22 de maio de 2026

A volta da Comissão dos Desaparecidos e a incógnita do governo Lula

Ficará a indagação final: como o governo irá participar do evento, qual o sinal simbólico para garantir que os porões serão devassados?
Ravi Santana - Carta Capital

No auditório 3 da Câmara, ontem, juntaram-se pela enésima vez os familiares de mortos e desaparecidos pela ditadura. Mas uma vez, tenta-se retomar os trabalhos da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos..

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Diva Santana, guerreira antiga, lembra a tragédia, os números de estudantes, agricultores, indígenas, militares, mortos pela ditadura.

Sexta-feira haverá a retomada da Comissão – com a mesma estrutura demitida por Jair Bolsonaro no primeiro ano do seu governo. Esperava-se a presença do presidente da República para o ritual final de reconhecimento: em nome do país, apresentar o pedido de desculpas.

Mas, no evento de hoje, não havia esperança que isso ocorresse. Hoje, Lula compareceu a uma escola de preparação de militares, em um momento em que as Forças Armadas preparam-se para punir parte dos militares conspiradores.

No meio do evento, entrou um grupo de estudantes. O neto de Mário Alves – morto pelo DOPS do Rio de Janeiro – lembrou sua atuação estudantil na Bahia. 

É lembrado também o ato infame do Supremo Tribunal Federal, incluindo na anistia torturadores e outros criminosos de crimes contra a humanidade. Os responsáveis pelo pacto da anistia foram os juristas Sepúlveda Pertence e Nelson Jobim, negociando em nome do povo brasileiro. O temor dos militares era tão grande que perdoaram-se até crimes cometidos depois da anistia – como a morte da secretária da OAB-Rio, a tentativa de explosão do Riocentro, a tentativa de explodir dutos de gás no Rio de Janeiro.

Sexta-feira haverá a retomada da Comissão. Ficará a indagação final: como o governo irá participar do evento, qual o sinal simbólico para garantir que desta vez, finalmente, os porões serão devassados?

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

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2 Comentários
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  1. fabricio coyote

    28 de agosto de 2024 6:38 pm

    Enquanto não purgarmos os crimes imprescritíveis da ditadura, seremos sempre um país injusto, pois a Constituição da República de 1988 não anistiou ninguém torturador, ao contrário, do art. 5º:

    XLIII – a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura , o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem; (Regulamento)

    XLIV – constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático.

    Vê-se que as Cláusulas Pétreas são ignoradas pelo supremo tribunal federal. Por exemplo, milícias atentam contra o Estado Democrático, e a mídia somente coloca em pauta o marco temporal. Ora, se a tese do marco temporal retroage no tempo, muito mais lógico é o efeito ex tunc para crimes contra pessoas quando perpetrados por agentes do Estado.

  2. tiure poti

    29 de agosto de 2024 10:43 am

    E os Mortos e Desaparecidos indígenas (milhares) será que fará parte dessa nova-velha Comissao?
    Eis a questão, sr. Nassif

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