10 de junho de 2026

O processo de naturalização de Pablo Marçal, por Luís Nassif

Colunistas da grande mídia são incapazes de entender os efeitos da montagem de redes sobre a política, mesmo após a ascensão de Bolsonaro.

É inacreditável a incapacidade brasileira de aprender com a tragédia. O país testemunhou o que foi a leniência da Justiça com os abusos do então deputado Jair Bolsonaro. Está testemunhando o que acontece agora com Pablo Marçal.

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Não assisti sua entrevista à Globonews, mas a enquete que o Globo fez com colunistas do jornal é uma demonstração cabal da ignorância coletiva nacional. Nem se diga do artigo de Joel Pinheiro da Fonseca, na Folha, o grande sem-noção da atualidade, que defende até o comércio de órgãos humanos. Mas o tratamento dele, como “empresário”, é a maior demonstração da falta de senso de mídia. 

E os comentários do Globo são de arrepiar.

Pablo Ortelado, um sociólogo da USP, tratou Marçal como um “Dória goiano Tik Toker”. Ortellado foi o principal defensor dos “black blockers” nas manifestações de 2013, o fator que provocou a reação que jogou as manifestações nas mãos da direita. Logo depois, foi contratado pela revista Veja para um trabalho visando equiparar blogs de esquerda aos blogs de ultradireita geradores de fake news.

Agora, trata como “empresário” um coach que vende livros de auto-ajuda disfarçando-se de convicto evangélico, atropela todos os procedimentos legais, tem vinculações claras com pessoas ligadas ao PCC e defende uma radicalização mais ampla que a de Bolsonaro.

Outros colunistas elogiaram a postura “mais amena” de Marçal, como se não fosse uma encenação. Se vissem Hitler tocando violino, o tratariam como um sujeito de bons sentimentos.

Poucos se ativeram ao essencial para um candidato a prefeito: as propostas para São Paulo. Ou as implicações de sua candidatura para viabilizar uma ultradireita mais rancorosa e irracional.

São incapazes de entender os efeitos da montagem de redes sobre a política, mesmo após a ascensão de Bolsonaro. São incapazes de entender que quem afronta as regras do jogo, não pode permanecer no jogo. São incapazes de questionar sequer os negócios de Marçal. Ou as acusações absurdas de que Boulos é usuário de drogas.

Nada disso contou para esses analistas do momento presente.

Recentemente, o próprio Marçal admitiu que está sendo investigado pelo COAF. Tem negócios nebulosos com Angola, não registrados no Banco Central. Em 2023, uma investigação da Polícia Federal constatou que as inúmeras empresas que declararam são meros CNPJs, sem demonstrações contábeis adequadas.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

14 Comentários
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  1. Douglas Barreto da Mata

    27 de agosto de 2024 10:54 am

    Nassif, me permita um olhar diferente.

    Para você a normalização do mal, personificado nesse mais novo espantalho, é uma coisa que acontece por causa da falta de percepção dos jornalistas.

    Ouso dizer que não.

    Não é uma deficiência, melhor dizendo, é sim, mas uma deficiência moral mesmo.

    Porque eles sabem exatamente do que se trata, e se inscrevem como voluntários nessa “viagem”.

    Foi assim desde sempre.

    Mas você, eu entendo as razões, tenta amenizar essa constatação, até para preservar seus laços de sociabilidade com seus pares.

    Faz parte.

    Mas isso tem limites.

    O jornalismo é, e sempre foi, um dos pilares da estrutura de dominação ideológica de classes, embora vocês gostem de se imaginar como “heróis da democracia”.

    Nem há heróis nesse jogo, nem tampouco democracia no capitalismo.

  2. Fábio de Oliveira Ribeiro

    27 de agosto de 2024 11:07 am

    Você presume que os referidos colunistas pode ser pautados pela verdade factual ou por critérios civilizatórios que levem em conta o interesse público de longo prazo. O mais provável é justamente o oposto, Nassif. Eles aplaudem e apoiam Pablo Marçal com o mesmo otimismo com que aplaudiram e apoiaram o golpe de estado disfarçado de Impeachment e com a mesma dedicação usada para apliar o poder de destruição em massa da Lava Jato. Esses caras farão qualquer coisa para destruir o PT e para impedir uma vitória de Lula na próxima eleição presidencial. Esse é o ponto, a imprensa é um vetor ativo do ódio de classe. E os tais comentaristas são regiamente pagos para vomitar esse ódio. E eles farão qualquer coisa para ampliar seus lucros e os lucros dos patrões deles caçando cliques com ajuda de Pablo Marçal. Em breve eles começarão a atacar a Justiça Eleitoral porque as regras do jogo da imprensa são muito diferentes das regras do jogo democrático.

  3. Luiz Fernando Juncal Gomes

    27 de agosto de 2024 11:41 am

    TSE
    Faltam exatos 40 dias para as eleições. Tempo mais do que suficiente para o TSE chutar a lata de lixo, assim como em 1989, com a candidatura SS.

    Ou então ele vai subir a rampa em 01.01.2027 ou 01.01.2031, no máximo.

    Dependemos cada vez mais do STF e TSE.

  4. Frederico Firmo

    27 de agosto de 2024 12:27 pm

    Em sua coluna de hoje, Joel diz que não devemos usar a “judicialização” e sim esperar o julgamento das urnas. Com isto, faz menção subliminar à briga STF e Congresso. Democrata que é, evoca o resultado soberano das urnas. Estes colunistas adoram falar em princípios, que em suas palavras, se tornam abstrações. Falam em liberdade de expressão, liberdades democráticas, e até defendem livres manifestações. Tudo para defender seus candidatos. Não é burrice nem ingenuidade, mas é má fé. Extremamente críticos com qualquer fala do presidente, eles dizem que as agressões de Marçal, ou todos os absurdos falados, e mentiras são completamente normais. De maneira canalha, posteriormente vão culpar o povo por votar mal, ao mesmo tempo que usam a máquina de imprensa para esconder e omitir fatos. Fingindo neutraliade vão continuar com seus julgamentos de valor contra o governo, e vão se indignar com as oscilações da bolsa e mercado. Vão considerar críticas ao BC, como intervenção ditatorial, e a diplomacia como fraqueza e leniência com ditaduras, enquanto tratam Netanhyahu com condescendência. Não vão falar da perseguição religiosa e a proibição da Igreja Ortodoxa, pelo democrata Zelensky. Na manchete do jornalão, Hulk, misto de colunista, entrevistador e apresentador, aparece com Zelensky criticando Lula por não ser neutro e não se aliar ao Ocidente democrático que continua enviando armas. Os colunistas da grande imprensa vão assim continuar a campanha de deconstrução de Lula e governo com vistas a 2026. Marçal faz parte da campanha e é para eles a possibilidade de derrota de Boulos. Em 2026 se não conseguirem um candidato próprio irão com um bolsonarista mesmo.

  5. Paulo Dantas

    27 de agosto de 2024 12:28 pm

    Os cabos eletorais da extrema-direita são os liberais* que não conseguem dar soluções para os problemas do cidadão comum e ficam em seus mundos de Nárnia, Enterprise, Marvelou outra ficção qualquer.

    Eles abrem espaços para estes “autenticos”.

    ______
    *Por liberais entendam os democratas de centro, direita e esquerda.

    1. Rafael

      27 de agosto de 2024 9:11 pm

      É a grande mídia que divulga e normaliza esses caras, foi assim com Bolsonaro que dias depois de tentar bater na colega estava sentado no sofá da Gimenez, está acontecendo agora com Marçal.

      1. Paulo Dantas

        28 de agosto de 2024 10:13 am

        Estes caras não precisam da grande mídia.

        Eles a pintam como inimiga, esquerdista.

  6. joel lima

    27 de agosto de 2024 12:30 pm

    Duvido que algum orgão eleitoral impeça de disputar um candidato de direita que tem 20 por cento do eleitorado. O único barrado foi um de esquerda, Lula, em 18, porque Gilmar Mendes via que era o único jeito de pôr o PSDB no planalto; o mesmo GM a quem o Nassif hoje chama de defensor da democracia ( difícil conter o riso após escrever isso. Pra pessoas como Gilmar Mendes e Xandão, a democracia é algo que serve se ela está aliada ao interesse deles. Gilmar não pensou duas vezes em mandar a democracia às favas quando ajudou no impeachment de Dilma e na manutenção de Temer no poder depois do escândalo da JBS e na prisão de Lula com o fim da segunda instância. Quem manda a democracia às favas uma vez, pode fazê-lo de novo ) . Já ouço gritos de gente falando que Bolsonaro está inelegível.Sim,em 24 e 25 certamente. Quero ver Xandão e Mendes não mudarem de ideia (como mudaram em relação à prisão de Lula quando viram que era a única forma de derrotar Bolsonaro ) em 26 com um governo Lula em crise econômica, o paramiliTarcísio não decolando e Bolsonaro tendo mais de 30 por cento de votos garantidos. Tô vendo GM barrar Bolsonaro numa situação dessas em nome da democracia (rss) O que a esquerda tinha que fazer é tentar entender porque um tipo como Marçal tem tanto impacto entre jovens periféricos da cidade de SP. Entender qual a narrativa que seduz essa parcela do eleitorado e a partir daí criar uma narrativa que combatesse a de Marçal. Mas pelo jeito é mais fácil sempre culpar o povo, dizer que é fascista, nazista, crente, que gosta de bandido, etc . Mas como exigir que Boulos tenha capacidade de criar uma narrativa que traga eleitores pra ele ( como JK fez nos anos 50 ) se nem Lula, milhões de vezes mais capaz politicamente do que Boulos, conseguiu fazer isso em quase dois anos de governo. Lula acha ainda que só um quadro econômico melhor é suficiente pra hoje ter novos eleitores, que basta as pessoas terem mais picanha no prato que elas votam na esquerda. O cenário mudou. Lula precisa fazer que nem o Nassif, que recentemente se tornou fã dos Titãs: escutar a música COMIDA. Haddad poderia também fazer isso, mas está mais preocupado em oferendas ao Deus Déficit Zero, mesmo que seja às custas da epidemia de jogos online e, se bobear, dando os pulmões detonados dos viciados em cigarro eletrônico.

  7. fabricio coyote

    27 de agosto de 2024 3:44 pm

    assisti à entrevista da cnn que me deixou corado: em determinado momento, o jornalista (no Brasil é uma piada) disse q especialistas diziam q era impossível construir um teleférico, e o pablo boçal replicou, me diga o nome do especialista? rs rs rs (em determinada campanha para prefeitura da capital do Espírito Santo, o então concorrente pelo pt prometeu um metrô, só o projeto em computação gráfica tinha ficado em milhões de reais, ou seja, como precificar linguagens de informática que somente muito poucos dominam?)

  8. José de Almeida Bispo

    27 de agosto de 2024 5:49 pm

    Não chegamos ao fundo do poço ainda (se é que o poço tem fundo). A elite colonial só muda quando de nada mais adiantar a mudança.
    Exceto se alguém mudar por conta própria, com tem acontecido, tudo continuará fluindo para o abismo.
    E agora mais do que nunca eles estão certos de que estão certos; conforme as projeções computacionais… têm fé no modelo.

  9. Rui Ribeiro

    27 de agosto de 2024 8:39 pm

    Calunistas do merdia murdochiana são papagaios de pirata

  10. Rui Ribeiro

    27 de agosto de 2024 8:44 pm

    Eles só sabem repetir o esguicho se seus patrões

  11. Rui Ribeiro

    28 de agosto de 2024 7:53 am

    “A gente tem um presidente que fez uma maior quadrilha, desviou mais de 1 trilhão e vocês estão se apegando em coisas que eu peguei R$ 350 para ajudar na minha casa”. – Marçal
    O desvio trilionário supostamente feito pelo Lula dá ao Marçal o direito de desviar R$ 350,00 para ajudar na sua casa. Qual o problema? Dois erros resultam num acerto.

  12. Stalingrado

    28 de agosto de 2024 6:34 pm

    Ora, Nassif, esqueceu que é tudo menos o PT?

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