“Uma carnificina contra as mulheres”, assim descreveu o presidente Lula sobre o Projeto de Lei que equipara aborto após as 22 semanas de gestação ao crime de homicídio, o PL 1904/2024.
“Eu já dizia em 1982: o aborto tem que ser tratado como uma questão de saúde pública”, introduziu Lula, em entrevista ao Uol.
Antes da manifestação incisiva, o presidente foi alvo de críticas por não ter mostrado uma postura rápida contra o projeto.
“Eu dizia: eu, Lula, pai, sou contra o aborto, mas como chefe de Estado tenho que tratar como saúde pública, porque uma madame que vai fazer o aborto vai na clínica mais cara do mundo e ninguém sabe. A pobre tenta furar o útero com uma agulha de tricô”, disse.
“O projeto apresentado não era um projeto, era uma carnificina contra as mulheres, porque ele estava criminalizando a vítima, estava querendo que a vítima pegasse tempo de cadeia maior que o estuprador”, continuou.
Na metade do mês, a Câmara dos Deputados havia aprovado a urgência do projeto de lei, mas o presidente da Casa, Arthur Lira, recuou com a reação pública e os protestos das mulheres nas ruas, e paralisou momentaneamente o andamento do texto. Segundo o presidente, o debate dos parlamentares era “uma discussão imbecil”.
“Ainda bem que a sociedade se manifestou, ainda bem que as mulheres estão indo para a rua. As mulheres têm que ir para a rua. Mulher não é mais objeto de mesa e cama em lugar nenhum do mundo, e muito menos no Brasil”, disse Lula.
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