22 de junho de 2026

Um bilhão de pessoas a mais sofrem com calor extremo do que nos anos 1970

Um dos achados mais significativos do estudo envolve as temperaturas noturnas., com aquecimento de 0,32 °C por década desde 1970
Crédito: Paulo Pinto/ Agência Brasil

Cerca de 1 bilhão a mais enfrentam calor extremo anual, população exposta subiu de 16% para 22% desde 1970.
Noites mais quentes aumentam 0,32 °C por década, agravadas por gases do efeito estufa e maior umidade globalmente.
Brasil teve aumento de até 4 °C na sensação térmica máxima e até 80 dias a mais com calor muito forte por ano.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O calor extremo deixou de ser um problema localizado. Hoje, cerca de 1 bilhão de pessoas a mais enfrentam ao menos um dia de calor extremo por ano em comparação com a década de 1970, e a parcela da população mundial exposta a essa condição saltou de 16% para 22%. Os dados são de um levantamento global publicado nesta segunda-feira (22) na revista científica Nature Climate Change.

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O estudo foi conduzido por Rebecca Emerton e pesquisadores do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), com base em um banco de dados global de estresse térmico cobrindo o período de 1950 a 2024. A análise compara a última década (2015–2024) com os anos 1970, ponto em que os indicadores começaram a subir de forma clara e contínua.

Noites

Um dos achados mais significativos do estudo envolve as temperaturas noturnas. Na média global, as dez noites mais quentes do ano aqueceram 0,32 °C por década desde os anos 1970, ritmo superior ao registrado nos dez dias mais quentes, de 0,27 °C por década.

A explicação está na atmosfera: com maior concentração de gases de efeito estufa, ela retém mais calor durante a noite, quando a superfície deveria naturalmente esfriar. O aumento da umidade e mudanças na cobertura de nuvens agravam o problema.

“O calor noturno é importante para a saúde humana porque as pessoas dependem de noites mais frescas para ter alívio e se recuperar do calor do dia”, afirmou Emerton. Sem essa pausa, o organismo permanece sob estresse térmico de forma contínua.

Para medir o impacto sobre o corpo, os pesquisadores utilizaram o UTCI, Índice Climático Térmico Universal, uma espécie de sensação térmica que combina temperatura, umidade, vento e radiação solar para simular como o organismo humano reage ao ambiente. O índice classifica o calor em categorias que vão de moderado, a partir de 26 °C, até extremo, quando há risco grave à saúde.

Brasil

A América do Sul está entre os continentes onde o calor avançou com mais intensidade. Em boa parte do Brasil, a sensação térmica máxima nos dias mais quentes subiu entre 2 °C e 4 °C desde os anos 1970. Nas noites dos mesmos períodos, a mínima percebida aumentou de 1 °C a 3 °C.

O número de dias perigosos também cresceu de forma expressiva. No norte da América do Sul, registram-se até 80 dias a mais por ano com calor classificado como “muito forte” em relação aos anos 1970. Em áreas subtropicais, como o Sul e o Sudeste do Brasil, o estudo identificou até 50 dias a mais por ano com calor de forte a extremo.

Quando se observa apenas o calor extremo, a ocorrência na América do Sul ficou 2,5 vezes maior que nos anos 1970, o mesmo fator registrado na Europa, o maior entre os continentes.

Os pesquisadores alertam, ainda, que os dados podem subestimar a realidade nas cidades, onde as ilhas de calor urbano elevam ainda mais as temperaturas.

Recuperação

O estudo analisou também os chamados eventos compostos: sequências em que um dia de calor forte é seguido por uma noite tropical, sem tempo de recuperação para o organismo. Esses episódios ficaram mais frequentes, mais longos e mais intensos em todos os continentes.

Na Europa, eventos de um dia aumentaram 73% desde os anos 1970. Sequências de 15 a 30 dias ficaram 3,4 vezes mais comuns, e episódios de até 120 dias quase dobraram. No norte da África, sequências de 271 a 365 dias ficaram 2,8 vezes mais frequentes.

Crescimento populacional

O salto no número de pessoas expostas ao calor extremo resulta de dois fatores combinados: o aquecimento climático e o crescimento da população. Para a exposição a pelo menos um dia de calor extremo por ano, o crescimento populacional teve peso maior, respondendo por cerca de 4,5% da alta, contra 1,4% atribuído à mudança climática.

Mas esse dado é a exceção. Para exposições mais prolongadas, como 30 ou 90 dias de calor extremo, e para as categorias de calor forte e muito forte, a mudança climática tem peso igual ou maior que o crescimento populacional. Quanto mais severo e duradouro o calor, mais evidente é a influência humana sobre o clima.

A escala do problema fica clara em outro número: nos anos 1970, 55% da população mundial vivia em locais com ao menos 90 dias de calor forte por ano. Hoje, esse índice chegou a 70%. Um relatório do Unicef citado no estudo aponta que cerca de 559 milhões de crianças já estão expostas a alta frequência de ondas de calor, grupo especialmente vulnerável, por regular com menos eficiência a própria temperatura corporal.

*Com informações do g1.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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