Réplica ao Artigo “Síndrome Caetanista” da Revista Piauí
por Jorge Alberto Benitz
Luigi Mazza escreveu um artigo na revista Piauí, número 212, de maio de 2024, intitulado “A Sindrome Caetanista” criticando o caetanismo, dizendo que não estava criticando o próprio que, segundo ele, não tem nada a ver com os que o idolatram. De certo modo, é mirar na igreja e tentar não acertar no padre, versão alterada que fiz do sentido presente no dito popular “Mirou no padre. Acertou na igreja”.
Texto bem escrito e bem pensado. Só que exala dele um não tão sutil antipetismo que aproveita ao fazer críticas aos “caetanistas”, que parece deviam não curtir uma vida de acordo com suas posses porque ofensivas a militância de esquerda mais franciscana, aproveita para bombardear também a esquerda petista que ao contrário dos bolsonaristas está apresentando, segundo ele, um projeto requentado, meia boca, nesta fase Lula 3.
Muitas das críticas, sob o ponto de vista do que devia ser abstraindo os obstáculos reais, são pertinentes e concordo com elas. Só que a realpolitik, infelizmente, impede a consecução delas do modo a satisfazer nossos sonhos e desejos. A não ser que façamos uma revolução e não uma disputa eleitoral nos moldes republicanos. Diante disso, o que soa não pertinente é o voluntarismo crítico que acha bastar ter vontade – coisa que a julgar o escrito por ele, não existe por parte de Lula e o PT – para que se concretize uma proposta diferente da posta em prática por Lula e o PT. Por tabela, paira também um negacionismo sobre a importância da vitória obtida pela aliança que derrotou Bolsonaro. De fato, fica difícil governar com o pé preso na bola de chumbo da direita neoliberal na economia e progressista nos costumes, a chamada direita que usa faca e garfo, aliado a um Congresso de maioria conservadora e/ou reacionária. Daí, negar, minimizar, a importância da vitória dos que defendem a democracia contra o projeto bolsonarista, vai uma grande distância.
Para ele, a proposta de Lula não tem aderência à realidade. A que tem aderência à realidade é a proposta bolsonarista que encarna o que de pior existe no conservadorismo brasileiro; um aspecto do lodo que parecia soterrado, mas que “Nas primeiras pisoteadas do bolsonarismo nesse fundo, todo o entulho autoritário não removido veio à tona “ como bem definiu Olívio Dutra recentemente.
Luigi Mazza, esquece a lição básica de política que tudo é uma construção e que para construir faz- se imperativo, jogar o jogo republicano e democrático nos moldes estabelecidos, já que, como diz a máxima marxista, a esquerda além de não dominar os meios de produção, e acrescento eu, não é dona dos meios de comunicação, núcleo ideológico da direita, como diz Bernardo Kucinski. A pegada da ala psolista antipetista é visível, ainda que não explicitada. Apesar de que quando cita o ressentido Vladimir Safatle, que nunca mais perdoou o PT depois que foi preterido para Secretário de Cultura por Haddad, fica clara, pelo menos para mim, a ligação. O que ele não diz é porque os que pensam como ele, os “realistas” que sabem o caminho das pedras para sair deste brete em que estamos, não tem sucesso eleitoral. Fica no ar a dúvida “Quem mesmo está fora da realidade? ”.
Última observação: Pensei em mandar este texto para a revista Piauí. No entanto, sabendo que eles não publicariam, não perdi tempo.
Jorge Alberto Benitz é engenheiro e escritor.
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