4 de junho de 2026

Ciro Nogueira e Jorge Oliveira no grande teatro burlesco Brasil, por Luís Nassif

O senador Ciro Nogueira, o pior dos bolsonaristas, fez uma denúncia ao TCU. O caso caiu com Jorge Oliveira, nomeado por Bolsonaro

Uma característica bolsonarista é usar a destruição como arma para combater o inimigo. Pouco importa se o objeto a ser destruído for de interesse nacional.

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Tome-se o caso do incentivo criado por medida provisória, para a construção de navios-tanques. O senador Ciro Nogueira, o pior dos bolsonaristas, fez uma denúncia ao Tribunal de Contas da União. O caso caiu com Jorge Oliveira, nomeado por Bolsonaro e, antes disso, Ministro-Chefe da Secretaria Geral da Presidência, do governo Bolsonaro.

Mas a maioria da cobertura limitou-se a afirmar que o Senador ofereceu denúncia ao TCU, que foi acatada por um Ministro. A identificação de ambos seria essencial para desvendar a manobra.

A alegação é a de que, se foi oferecido um incentivo fiscal, teria que haver a indicação da receita fiscal capaz de garantir o incentivo. Trataram o incentivo de algo que só existirá se houver incentivo, como se fosse despesa.

Fica-se sem saber se agem por malícia ou ignorância. 

Para entender:

  1. Se tenho uma produção de determinado bem e providencio um incentivo fiscal (como tantos que foram concedidos por Bolsonaro-Paulo Guedes) estou, de fato, provocando uma queda de receita fiscal que precisa ser compensada em alguma conta.
  2. No caso em questão, a lógica é outra. A título de exemplo, digamos que o Imposto real seja 100, mas o imposto incentivado 50. Ainda não existe o produto. Logo, o imposto é uma receita potencial futura. Sem incentivo, o produto não será fabricado. Sem o produto fabricado, não haverá pagamento de nenhum imposto e a receita perderá os seguintes valores:
  • os 50 que seriam pagos com os incentivos. Ou seja, a Receita não recebe nem o imposto completo nem o parcial;
  • todos os impostos pagos pelos fornecedores de peças do navio;
  • os impostos sobre a folha de pagamentos;
  • se houver continuidade no programa, o aparecimento de novas cadeias produtivas, que também gerarão impostos.

Ou seja, o subsídio gerará emprego, desenvolvimento e muito mais imposto do que se o navio não fosse construído. Falta um Cronos para dar jeito nos Uranos da política brasileira.

Mas o problema do Brasil não são propriamente os Jorges Oliveiras ou Ciros Nogueiras. Eles são apenas os espertos. O problema é uma tolice dessas prosperar sem questionamento.

É a mesma tolice trágica que diz que o BNDES impacta o Tesouro se cobrar, nas suas operações, menos que o custo da dívida – argumento que permitiu a Pérsio Arida prejudicar milhares de empresas por todo o país, encarecendo o custo do financiamento do banco.

A análise tributária do financiamento do BNDES é simples:

Custo fiscal do financiamentoA
Pagamento de tributos por parte do tomadorB
Pagamento de tributos por parte dos fornecedoresC
Tributos sobre a folha de pagamentos D
Custo fiscalA-B-C-D que, em geral, tornará o A negativo.
Ganhos adicionais
Aumento do emprego
Criação de cadeia de fornecedores
Fortalecimento do PIB e, por tabela, da arrecadação
Garantia de manutenção do crescimento fiscal, pelo crescimento da empresa financiada

BNDES e Ipea provavelmente têm bons estudos sobre essas chamadas externalidades positivas. Mas não há eco. Quando criou o Brasil, Deus deixou a árvore do bem e do mal florescendo na Faria Lima e decretou: no Brasil, em se plantando, dá, mas o plantio de maior retorno, para vocês, será em cima da ignorância da opinião pública. E mandou o anjo Arida, filho de comerciantes, para comer do fruto proibido e, tal qual um Netuno, devorara o legado do pai.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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9 Comentários
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  1. ed.

    23 de setembro de 2024 10:33 am

    Já a desoneração da folha, que “beneficia os 17 setores que mais empregam no país”, aí “have not pobrem”, né não?
    Neste MANTRA acima, deixam de informar que tal desoneração foi originalmente implantada pela (voluntariosa) presidenta Dilma para incentivar TEMPORARIAMENTE 6 (seis) setores especificamente estratégicos e como qualquer moleza dada à submedíocre “elite” deste país, foi expandida “jabutinamente” pelo congresso para 17 (dezessete) setores “nadaaver” e renovada além do prazo original, até que se torne permanente.
    Tudo em conformidade com a “alta competitividade” do empresariado mais parasita do planeta, que “detesta” uma. molezinha.
    Né?

    1. EDUARDO PEREIRA

      23 de setembro de 2024 11:21 am

      Pergunta óbvia, se foi criado 6 , porque o Temer Vampirão , o Bozo ladrão e o Congresso bobalhão não derrubou? Cartas para a redação. Ta pondo na conta dos outros a omissão dos “governos” depois do Golpe de Estado de 2016

  2. Adelson lima

    23 de setembro de 2024 11:07 am

    O caos é o alvo!

  3. +almeida

    23 de setembro de 2024 2:13 pm

    Um belo texto, que decanta e encanta no sentido técnico, literal e cultural.

  4. José de Almeida Bispo

    23 de setembro de 2024 2:49 pm

    E a China nadando de braçada, justo aplicando o que os malandros, vendedores de cinzas, da Faria Lima negam peremptoriamente. Não é à toa que geração após geração, matam qualquer esperança e literalmente qualquer um que, como Delmiro Gouveia, que tente fazer um pouquinho diferente.

  5. ALBERTO GOMES SAMPAIO

    23 de setembro de 2024 4:03 pm

    Simples, mamam no erário e trabalham contra o Brasil, durma com um barulho desses!

  6. IVO MENEZES

    23 de setembro de 2024 6:35 pm

    Que tristeza, ver o transatlântico Brasil sempre andando pra trás.

  7. Milton

    23 de setembro de 2024 7:27 pm

    De tudo ao meu amor serei atento
    Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
    Que mesmo em face do maior encanto
    Dele se encante mais meu pensamento
    “Dito isto”, jargão da hora, renovo, surpreso, a incapacidade de o governo Lula se comunicar com seus eleitores e povaréu em geral.
    Por aqui tivemos as “palestras” de Brizola às sextas-feiras pelas quais ouvíamos suas arengas e esclarecimentos aos “fatos” tratados pela mesma mídia desonesta que hoje aguilhoa Lula sem qualquer contraditório.
    Assim a “Terra plana” viceja forte bem regada e estrumada pelos “comentaristas” globais.
    Lula e seus ministros levam pancada por erros e acertos, visto que êstes, são apresentados por seus possíveis e improváveis problemas. Com paciência de Jó aguardam raras oportunidades que as redes de TV “se dignem” a conceder-lhes.
    Sei que fui excessivo em juntar o mestre Vinicius com a sujeira da política nossa da cada dia.

  8. Aurélio Medina Dubois

    24 de setembro de 2024 9:00 am

    A função do jornalismo neoliberal/conservador é sempre essa: informar o assunto e esconder o essencial.

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