fortalecer apoios ao candidato, demonstra sinais claros de preocupação com as políticas públicas inclusivas e distributivas. Afinal, se chegarmos ao tão desejado fim da miséria no Brasil, como Huck continuará enchendo de dinheiro e demagogia o seu Caldeirão?
Mané da Cláudia
6 de junho de 2014 6:43 amEm quem acreditar? Em fantasmas, menos na Rolha de São Paulo
Fonte: Conversa Afiada
Publicado em 05/06/2014
Dilma 40; Arrocho 21; Dudu 8.
1°. turno !
Pesquisa datafolha publicada na madrugada do dia 06/06/2014 na Rolha de São Paulo diz outra coisa: “Dilma mantém tendência de queda, rivais não sobem”.
A Rolha não coloca na primeira página os números. E haja exercício de contorcionismo para mostrar a tendência de queda da Dilma, que vai fazer dois pronunciamentos sobre a Copa no Brasil, nos dias 7 e 9 próximos.
O PT recebeu uma pesquisa que mostra o que todo mundo já sabe, há muito tempo.
A Dilma ganha no 1o. turno.
Ela tem 40, contra 29 da soma dos outros.
Como disse o Oráculo de Delfos: e olha que a avaliação dela é ainda melhor que a intenção de voto.
E os dois da Oposição, como todo o apoio do PiG e do FBI não preenchem o espaço de um desejo de mudança.
Como se sabe, segundo o Ataulfo Merval (*), quem vai ganhar a eleição é um candidato de nome “Sr. Quero Mudar”.
Ainda não se registrou, mas, breve, se registrará no Tribunal Superior Eleitoral dos filhos do Roberto Marinho – eles não têm nome próprio.
O Conversa Afiada não acredita em pesquisa, ainda mais que elas deram pra se misturar com patifaria .
E só trata delas pra se divertir com os pesquiseiros que querem ganhar a eleição na pesquisa !
Na margem de erro.
E nem assim conseguem.
Não vai ter … segundo turno!
Em tempo: o Dudu não ganha em Pernambuco e o Arrocho não ganha em Minas ! E, como diz a Dilma, o PSDB vai pro beleleu !
Assis Ribeiro
6 de junho de 2014 9:17 amJuiz nega dano moral a aluno
Juiz nega dano moral a aluno que teve celular tomado em sala de aula
“Julgar procedente esta demanda é desferir uma bofetada na reserva moral e educacional deste país.”
“O professor é o indivíduo vocacionado a tirar outro indivíduo das trevas da ignorância, da escuridão, para as luzes do conhecimento, dignificando-o como pessoa que pensa e existe.”
As palavras acima são do juiz de Direito Eliezer Siqueira de Sousa Junior, da 1ª vara Cível e Criminal de Tobias Barreto/SE, ao julgar improcedente a ação de aluno em face de professor que tomou seu celular em sala de aula.
De acordo com os autos, o docente retirou o aparelho do aluno, que ouvia música com fones de ouvido durante sua aula. O menor, representado por sua mãe, ajuizou ação para pleitear dano moral, para reparar seu “sentimento de impotência, revolta, além de um enorme desgaste físico e emocional”.
Ao analisar o caso, o juiz Eliezer solidarizou-se com a situação dos professores.
“Ensinar era um sacerdócio e uma recompensa. Hoje, parece um carma”.
Afirmou, então, que o aluno descumpriu norma do Conselho Municipal de Educação, que veda a utilização de celular durante o horário de aula, além de desobedecer, reiteradamente, o comando do professor.
Para o magistrado, não houve abalo moral, uma vez que o aluno não utiliza o aparelho para trabalhar, estudar ou qualquer outra atividade.
“Julgar procedente esta demanda é desferir uma bofetada na reserva moral e educacional deste país, privilegiando a alienação e a contra educação, as novelas, os “realitys shows”, a ostentação, o “bullying” intelectivo, o ócio improdutivo, enfim, toda a massa intelectivamente improdutiva que vem assolando os lares do país, fazendo às vezes de educadores, ensinando falsos valores e implodindo a educação brasileira.”
Por fim, o juiz prestou uma homenagens aos docentes.
“No país que virou as costas para a Educação e que faz apologia ao hedonismo inconsequente, através de tantos expedientes alienantes, reverencio o verdadeiro herói nacional, que enfrenta todas as intempéries para exercer seu “múnus” com altivez de caráter e senso sacerdotal: o Professor.”
Processo: 201385001520
http://www.migalhas.com.br/Quentes/17,MI202067,91041-Juiz+nega+dano+moral+a+aluno+que+teve+celular+tomado+em+sala+de+aula
Cyro
6 de junho de 2014 11:19 amBom ler isso logo cedo
Muito boa inserção.
Y.N. Daniel
6 de junho de 2014 3:20 pmSucesso total e absoluto!
Sucesso total e absoluto! Arrebentô!
Edmar L. Melo
6 de junho de 2014 9:47 amA LEI DA PALMADA.
A LEI DA PALMADA.
O Senado Federal
Acaba de aprovar
Novo Projeto de Lei
Pra Dilma sancionar
Onde o pai será punido
Se bater no seu pupilo
E alguém denunciar.
Criança e adolescente
Vão ter direito sagrado
De fazer tudo que quer
E ainda ser bem tratado
Porque tapa na bundinha
Mesmo sendo uma tapinha
Vai ser problema do Estado.
O tratamento cruel
Assim como o degradante
É certo a lei coibir
Até porque aviltante
Só não se pode dizer
Que tapinha sem doer
É pra criança humilhante.
Tapa na bunda não pode
E pescoção nem pensar
Vai ser tudo apurado
Por Conselho Tutelar
Essa lei é pra valer
Quem quiser pagar pra ver
Tente uma orelha puxar.
Já temos o Estatuto
Da criança e adolescente
Temos o Código Penal
Para punir muita gente
Mas essa lei da palmada
Vai deixar a meninada
Feliz da vida e contente.
As pancadas e os cascudos
Que meu nobre pai me deu
À luz da lei da palmada
Acho que ele se excedeu
Mesmo para me educar
Eu só não vou processar
Porque meu velho morreu.
Edmar Melo.
Sorano
6 de junho de 2014 11:36 amSerá se o complexo de
Será se o complexo de vira-lata tem algo a ver com a suposta “RND – Raça Não Definida” do povo brasileiro? A velha mídia mostra isso o tempo todo, dizendo que o bom está nos EUA e Europa.
A velha mídia mostra ainda que o padrão de beleza é o branco nórdico. A velha mídia (jn?) não é um fator de integração nacional, mas de desintegração nacional.
A velha mídia pode levar o Brasil a uma guerra civil. É urgente a regulamentação da mídia no Brasil, antes que seja tarde demais.
ROGERIO FARIA
6 de junho de 2014 11:39 amChuta que é Brazuca!
Clique na imagem para mais tirinhas!
CB
6 de junho de 2014 11:40 amNão sei se link do facebook
Não sei se link do facebook funciona, mas vou tentar:
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=647548245328661&set=a.427208214029333.97161.100002204754937&type=1&theater
Faz tempo que escrevi aqui mesmo no blog que o Haddad deveria pessoalmente ou através de alguém de extrema confiança acompanhar certas obras que pipocam pela cidade sob responsabilidade de subprefeituras porque no fim das contas a coisa iria é sobrar pra ele.
NeyLima
6 de junho de 2014 12:24 pmO pianista Guilherme Vergueiro vai tocar grátis em praças
Caro Nassif. Saudações.
Como você é um divulgador e apreciador da boa música, se puder divulgar este programa que será feito por duas semanas, inicialmente no interior de São Paulo, pelo grande músico, compositor, produtor, documentarista, arranjador e pianista Guilherme Vergueiro. Trata-se do “Piano na Praça” – projeto itinerante que tem o compromisso de levar gratuitamente a música instrumental de qualidade diretamente onde o povo está. Às terças, quintas e sábados, no horário de almoço (12h às 14h) geralmente na praça principal de cada cidade (Sorocaba, Piracicaba, Águas de São Pedro, São Carlos, São José do Rio Preto e Ribeirão Preto serão as primeiras atendidas). O projeto tem a nobre missão de inserir novos públicos à música instrumental que você também tanto admira.
Dados extras: http://www.guilhermevergueiro.com.br/ e https://www.facebook.com/gvergueiro
Grato e um abraço.
NeyLima
emerson57
6 de junho de 2014 1:14 pmindispensável!
imperdível !!!
Vai poupar muito trabalho aos “homens bons ” do sítio. Para os outros não tão bons, pode servir de resposta para tudo aquilo que vem com a frase: Repassem! esse mail deve rodar o Brasil.
http://zueracard.com.br/coxinheitor/
(grampeei em coment da irmã Vivi no blog do professor Hariovaldo)
Gilson AS
6 de junho de 2014 1:22 pmJOVENS PROTESTAM EM FRENTE A ESCRITÓRIO DE RONALDO
É um fenômeno !
http://www.brasil247.com/pt/247/sp247/142553/Jovens-protestam-em-frente-a-escrit%C3%B3rio-de-Ronaldo.htm
Gilson AS
6 de junho de 2014 1:42 pmEsse cara é bom ! Quanto deve ser a consulta ?
Estou precisando de uma vaga de estacionamento no centro.
Acho que vou marcar uma consulta.
Paulo F.
6 de junho de 2014 3:10 pmDia D: 70 anos
Da Deutsche Welle
Dia D foi “frente ampla” contra nazistas e decisivo para vitória dos Aliados
Há 70 anos, tropas aliadas desembarcavam na Normandia para ataque às forças nazistas. Soldados de 14 nações participaram da operação, decisiva para a derrota alemã na Segunda Guerra Mundial.
No Dia D, que prenunciou o fim da Segunda Guerra Mundial, a libertação chegou pelo ar. Pouco antes da meia-noite de 6 de junho de 1944, os primeiros soldados aliados desembarcaram na Normandia: 24 mil paraquedistas em planadores militares de precisão.
Eles tinham como missão ganhar o controle sobre pontes e outros nós de tráfego importantes, além de instalar sinais luminosos para as tropas aéreas – ainda antes que, ao nascer do sol, começasse a operação de desembarque marítimo.
O plano só funcionou em parte, já que o forte vento levou os paraquedistas para longe, em direção ao interior francês, e apenas um décimo deles chegou a tempo à região do front. Ainda assim, a Operação Overlord – codinome da Batalha da Normandia – pegou os militares nazistas de surpresa.
Ainda às 2h, os generais alemães na Muralha do Atlântico avaliavam a situação militar como “não ameaçadora”. Em comunicado telefônico a Berlim, informaram que as notícias de um desembarque aéreo seriam “exageradas” e que tudo estava calmo.
Empreendimento universal
Essa impressão logo mudaria: no litoral da Inglaterra uma gigantesca armada se pusera em movimento, ao entardecer do dia 5 de junho. A maior força de combate marinho e aéreo já reunida na história das guerras movia-se na escuridão da noite, em direção à costa atlântica da França.
“O Dia D foi um empreendimento internacional, não puramente americano. Também britânicos, canadenses e contingentes menores de noruegueses, belgas, tchecos e eslovacos estavam presentes”, lembra o historiador militar Peter Lieb.
“Depois chegaram os poloneses e havia navios gregos, além de um pequeno contingente de franceses libertos [dos ocupadores nazistas].” Australianos e neozelandeses – aliados pertencentes à Commonwealth britânica – reforçavam a tropa internacional.
“É claro que havia dois grandes protagonistas: os americanos e os ingleses”, relata Lieb à DW. “Ambos definiram o roteiro estratégico. Mas eles estavam cientes de que se tratava de uma guerra de coalizão e que também era preciso contar com as nações menores, para mostrar ao mundo que lutar contra a Alemanha de Hitler era um empreendimento universal.”
Caminho até a praia em uniformes encharcados foi fatal para alguns
Dia da decisão
Às 6p0, pouco antes do alvorecer de 6 de junho, despontaram diante da costa normanda os primeiros navios de guerra americanos. Em seus setores de desembarque e ataque, apelidados “Praia Utah” e “Praia Omaha”, eles logo abriram fogo pesado sobre as fortificações alemãs.
Uma hora mais tarde seguiam-se as unidades britânicas, canadenses e francesas, nas praias “Gold”, “Juno” e “Sword”. Com o apoio do navio polonês Dragon, entre outros, atacaram numa área costeira de cerca de 80 quilômetros de extensão, que um pouco tempo se transformaria num campo de batalha sangrento, repleto de mortos.
Ao todo, 4.200 lanchas de desembarque, 1.200 navios de combate e 155.892 soldados de 14 países foram mobilizados na ofensiva do Dia D. As nações menores foram agrupadas em tropas de ataque mistas.
A maior parte das lanchas de desembarque provinha da Marinha Real britânica – embora as poucas fotos e filmagens feitas no dia da invasão sugiram o contrário, retifica o historiógrafo Lieb. Isso se deve ao fato de os americanos terem colocando repórteres e cameramen nas lanchas. “Por isso temos muito mais fotos dos americanos do que dos ingleses ou canadenses.”
Soldados aliados recolhem seus feridos
Caos fatal
Entretanto a Operação Overlord não correu de acordo com os planos, e o caos resultante custou a vida de milhares de soldados aliados. Muitos se afogaram em seus pesados uniformes, pois as rampas de desembarque das lanchas se abriram antes da hora. Tanques afundaram no mar antes de alcançar o litoral para reforçar as tropas de infantaria.
O avanço americano na “Omaha Beach” ameaçava terminar em fracasso. Muitos dos homens ficaram mareados e, portanto, incapacitados para a luta e indefesos contra o fogo dos nazistas. Nessa fase, a invasão quase fracassou: milhares de soldados tombaram somente nas primeiras horas. “De todos os dias da Segunda Guerra, o Dia D é aquele em que americanos e canadenses tiveram as maiores perdas”, resume Lieb.
Por volta do meio-dia, começou a faltar munição para os alemães, permitindo às tropas de desembarque vencer facilmente a resistência principal nas casamatas. Contudo não vingaram os esquemas estratégicos do comandante supremo, o futuro presidente dos Estados Unidos Dwight D. Eisenhower, e do general inglês Bernard Montgomery, aponta o historiador.
“A Muralha do Atlântico pôde ser conquistada com relativa rapidez: em poucas horas tudo estava em mãos aliadas. Porém o subsequente avanço para o interior da França ocorreu muito, muito devagar, pois os alemães se atocaiaram lá, onde estavam aptos a se defender com ferocidade.”
Tropas de 14 países: população francesa saúda soldados canadenses
Terreno difícil para os Aliados
No interior, não era possível seguir com o esbanjamento de meios da operação militar de desembarque. O terreno era difícil de sondar e entrecortado por muros de pedra, trincheiras e arbustos, fornecendo abrigo ideal para os atiradores alemães.
As divisões aliadas avançavam a duras penas. Só no fim de junho a cidade portuária de Cherbourg pôde ser tomada, passando a servir como base para o abastecimento de provisões, de importância decisiva para a guerra.
Em 25 de julho de 1944 iniciou-se a Operação Cobra: a partir do ar, bombardeiros e caças aliados respaldavam as divisões de tanques blindados, os quais cortavam amplas trilhas pelo meio das sebes, assim abrindo o caminho para as tropas de infantaria.
No fim do mês, os poloneses desembarcaram com uma divisão blindada de 20 mil homens, imediatamente mobilizados para o reforço militar no assim chamado “Bolsão de Falaise”. Lá as divisões blindadas do Exército nazista haviam se entrincheirado. Mas no início de agosto a resistência alemã estava praticamente esmagada, e se abria o caminho para a libertação da França da ocupação nazista – e, com ela, toda a Europa.
De Gaulle festejado pela população ao libertar Paris
De Gaulle, o libertador
Porém a coalizão bélica não durou muito tempo. Os americanos – que pretendiam impor um governo militar em toda a França – haviam feito seus planos sem contar com o general Charles de Gaulle, ressalta Lieb.
“Ele foi saudado efusivamente, como grande libertador da França. E aí os Aliados compreenderam: ‘De Gaulle tem grande respaldo por parte da população francesa e vai ser impossível nós levarmos a cabo os nossos planos de uma administração militar. Vamos ter que devolver o mais rápido possível o país aos franceses.'”
Em 25 de agosto, o futuro presidente De Gaulle adentrou Paris com a divisão blindada das Forças Armadas francesas livres. Do ponto de vista militar, as tropas aliadas deveriam ter libertado a capital, porém deram a primazia aos franceses. “Os americanos reconheceram: ‘A longo prazo, é melhor nós termos os franceses como aliados do que arriscar rupturas dentro da coalizão de guerra.'”
Assim – finalmente – a Batalha da Normandia chegava a uma conclusão vitoriosa, embora com enormes perdas humanas. Um marco decisivo na história dessa guerra de dois fronts, que também teve que ser decidida nos combates no Leste Europeu.
Francisco A. de Sousa
6 de junho de 2014 3:44 pmOS GRUPOS DE MÍDIA SE ACHAM
OS GRUPOS DE MÍDIA SE ACHAM UMA FÊNIX.
Luciano Martins Costa
>>Imprensa e jornalismo: nada a ver
>>A desinformação como tática
Luciano Martins Costa | Programa nº 2337 | 06/06/2014
Imprensa e jornalismo: nada a ver
Por mais arriscado que seja fazer diagnósticos em situações de alta complexidade, pode-se afirmar que o motor da sucessão de tumultos que assola o Brasil desde o ano passado é a desinformação.
Já se afirmou aqui que pior do que a mentira é a meia-verdade, e pode-se comprovar essa assertiva com a observação do processo pelo qual a imprensa brasileira tem contribuído para a construção do mau humor coletivo que vai se espalhando de forma avassaladora pela sociedade.
O processo é clássico e seu exemplo maior continua sendo a estratégia de comunicação que Joseph Goebbels desenvolveu na Alemanha nos anos 1930 e que em uma década fez com que a insanidade de um pequeno grupo de ativistas contaminasse o país onde a modernidade havia plantado suas raízes no século anterior.
No entanto, é preciso fazer uma retificação importante no paradigma central da propaganda nazista: a frase segundo a qual “uma mentira contada mil vezes torna-se verdade” ganha certa contemporaneidade se dissermos que “uma meia-verdade repetida duas vezes torna-se verdade”.
Se o leitor ou leitora afeto à visão crítica dos acontecimentos fizer uma visita ao noticiário dos últimos doze meses, vai observar que o estado de espírito negativo que contamina o Brasil não decorre de um efeito colateral do noticiário: é o propósito central da atividade da imprensa hegemônica.
Certamente, há espaço suficiente nessa afirmação para a suspeita de que o observador pode estar sob influência de teorias conspiratórias, mas a leitura dos jornais nesse período indica claramente o desenvolvimento de uma campanha com objetivo de destruir a autoestima dos brasileiros.
Este observador foi conferir essa hipótese com uma fonte qualificada de um dos maiores jornais brasileiros, assentada em posição de mando na área comercial, e ouviu uma queixa surpreendente: disse o informante que a agenda negativa está prejudicando o próprio jornal, ao produzir um estado de pessimismo que desestimula os anunciantes.
O jornalismo praticado nas redações é nocivo ao negócio jornal.
Não seria a primeira vez que a imprensa, como sistema corporativo, estaria agindo contra seus próprios interesses de longo prazo.
A desinformação como tática
Se a direção dos jornais considera apropriado cultivar uma crise social, com grandes riscos de detonar no rastro dela uma crise econômica, é porque entende que, se a tática for bem sucedida, haverá um ganho para o negócio no futuro próximo, com uma mudança radical no modelo econômico.
Fora dessa possibilidade, resta a alternativa de pensar que a imprensa enlouqueceu.
Ora, atuar de forma nociva contra o modelo que ampliou o mercado interno e deu alento ao mercado publicitário só pode ser entendido como uma forma de suicídio, como apontou o executivo citado acima.
A disputa eleitoral em curso é considerada pela imprensa hegemônica do Brasil como “a mãe de todas as batalhas”, porque dela pode brotar o presidente ideal para os padrões das grandes empresas de comunicação.
Mesmo que isso signifique reverter o avanço das conquistas sociais que se iniciaram com a estabilização da moeda, em 1994, e se consolidaram com as políticas oficias de distribuição de renda, os jornais insistem nesse processo.
Ainda no perigoso atalho que corta as complexidades envolvidas nessa questão, pode-se afirmar que a imprensa, como sistema corporativo, já não faz jornalismo.
Faz uma política menor, característica dos lobbies, exatamente igual à prática do “é dando que se recebe”, celebrizada pelo falecido deputado Roberto Cardoso Alves e formalmente condenada pela própria imprensa.
Portanto, toda análise que se fizer daqui para a frente precisa deixar claro que, ao se observar a imprensa, não se está necessariamente analisando o jornalismo.
Quando o sistema da comunicação abandona o pressuposto da objetividade para atuar como lobby, mesmo às custas de suas necessidades e interesses de longo prazo, pode-se dizer que houve uma ruptura entre jornalismo e imprensa.
O núcleo tático desse procedimento é a imposição de meias-verdades, que produzem a desinformação geral; a desinformação estimula protestos, crises, decisões equivocadas de investidores, e − o mais grave − descrença no sistema democrático, como aconteceu na Alemanha nazista.
observatoriodaimprensa.com.br/radios/view/gt_gt_imprensa_e_jornalismo_nada_a_ver_lt_br_gt_gt_gt_a_desinformacao_como_tatica
Heitor de Assis
6 de junho de 2014 3:56 pm´Não Vai Ter Copa` espalha-se pela América Latina!
Extraído do jornal Metro, distribuído em algumas das grandes cidades do país com metrô, e em outras que acho que não têm.
Copa – Greve pode cancelar ou atrasar voos da TAM
Trabalhadores da Latam Airlines, controladora da TAM, ameaçam atrasar ou cancelar voos da TAM antes da Copa do Mundo, em apoio a uma greve iminente a ser realizada em 10 e 11 de junho, por funcionários da unidade da empresa no Peru.
Em função da Copa, a Latam preparou cerca de mil voos tendo como destino o Brasil.
O presidente do sindicato de manutenção da Lan Chile, Dario Castillo, disse ontem à agência de notícias Reuters, que uma reunião entre as lideranças decidiu fazer um acordo com seus colegas em outros países onde a companhia opera, para distribuir panfletos de alerta aos passageiros sobre atrasos e cancelamentos de voos quando for iniciada a greve.
– Acabaram de chegar os folhetos explicativos sobre a greve, produzidos em Buenos Aires, para começar a distribuir no aeroporto – de Santiago, no Chile. Isto se repetirá nos outros aeroportos da região, em apoio à situação dos trabalhadores de manutenção no Peru, disse Castillo.
A Latam tem unidades na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai e Peru.
Segundo o dirigente, os técnicos aeronáuticos da Lan Peru pedem melhorias em seus salários, após 10 anos sem qualquer reajuste.
MiriamL
6 de junho de 2014 4:27 pmBrasil confirma presenças
Brasil confirma presenças de chefes de Estado e governo na Copa
A presença de 11 presidentes e primeiros-ministros de países já está confirmada na cerimônia de abertura da Copa do Mundo, na próxima quinta-feira (12), no estádio do Corinthians, em São Paulo. A informação foi divulgada nesta quinta (5) pelo Palácio do Planalto, que confirmou que pelo menos 20 chefes de Estado devem estar presentes no Brasil para prestigiar o Mundial.
Reprodução
Torcedores pelo mundo
No estádio do Coirinthians, o Itaquerão, em São Paulo, antes que a bola role pela primeira vez no campeonato, a presidenta Dilma Rousseff assistirá ao show de abertura ao lado do secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e de onze mandatários internacionais.
A partida entre Brasil e Croácia começa às 17h, mas duas horas antes, um time de 600 bailarinos promoverá um espetáculo sobre a diversidade e a beleza do Brasil, seguido da performance do rapper Pitbull, das cantoras Jennifer Lopez e Claudia Leitte e do Olodum, que cantarão a música oficial da Copa do Mundo, We Are One.
Além do primeiro-ministro croata, Zorán Milanovic, os seguintes líderes estarão presentes na abertura da Copa: a presidenta do Chile, Michelle Bachelet; o do Equador, Rafael Correa; de Gana, John Dramani Mahama; do Uruguai, José Mujica; do Paraguai, Horácio Cartes; e o emir do Catar, Tamin Bin Hamad Al Thani.
De acordo com o Planalto, também confirmaram presença na partida os presidentes do Suriname, Desiré Delano Bouterse; de Angola, José Eduardo dos Santos; da Bolívia, Evo Morales; e do Gabão, Ali Bongo Odimba.
Segundo a previsão oficial, mais oito mandatários também deverão vir ao Brasil para acompanhar jogos da Copa: Vladimir Putin, presidente da Rússia, que vai assistir à final, no Rio de Janeiro; Angela Merkel, chanceler alemã; Joe Biden, vice-presidente dos Estados Unidos; Juan Orlando Hernández, presidente de Honduras; Guilherme Alexandre, rei da Holanda; Alberto II, príncipe de Mônaco; além da família real da Bélgica, com o rei Filipe e a rainha Mathilde, e o primeiro-ministro belga, Elio di Rupo.
Apesar de não confirmados, os presidentes da China, Xi Jinping, e da África do Sul, Jacob Zuma, devem assistir à final da Copa do Mundo junto de Vladimir Putin e da própria Dilma, dia 13 de julho, no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. Esses chefes de Estado vão aproveitar o encontro para participar da Cúpula dos Brics (bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), marcada para o dia 15 de julho em Fortaleza.
Fonte: Agência Brasil
http://www.vermelho.org.br/noticia/243592-1
ricardo_almeida
6 de junho de 2014 6:46 pm“O Analfabeto Político”
“As próprias palavras são o detalhe essencial: repetir o que foi lido é fácil, mas o propósito do exercício é saber se somos capazes de traduzi-lo”
Por Braulio Tavares , de Carta Capital (cartafundamental.com.br)
“Pesquisas recentes mostram que grande parte dos universitários brasileiros é de analfabetos funcionais, isto é, são capazes de ler corretamente um texto, inclusive em voz alta, mas não conseguem entender o significado. (Na melhor das hipóteses, saem pela tangente com aquele velho papo de estudante preguiçoso: “Eu sei, mas não sei como explicar”.) Quando eu era estudante havia certa insistência das professoras (nessa fase mais remota, eram sempre mulheres) em dizer: “Leia esse texto, e depois o explique com suas próprias palavras”. As “próprias palavras” são o detalhe essencial, porque repetir o que foi lido é fácil, mas o propósito do exercício é saber se somos capazes de traduzi-lo (sim, é um processo tradutório, tanto quanto o de passar uma frase do inglês para o português).
Todo mundo pode decorar um soneto de Camões: Sete anos de pastor Jacó servia/Labão, pai de Raquel, serrana bela… Eu gostaria que um hipotético aluno meu me reproduzisse esse soneto em algo como: “Eita, professor, parece que o sogro dele enrolou ele… Ele queria casar com uma moça e prometeu trabalhar de graça pro véi, aí o véi era trambiqueiro, deu a outra filha, aí ele disse, tem nada não, danado – eu faço tudim de novo, mas agora quero a minha noiva, e se não me der, aí o diabo se solta!” Alguns professores rejeitariam uma interpretação tão heterodoxa. Eu daria nota 10 ao moleque.
Richard Feynman, Prêmio Nobel de Física, ensinou numa universidade brasileira e admirou-se ao ver como seus alunos, que sabiam de cor uma lei sobre a polarização das ondas luminosas, eram incapazes de explicar um efeito qualquer da visão da Baía da Guanabara através das vidraças da sala de aula. Na cabeça deles, a lei da Física era um simples texto, e a passagem da luz pela vidraça não tinha nada a ver com ela.
Seria o caso de questionarmos o analfabetismo funcional de uma parte muito maior da sociedade. Algumas pessoas são capazes de ler a Bíblia, a Constituição ou a Declaração dos Direitos do Homem, jurar-lhes fidelidade, e desobedecer-lhes sem piscar o olho. São incapazes de ver alguma relação entre aquelas palavras impressas no papel e os atos que estão praticando. Claro que muitos fazem isso por mau-caratismo. Mas não duvido que outros agem assim por deficiência intelectual mesmo. Uma coisa é aquele texto que alguém os obrigou a decorar um dia, e outra coisa muito diferente são os fatos da sua vida. Acham-se pessoas de bem, e sua sinceridade poderia ser comprovada até num detetor de mentiras”.
Alessandro
6 de junho de 2014 7:11 pmSobre o anarquismo brasileiro…
Cada vez mais tenho encontrado pessoas que se intitulam anarquistas. Muitas importando conceitos do anarquismo europeu e discutindo (a ponto da veia do pescoço estufar) sobre os movimentos anarquistas nas manifestações e o que virá pela frente.
Entendo que há uma seriedade nisso tudo. Há um movimento anarquista sério.
Mas no geral, acho que no Brasil se intitular anarquista é um jeito rebelde de ser de direita.
anarquista sério
6 de junho de 2014 7:53 pmSaca essa,Nassa.
Esquecido
Saca essa,Nassa.
Esquecido num canto ,mas nuito querido.
http://www.youtube.com/watch?v=0Xy7EDoYgeY
Gilson AS
6 de junho de 2014 9:58 pmVocê mulher que tem mais de 50 anos e se acha velha para o amor.
Veja que historia interessante.
http://oglobo.globo.com/blogs/pagenotfound/posts/2014/06/06/homem-de-31-anos-que-namora-mulher-de-91-diz-ter-fetiche-por-idosas-538496.asp
Sessenta anos separam Kyle Jones de Marjorie McCool. Na verdade, não separam. Ele, de 31 anos, e ela, de 91, estão namorando há cinco anos.
É um namoro liberal. Kyle tem autorização para sair com outras mulheres. E Kyle exerce bem o seu direito. Só que ele só sai com idosas. O americano, que mora em Pittsburgh (Pensilvânia) diz ter fetiche por aposentadas.
(QUER SEGUIR O BLOG NO TWITTER? CLIQUE AQUI!)
Em reportagem da Barcroft Media, o casal contou ter vida sexual ativa e que gosta de passear de mãos dadas.
Gilson AS
6 de junho de 2014 10:03 pmCafu
6 de junho de 2014 10:21 pmInfraero desmente Folha sobre aeroportos para Copa
RESPOSTA À FOLHA DE S. PAULO
03.06.14
Sr. Editor,
Com relação a reportagem “A dez dias do início da Copa, aeroportos estão inacabados”, publicada na página A6, na edição de hoje (3/6), esclarecemos que a Infraero e todos os seus aeroportos têm capacidade e estão preparados para receber as operações da Copa do Mundo. Somente de 2011 até maio de 2014 foram investidos R$ 4,8 bilhões nesses aeroportos: ampliações e reformas de terminais de passageiros, ampliação de pátio, de pista, construção de torres de controle entre outros empreendimentos. Além disso, todos os aeroportos estão com seus planos operacionais concluídos há meses, já tendo sido testados e aprovados. As obras em andamento estão sendo executadas para atender a demanda do Brasil pelo transporte aéreo nos próximos anos. Isso inclui a movimentação esperada para o Mundial. Diversas obras continuarão após o evento esportivo e não afetarão a operação dos aeroportos durante a Copa.
Quanto aos aeroportos citados na reportagem são necessários os seguintes esclarecimentos:
– Em Recife a única obra em andamento é a instalação de dois elevadores que não se destinam as operações previstas para a Copa;
– As obras citadas em Porto Alegre, em Curitiba, em Salvador e em Fortaleza são de ampliação da infraestrutura, consequentemente externas aos terminais, não afetando as operações;
– A praça de alimentação de Confins abrigará a “Fun Zone”, área que tem como tema a Copa e destinada aos passageiros;
– A ponte de embarque nº 6 de Curitiba era provisória e já foi retirada;
– As áreas de check-in internacional e doméstico do aeroporto de Manaus estão prontas e as operações estão sendo transferidas esta semana. A situação mencionada pela reportagem refere-se à área do check-in antigo, que será desativada até a próxima sexta-feira. Não há circulação de operários nas áreas de movimentação de passageiros. As plataformas existentes no saguão, em Manaus, ontem, dia 2, foram montadas para a limpeza dos vidros, situação comum tratando-se de manutenção. Ainda em Manaus, hoje (3/6) foi liberado o tráfego na área do estacionamento, com a abertura da Avenida Santos Dumont. Nesta sexta-feira (6/6) será liberado o viaduto, concluindo as obras de acesso de veículos entre o terminal e as vias públicas.
Atenciosamente,
Gustavo do Vale
Presidente da Infraero
http://www.infraero.gov.br/index.php/br/imprensa/notas-e-respostas/5788-resposta-a-materia-qa-dez-dias-do-inicio-da-copa-aeroportos-estao-inacabadosq-da-folha-de-s-paulo.html
robson_lopes
6 de junho de 2014 10:42 pmMarília Arraes: PSB faz alianças eleitorais e não ideológicas!
Marília Arraes, prima de Eduardo Campos desiste da candidatura a deputada federal, dizendo que não concorda com o modelo impositivo implementado pelo primo para as coligações. Questiona ainda o fato de que as alianças estão sendo eleitorais e não mais ideológicas.
http://blogs.ne10.uol.com.br/jamildo/2014/06/06/insatisfeita-com-psb-marilia-arraes-retira-pre-candidatura-a-deputada-federal/
Gilson AS
6 de junho de 2014 11:12 pm(Sem título)
Mara L. Baraúna
7 de junho de 2014 6:10 amSimplesmente Dolores Duran
Dolores Duran, nome artístico de Adiléia Silva da Rocha (Rio de Janeiro, 7 de junho de 1930 — Rio de Janeiro, 24 de outubro de 1959)
Rainha das noites de Copacabana, Dolores Duran criou uma nova forma de interpretar o samba e compôs pérolas da nossa música.
Da Revista de História, por Maria Izilda Santos de Matos
Negra, de rosto arredondado, os olhos sempre envoltos numa alegre melancolia, dentes da frente ligeiramente separados, corpo miúdo e um pouco gorducho, raciocínio rápido, vivaz, com um jeito meigo e triste, assim era Dolores Duran. Carregava consigo a melancolia guardada daqueles que vivem pela noite, em palcos enfumaçados, até de manhã. Para os amigos, entre eles os cronistas Sérgio Porto e Antônio Maria, ela era “uma falsa mulher alegre”. Para o público que apreciou as interpretações e composições de Dolores, ela foi uma estrela de brilho intenso e fugaz, que iluminou a música brasileira e se apagou subitamente, aos 29 anos.
Nos anos 1940 e 1950, Copacabana tornou-se o pólo efervescente da cidade. Duas décadas antes, o bairro não passava de um areal freqüentado apenas por aqueles que acreditavam nos milagres curativos do banho de mar. A ocupação urbana transformou a região, atraindo novos e abastados moradores. Mais tarde, com a oferta de imóveis mais acessíveis, chegaram ali pessoas de menor poder aquisitivo. Copacabana florescia: ir à praia deixava de ser uma extravagância para se tornar um programa tipicamente carioca, e a emergente vida noturna do bairro atraía cada vez mais gente à procura de boa música e um pouco de diversão.
Nessa época, os bairros da Lapa e do Estácio sofriam com fortes intervenções policiais. Prostíbulos e comércios locais eram fechados, gigolôs e malandros eram presos, e muitos intelectuais que agitavam esses tradicionais cenários da boêmia carioca transferiram-se para Copacabana. Neste novo reduto, que reunia bares, restaurantes, cassinos e, principalmente, boates, pares enamorados espalhavam-se pelas mesas, envoltos pela atmosfera de uma melodia tocada ao piano ou de um cantar sussurrado, que evocava o amor magoado e a dor-de-cotovelo.
Copacabana foi o palco da trajetória de Dolores Duran, para quem a noite começava obrigatoriamente na boate Cangaceiro, onde, quando estava especialmente feliz, bebia um coquetel de frutas. Porém, se um triste pressentimento lhe vinha – “a solidão vai acabar comigo”, como diz o verso de “Solidão”, uma de suas composições mais famosas –, uísque puro era a pedida. Batia um papo, soltava algumas piadas e depois ia cantar no Little Club. Dificilmente dormia antes do início da manhã; cantava até tarde nas boates, esticava o programa por aí, e chegava a ir assistir à primeira missa do dia no Mosteiro de São Bento, com o fundo musical dos cantos gregorianos.
Estrela em Copacabana, Dolores nasceu em 1930 no bairro da Saúde, centro do Rio de Janeiro, com o nome de Adiléia Silva da Rocha. Filha de um sargento da Marinha, passou a infância nos bairros de Irajá e Pilares, onde conheceu as agruras da vida suburbana carioca. A menina humilde não conseguiu concluir o curso primário; trabalhou como modista e balconista e, apesar da pouca instrução, tornou-se uma das mais intuitivas poetisas da música popular brasileira.
Com apenas seis anos, iniciou sua carreira artística cantando em diversos concursos e festas. Como era comum nos anos 1930 e 40, participou com sucesso de vários programas de calouros no rádio. Depois de causar uma boa impressão no concurso “À procura de uma cantora de boleros”, foi convidada para fazer um teste na boate Vogue, uma das mais sofisticadas do Rio. Aprovada, obteve um contrato de crooner, cantora de baile que interpreta sucessos de outros artistas. Tinha só 16 anos, e por isso foi obrigada a falsificar a idade em seu documento para poder trabalhar na noite. Para brilhar nos palcos cariocas escolheu o pseudônimo de Dolores Duran, nome que misturava a influência dos ritmos latinos com a cultura cinematográfica norte-americana.
A exigência de ter de embalar a platéia em diversos estilos musicais lhe daria grande versatilidade. Sua sensibilidade e sua afinação impressionariam o público. Interpretando de forma singular, exibia um belo domínio vocal e era capaz de fazer sofisticadas improvisações jazzísticas. Mesmo sendo considerada a rainha do samba-canção, Dolores também foi apontada como uma precursora da Bossa Nova, por seu estilo inovador de cantar. Era ainda uma grande imitadora de cantores nacionais e internacionais, reproduzindo com perfeição os timbres de voz, inclusive dos homens.
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Saiba mais em:
Dolores Duran – Dicionário Ricardo Albin
Dolores Duran – Wikipédia
Discografia
Músicas para ouvir
Autodidata, dominava o inglês, o francês, o italiano e o espanhol ouvindo músicas, a ponto de Ella Fitzgerald dizer que foi, na voz da cantora brasileira, que ouviu a melhor interpretação de My Funny Valentine – um clássico da música norte-americana.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=5fEUToYpL98%5D
Brasileiro, profissão esperança
Das dores, Dolores, por Petit Gabi
Dolores Duran, Estrada do Sol, por Eliete Negreiros
Experiências boemias em Copacabana: Dolores Duran, por Maria Izilda Santos de Matos
Nina Becker canta Dolores Duran
Sensibilidades femininas: poética e música em Dolores Duran, por Maria Izilda S. Matos
Livros
Dolores Duran: a noite e as canções de uma mulher fascinante, por Rodrigo Faour
A vida acaba um pouco todo dia, de Angela de Almeida
Homenagens:
Projeto do CCBB relembra os 50 anos de morte de Dolores Duran
Em 1994, recebeu homenagem de Nana Caymmi, que gravou um CD só com obras suas com o título “A noite do meu bem – As canções de Dolores Duran”
No final dos anos 90, o Centro Cultural Banco do Brasil apresentou o musical “Dolores”, com texto de Douglas Dwight e Fátima Valença e direção de Antônio de Bonis. O elenco era estrelado por Soraya Ravenle e a direção musical coube a Tim Rescala.
Em 2009 a gravadora Biscoito Fino lançou o CD “Dolores Entre Amigos”, como gravações inéditas descobertas pela jornalista Ângela Almeida durante uma pesquisa para uma biografia sobre a vida de Tom Jobim.
Brasileiro, profissão esperança
[video:https://www.youtube.com/watch?v=-PssMiTGNQw%5D
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Aqui completo: https://www.youtube.com/watch?v=59ilMpDmsbg&list=PLD5D6453FF8C97C4F
Participou do filme “Rico Ri à Toa” (1957), de Roberto Farias.
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Frank Sinatra gravou em seu LP “Sinatra & Company”, de 1971, a versão de “Por causa de você”, com o título “Don’t ever go away”.
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