Haddad se encanta com o neoliberalismo
por Fernando Castilho
Fernando Haddad fez muito para o Brasil, enquanto ministro da Educação entre 2055 e 2012 e excelente prefeito de São Paulo de 2012 a 2016.
Ao ser guindado a ministro da Fazenda no atual governo Lula, vem revertendo a desconfiança da Faria Lima ao emplacar o arcabouço fiscal e a reforma tributária, dois instrumentos que modernizarão a maneira como as finanças são tratadas no país.
Não sei se, empolgado por seu sucesso entre aqueles que torcem o nariz para Lula, Haddad, escudado pela ministra do Planejamento, Simone Tebet, ensaia uma guinada ao neoliberalismo.
Em matéria publicada pelo site InvestNews em 06/05, intitulada “Equipe econômica abre debate sobre ajuste fiscal via benefícios sociais”, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron e a ministra Tebet, defenderam a “necessidade de em medidas de ajuste fiscal pelo lado das despesas, levantando debates sobre propostas que, na prática, reduziriam as correções de benefícios previdenciários e sociais, tema que encontra resistência histórica da esquerda e pode esbarrar na oposição da base política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.”
Ceron vê como sinal de alerta a elevação de gastos com o BPC (Benefício de Prestação Continuada), que é voltado a idosos de baixíssima renda e deficientes.
O InvestNews segue: “Em entrevista ao jornal Valor Econômico publicada nesta segunda-feira, a ministra da Planejamento, Simone Tebet, disse que já discute com sua equipe um cardápio de propostas que inclui a desvinculação de aposentadorias e benefícios sociais da política de ganhos reais do salário mínimo, avaliando também alternativa para o piso de despesas com Educação.“
Nas palavras de Simone Tebet: “Vamos ter que fazer isso pela convicção ou pela dor.”
Segundo o jornal “a regra em vigor para a correção do salário mínimo e dos benefícios vinculados a ele prevê aumentos reais anuais.”
“Haddad, recomendou na quinta-feira em redes sociais, sem tecer mais comentários, um artigo do economista Bráulio Borges no qual ele defende que o ajuste fiscal deveria ser feito tanto pela recomposição de receitas como via corte de gastos, chamando de “elemento crucial” a desvinculação do piso previdenciário do salário-mínimo.”
O ministro da Fazenda já vem se movimentando no sentido de reduzir o déficit da Previdência começando pelo lado mais fraco que são os aposentados. Lembremos que ele tem atuado fortemente junto ao STF para que o tribunal anule a vitória dos segurados na chamada Revisão da Vida Toda que foi aprovada por duas vezes (!), baseado em um dado “fantasma” que ninguém viu, mas que ele garante que existe: o rombo de 540 bilhões que o processo causaria aos cofres públicos.
O ministro da Previdência, Carlos Lupi, em entrevista recente à Folha de São Paulo, garantiu que esses números são um chutômetro e não correspondem à verdade.
O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) já divulgou que a revisão beneficiaria apenas cerca de 102 mil aposentados, portanto, o impacto não poderia ser maior que 5 bilhões, mas Haddad insiste no “fantasma”.
Lupi garante que a Previdência vai bem, mas poderia ser enormemente superavitária, caso o governo cobrasse centenas de bilhões de reais de devedores.
Como sempre, em posturas neoliberais, é mais fácil tirar de quem é fraco do que de quem tem poder e influência, por isso, as empresas devedoras estão sendo poupadas enquanto o direito dos aposentados vem sendo desrespeitado, afinal, trata-se apenas de velhinhos que em breve nem estarão entre nós, não é mesmo?
Pelo teor da matéria no InvestNews, tem-se a impressão de que esse plano de Haddad e Tebet ainda estão sendo urdidos longe do gabinete presidencial, afinal, Lula tem se empenhado em garantir ganho real todo ano com o reajuste do salário-mínimo, além de manter a promessa de campanha de acabar com a miséria no país.
A própria postura de não medir esforços para a ajuda federal no sul do país orna muito mais com Lula do que o corte de direitos dos aposentados.
Fernando Castilho é arquiteto, professor e escritor. Autor de Depois que Descemos das Árvores, Um Humano Num Pálido Ponto Azul e Dilma, a Sangria Estancada.
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Fábio de Oliveira Ribeiro
7 de maio de 2024 11:10 amEsse nóia acredita que ganhará a próxima eleição com ajuda dos banqueiros. Todavia, ele não terá meu voto. Não voto em banqueiro, nem em serviçal de banqueiro.