4 de junho de 2026

A discussão que interessa sobre a Venezuela, por Luís Nassif

Se a Venezuela cair nas mãos da ultradireita, haverá uma ampliação do terremoto Milei. E um fortalecimento da ultradireita em todo continente
Luis Carlos Díaz - Flickr

Há uma discussão infindável e inócua sobre a Venezuela, especialmente nos grupos de esquerda. Ficam discutindo sobre vícios e virtudes do governo Maduro, quando o buraco é muito mais embaixo: qual o papel da Venezuela na estratégia geopolítica do Brasil para o continente.

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Críticos e admiradores, olhai os Estados Unidos e sua geopolítica. Não se julgam países por suas virtudes ou defeitos, mas por seu papel na estratégia geopolítica nacional. Não fosse por isso, não teriam apoiado os massacres de Netanyahu – um psicopata que é defendido, no Brasil, pela Conib e pela Federação Israelita de São Paulo, com o mesmo empenho com que setores liberais da Alemanha Nazista defenderam o início de Hitler. E há muito tempo teriam levantado o boicote à Cuba e à própria Venezuela.

O que está em jogo é a posição do Brasil na América do Sul, no BRICS e no realinhamento geopolítico com a China. Se a Venezuela cair nas mãos da ultradireita, haverá uma ampliação do terremoto Milei. E um fortalecimento da ultradireita em todo continente, inclusive no Brasil. É simples assim.

Mas que isso, fica sancionado o poder de retaliação dos Estados Unidos, que mantém a economia da Venezuela sob mais de 90 sanções. Antes desse boicote, a Venezuela acumulava o maior superávit da balança comercial brasileira.

O que está em jogo é isso, não os defeitos e virtudes de Maduro, um autocrata da pior espécie. Não há lógica em defender ou criticar virtudes e defeitos de Maduro, que não pode servir de exemplo para nenhum partido da esquerda democrática. Muito menos sancionar o golpe que a ultradireita vem tentando há anos.

Quando defende o processo eleitoral, mas não defende Maduro, Lula está agindo como age um Departamento de Estado. Interessa ao Brasil que a Venezuela não seja entregue à ultradireita. Simples assim.

Parafraseando um dito caipira, entre “nho ruim” e “nhô pior”, que se fique com “nhô ruim”.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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19 Comentários
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  1. Edivaldo Dias de Oliveira

    31 de julho de 2024 11:04 am

    Que não se acusem o jornalista Luís Nassif de radical/extremista, para mim, nem esquerdista ele é. A eleição de Maduro colocou a esquerda gourmet nos cascos.

    1. emerson57

      1 de agosto de 2024 12:35 pm

      “esquerda gourmet”
      Isso é “papo” de bolçotário.

  2. Edivaldo Dias de Oliveira

    31 de julho de 2024 11:13 am

    O ponto 6, dos 16 abordados por Maringoni, diz muito sobre democracia.

    De maneira geral, mesmo gente do nosso campo, busca na democracia americana, uma das mais imperfeitas, o modelo que se quer impor aos governos progressistas.

    De resto, Maduro está bem longe de ser se quer um estrategista meia boca, a expulsão de diplomatas que lhe fizeram críticas, é prova cabal disso. Poderia chamá-los a chancelaria, chamar seus embaixadores…enfim tinha um monte de alternativa, tomaou a pior.

  3. Paulo Dantas

    31 de julho de 2024 12:33 pm

    A questão é, sem entrar no mérito se as eleições foram justas, é que o povo venezuelano tem o direito de errar.

    A gente “erramos” os argentinos pelo visto também.

    Não vou defender Maduro, Lula o defende e só recebe humilhação em troca.

    Pelo cheiro da coisa houve fraude, mas é imprudente afirmar.

    1. JOSE MONTEIRO

      1 de agosto de 2024 10:53 am

      Não sei onde voçê leu ou ouviu que Lula apoia o resultado da eleiçao venezuelana. Pelo contrário, está aguardando as provas da legalidade na condução e apuração da contagem dos votos

  4. José de Almeida Bispo

    31 de julho de 2024 1:25 pm

    A esquerda brasileira, via de regra, pensa segundo a programação feita pela Rede Globo. Mesmo quando supostamente é contra, é o contra programado nos aquários da central de releasismo, digo, de jornalismo da emissora.
    Por isso que petismo-lulismo ainda consegue sobressair: pensa através de Lula; e não da Globo.

    1. emerson57

      1 de agosto de 2024 12:42 pm

      Concordo.
      A globo dita a pauta da esquerda e da direita civil, judiciária, jornalística, religiosa, militar e tantas outras.
      É muito cara ao gado nativo. Galvão, filma eu!
      Poucos enxergam além disso.

  5. Jane Zveiter de Moraes

    31 de julho de 2024 1:37 pm

    Excelente! Mas está difícil da galera entender. Explica pro Conde q ontem deu um show de “falta de noção”.

  6. Ojojtajose.marcelo

    31 de julho de 2024 4:08 pm

    HAAA NASSIF DEIXA,É POLÊMICO,VCS NÃO AGUENTARIAM!!!
    Obs.:Seu site tá com falha no.sistema,ao aceesar esse artigo apareceu o emai e nome do ultimo q comentou aqui nos campos de preenchimento

  7. Rodrigo Lima

    31 de julho de 2024 6:50 pm

    São mais de 900 sanções. Importante para entender o contexto.

  8. Pedro Pereira de Oliveira

    31 de julho de 2024 8:18 pm

    Concordo plenamente com você nacif!

  9. emerson57

    1 de agosto de 2024 12:54 pm

    Se derrubarem o Maduro, no dia seguinte:
    Entregam o petróleo do povo venezuelano para as multinacionais,
    Privatizam a SABESP deles,
    Adotam o ensino militarizado,
    Mandam o ouro que ainda não foi roubado para Londres,
    Os preços dos derivados do petróleo terão paridade internacional,
    Descerão a mamona na rapaziada,
    Manifestarão o seu amor eterno à zélenski e ao santo netaniarru
    Privatizarão o Banco Central,
    Liquidarão todo emprego formal que encontrarem, exceto os dos amigos dos amigos.
    A vaca caminhará célere para o brejo.
    Haverá uma chuva de ROLEX para todo lado, enquanto o povo estiver na fila do osso!

    1. Yuri

      10 de agosto de 2024 12:49 am

      Se Deus quiser, que isso aconteça.

      1. emerson57

        12 de agosto de 2024 10:20 am

        Quem sou eu para questionar deos
        ele que cuide de seus problemas e
        A Venezuela que cuide dos seus.

  10. patricio

    1 de agosto de 2024 4:32 pm

    A Democracio, segundo Churchill: “Mas surge a questão — e podemos permitir-nos refletir sobre ela por um momento — de saber quem são os amigos da democracia, e como interpretar a palavra “democracia”. A ideia que faço dela é que o homem simples, humilde, comum, homem do povo que sustenta mulher e filhos, que sai em luta por seu país quando este se acha em dificuldades, que comparece às urnas nas ocasiões adequadas e coloca seu x na cédula eleitoral, mostrando o candidato que deseja eleger para o Parlamento, minha ideia é que esse homem constitui o fundamento da democracia. E é também essencial para esse fundamento que tal homem ou tal mulher faça isso sem medo e sem forma alguma de intimidação ou coação.

  11. patricio

    1 de agosto de 2024 4:36 pm

    A Democracia II, segundo Churchill : “Mas tenho um sentimento muito diferente em relação ao simulacros de democracia, às democracias que se denominam democracias por serem de esquerda. Há que haver toda sorte de gente para compor uma democracia, e não apenas esquerdistas, ou mesmo comunistas. Não admito que um partido ou um órgão se denomine democrata por estar enveredando cada vez para as formas mais extremadas de revolução. Não aceito que um partido seja necessariamente um representante da democracia pelo fato desse tornar tão mais violento quanto menos numeroso é.”

  12. patricio

    1 de agosto de 2024 4:41 pm

    A Democracia, segundo Churchill III final : “A democracia não se baseia na violência nem no terrorismo, mas na razão, no jogo limpo, na liberdade, no respeito aos direitos dos outros. A democracia não é meretriz apanhada na rua por um homem de metralhadora.”

  13. LUIS EDUARDO MERGULHAO RUAS

    2 de agosto de 2024 10:14 am

    Nassif, com todo respeito, se você chama Maduro de autocrata, deveria ter essa ideia de Chavez também. Como so dois seguem a lei e a Constituição da Republica Bolivariana e reconhecido duas derrotas, fica meio difícil você classificá-los dessa maneira. Na verdade, o que essa situação expressa é a existência de uma esquerda progressista liberal- que com todo o direito não quer romper com a logica do capital e vê a democracia libera l como a unica possível – e uma a esquerda que busca superar esse estado de coisas, sendo profundamente anti-imperialista . Algo que não é fácil , deixo claro. Um abraço

  14. Geraldo Lucchese

    3 de agosto de 2024 9:18 pm

    Então temos que a democracia na Venezuela é o principal problema do mundo, segundo a mídia hegemônica ocidental dos últimos dias. Não, não é o massacre de mulheres e crianças em Gaza, nem os 195 funcionários da ONU, a instituição criada para evitar novas guerras, mortos por Israel, nem os 154 familiares destes. Não são os rios amazônicos, como o Madeira e o Purus, ficando sem volume de águas, nem os povos ribeirinhos que ficam isolados. Também não são os gigantescos incêndios em biomas importantíssimos à vida no planeta. O grande problema é a eleição na Venezuela. Eu diria que o grande problema da Venezuela é ter muito petróleo de muito boa qualidade ali, pertinho dos EUA. Mas, tem gente que se diz de esquerda que prefere a ultradireita no poder lá, reforçando o trumpismo latino-americano. Lamentável.

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