21 de junho de 2026

Por cautela, Gonet quer esperar eleições para denunciar Bolsonaro

O argumento é de que as acusações contra Bolsonaro poderão interferir em candidatos bolsonaristas
O ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto: José Cruz/Agência Brasil

O procurador-geral Paulo Gonet quer esperar terminar as eleições municipais 2024 para dar andamento às denúncias contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. O argumento seria que as acusações contra Bolsonaro poderão interferir em candidatos bolsonaristas.

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Bolsonaro é alvo de, pelo menos, 25 investigações, na Justiça Eleitoral, no Supremo Tribunal Federal (STF) e em instâncias menores. Na Suprema Corte, são 5 os inquéritos que já tramitam de maneira mais avançada: o que apura a tentativa de golpe de Estado, o que envolve as milícias digitais, dos atos golpistas de 8 de janeiro, a de fraude no cartão de vacinas e a venda das joias árabes.

Estes processos seriam julgados pelo STF ainda neste ano, mas dependem, apenas, da apresentação das denúncias pela Procuradoria-Geral da República. Boa parte deles têm inquéritos da Polícia Federal também em andamento e prestes a serem concluídos.

Mas após a conclusão, a PF remete estas peças acusatórias à PGR, que é responsável por apresentar a denúncia que dá início, então, ao julgamento pela Justiça.

Mas o calendário oficial das eleições 2024, que começou a correr na última sexta-feira (16), poderá interferir na agenda de processos contra Bolsonaro. O Globo informou que a PGR está adotando uma ampla cautela com estas investigações e um dos fatores que pesaria são as eleições.

Isso porque, na prática, a defesa de Jair Bolsonaro pode alegar que haveria motivação política para processar o ex-mandatário, diante da influência do político nas eleições municipais e candidatos deste ano.

Em julho, por exemplo, a PF concluiu o inquérito de Bolsonaro sobre as joias milionárias, acusando o ex-mandatário de peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro na tentativa de venda. E em março, a PF terminou o inquérito contra Jair Bolsonaro sobre a fraude do cartão de vacinas.

Sobre esta última peça, o procurador Paulo Gonet pediu mais diligências sobre o caso. A medida foi interpretada como uma tentativa de “ganhar tempo” ou, ainda, tornar a acusação ainda mais sólida.

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Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

9 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    21 de agosto de 2024 11:58 am

    Ser tolerante com os intolerantes pode resultar no triunfo da intolerância. Pau nesse lambe-botas carga dos poderosos.

  2. Paulo Gil

    21 de agosto de 2024 12:43 pm

    Qualquer, Desculpa esfarrapada, serve para a dita Democracia no Brasil, as Instituições não funciona, para ritos processuais, ela só funcioana, para os penduricalhos,mamatas e esquema.

  3. Luiz Mattos

    21 de agosto de 2024 1:56 pm

    Conta outra Gonet,e daí que iria interferir? O que de fato essa gente quer é uma direita forte pra acoelhar o medroso PT.

  4. Douglas Barreto da Mata

    21 de agosto de 2024 2:02 pm

    Ou seja, ao se defender antes de ser atacada, a PGR viabiliza o argumento de uso eleitoral das denúncias.

    Como temos eleições em 2026, vai valer o mesmo argumento, desta vez, que a PGR denunciou porque queria impedir Jair Messias de ser presidente.

    Desde quando “essa cautela” é peça processual?

    Se há justa causa, denuncie, senão, arquive, e ponto.

  5. Paulo Cesar Moreno de Menezes

    21 de agosto de 2024 5:47 pm

    É por isso que temos que ficar engolindo os pablos marcarçais da vida, é por essas cautelas que temos hoje os políticos que temos.

  6. dan.schneider

    21 de agosto de 2024 7:52 pm

    De adiamento em adiamento o gado enche o papo e as serpentes serelepes crescem fagueiras, esfomeadas, esperando dar o bote fatal nas débeis instituições&pessoas. Esperando Gonet.

  7. AMBAR

    22 de agosto de 2024 12:41 am

    Se um procurador de justiça tiver medo do que o advogado do meliante que ele deve denunciar vai alegar na sua defesa, será melhor que vá fazer outra coisa, sei lá, dar banho em cachorros, pentear macacos, essas coisas. Nunca devemos subestimar a capacidade que o Lula tem de escolher os seus inimigos.

  8. José de Almeida Bispo

    22 de agosto de 2024 9:52 am

    Sei…

  9. Marcelo

    22 de agosto de 2024 9:54 am

    Pessoal, foi o Globo que “informou” isto? Acho que o Globo, a Globo e parte da mídia querem isto. Não denunciar vai interferir a favor dos candidatos bolsonaristas, isto sim. Entendo que a denúncia deva ser feita com a brevidade possível já que é um poder dever do PGR (Princípio da Legalidade). Feita a denúncia, caso os candidatos bolsonaristas se sintam prejudicados, que procurem se desvencilhar do denunciado. A escolha ou a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória.

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