Em entrevista à Record, o presidente Lula afirmou que a meta fiscal é “uma questão de visão”, que “há prioridades”, que a cabeça de “especuladores” é “pequena”, mas que fará “o que for necessário para cumprir o arcabouço fiscal”. A fala foi transformada por uma corretora do mercado em “Lula disse que é preciso convencê-lo de que será mesmo preciso cortar” recursos.
A polêmica sobre a entrevista de Lula à Record foi gerada após a Capital Advice, uma agência de cenário político-econômico, vazar antecipadamente à corretora BGC a suposta fala do presidente. A jornalista da Record que fez a entrevista, Renata Varandas, é uma das sócias da Capital Advice. E o texto foi divulgado ao mercado, chegando à agência Bloomberg – uma das maiores agências financeiras do mundo -, mais de 1 hora antes da divulgação da entrevista pela própria Record.
A íntegra da entrevista não foi divulgada pelo noticiário financeiro, apenas um recorte do que pareceu ser as impressões (da entrevistadora, ou do agência de mercado) sobre as falas de Lula. E ocorre em meio a críticas de setores do mercado sobre a ofensiva contra Campos Neto, presidente do Banco Central, e a falta de corte de gastos pelo governo Lula.
Na entrevista, Renata Varandas questionou Lula sobre a meta fiscal, ao que respondeu:
“É apenas uma questão de visão. Você não é obrigado a estabelecer uma meta e cumpri-la se você tiver coisas mais importantes para fazer. Este país é muito grande, este país é muito poderoso. O que é pequeno é a cabeça dos dirigentes deste país, de alguns especuladores.”
Mas continuou: “Porque esse país não tem nenhum problema. Se o déficit é zero, se é 0,1, o que é importante é que o país esteja crescendo. O que é importante é que a economia esteja crescendo, que o emprego esteja crescendo, o salário crescendo. Nós vamos fazer o que for necessário para cumprir o arcabouço fiscal. Nós vamos criar um país com estabilidade jurídica. Nós vamos criar um país com estabilidade fiscal, com estabilidade econômica, com estabilidade social. Esse país terá previsibilidade.”
Mas esta continuidade da fala não foi divulgada pela Bloomberg ou pela Capital Advice. Após o episódio, a própria Record informou, na matéria da entrevista, que “o governo seguirá as regras do arcabouço fiscal”.
O movimento gerou críticas do próprio ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que tem feito um esforço de movimento de diálogo e atentado para o avanço do arcabouço fiscal. Segundo Haddad, é uma “especulação desnecessária” sobre a política fiscal do governo, uma vez que o presidente se comprometeu com o arcabouço fiscal na entrevista.
Imediatamente após a repercussão do vazamento descontextualizado, o governo federal e o Ministério da Fazenda divulgaram notas oficiais. Neste último, a pasta enfatiza a fala de Lula à entrevistadora:
“Vamos fazer o que for necessário para cumprir o arcabouço fiscal. Eu dizia na campanha que íamos criar um país com estabilidade política, jurídica, fiscal, econômica e social. Essa responsabilidade, esse compromisso — posso dizer para você como se tivesse dizendo para um filho meu, para a minha mulher —, responsabilidade fiscal eu não aprendi na faculdade, eu trago do berço.”
“A conjuntura de bons indicadores faz com que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha certeza de que o país vive um bom momento, e que a trajetória seguirá acompanhada de redução da desigualdade social, estabilidade fiscal e credibilidade internacional. Foi esse cenário que ele apontou durante entrevista concedida à jornalista Renata Varandas, da TV Record, no Palácio do Planalto, nesta terça-feira (16/7)”, trouxe a outra nota, do governo federal.
“Durante a conversa de quase 40 minutos, Lula defendeu a estabilidade econômica, o controle das contas públicas e a perseguição das metas de inflação”, acrescentou.
Antonio Uchoa Neto
17 de julho de 2024 2:26 pmLula tá parecendo mulher de malandro: faz de tudo para agradar o mercado financeiro e dele só toma porrada. E parece que está gostando. Vá se ter dó de canguçu, dever finezas a escorpião!!!
Joootapooontomarcelooo
17 de julho de 2024 4:32 pmPatricia seria o mercado do Seu Luís aqui da esquina de casa q disse isso ???
Paulo Dantas
17 de julho de 2024 6:50 pmNo Brasil até o que público vaza …
+almeida
17 de julho de 2024 7:05 pmencontrar um canal de televisão brasileiro que seja totalmente fiel a verdade do fatos, que seja fiel a toda produção da verdade dos acontecimentos, que seja fiel a não produção de noticiários distorcidos, que seja fiel ao não
uso de edições que possa favorecer um lado em prejuízo do outro, que seja totalmente fiel a tudo que for apurado, que for confirmado e que for noticiado ao público.
Seja qual for o acontecimento que não agrade aos anseios da empresa, que não agrade aos anseios dos seus anunciantes e patrocinadores, jamais esse segmento poderoso, que tanto pode interferir nas avaliações e decisões da população poderá permitir que qualquer pessoa trabalhadora da empresa, da pessoa titular até a pessoa de menor cargo, possa trair a verdade, a ética, a transparência e a honra jornalística usando da prática da deslealdade.
Os órgãos reguladores, em conjunto com setores da justiça e do legislativo deveriam imediatamente aumentar a rigidez das leis que já existem, mas que não são respeitadas por quem tira proveito e distorce os fundamentos da liberdade de expressão e da não censura.
José de Almeida Bispo
17 de julho de 2024 8:16 pmJornalismo no Brasil, que sempre foi sofrível, acabou. Foi substituído pelo puro releasismo, manipulado pela agiotagem, vulgo “mercado”. As ilhotas que ainda teima em praticar jornalismo são raras. Não basta ser inteligente nas respostas numa entrevista: vão editar de qualquer forma.
+almeida
18 de julho de 2024 1:07 pmCorreção – Eu entendo que está muito difícil de se encontrar um canal de televisão brasileiro que seja totalmente fiel a verdade do fatos, que seja fiel a toda produção da verdade dos acontecimentos, que seja fiel a não produção de noticiários distorcidos, que seja fiel ao não
uso de edições que possa favorecer um lado em prejuízo do outro, que seja totalmente fiel a tudo que for apurado, que for confirmado e que for noticiado ao público.
Seja qual for o acontecimento que não agrade aos anseios da empresa, que não agrade aos anseios dos seus anunciantes e patrocinadores, jamais esse segmento poderoso, que tanto pode interferir nas avaliações e decisões da população poderá permitir que qualquer pessoa trabalhadora da empresa, da pessoa titular até a pessoa de menor cargo, possa trair a verdade, a ética, a transparência e a honra jornalística usando da prática da deslealdade.
Os órgãos reguladores, em conjunto com setores da justiça e do legislativo deveriam imediatamente aumentar a rigidez das leis que já existem, mas que não são respeitadas por quem tira proveito e distorce os fundamentos da liberdade de expressão e da não censura.