5 de junho de 2026

“Guerra total”: O que disseram Israel, EUA, Líbano e Irã no Conselho de Segurança da ONU

Países trocaram ameaças de retaliação e cobraram posicionamento do Conselho sobre crimes de guerra e Resolução 1701
Amyr Said, embaixador iraniano na ONU
Amyr Said, embaixador iraniano na ONU

Um dia após o Irã lançar um ataque com mais de 200 mísseis sobre Israel, em resposta ao assassinato de lideranças do Hezbollah e de diplomatas em missões oficiais, os 15 membros do Conselho de Segurança da ONU se reuniram em Nova York nesta quarta (2) para debater a escalada do conflito no Oriente Medio.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, declarado persona non grata por Israel, abriu os trabalhos declarando que é preciso articular o cessar-fogo imediatamente pelas vias diplomáticas, a única forma de evitar uma “guerra total” na região.

Aqui está como os principais protagonistas dessa crise – Israel, EUA, Irã e Libano – se manifestaram:

ISRAEL, com Danny Danon, embaixador israelense na ONU:

Danon dobrou a aposta após o ataque do Irã e prometeu que Israel dará uma resposta “precisa e dolorosa”. Ele disse que o mundo precisa dar um passo atrás e ficar fora disso, pois o Irã vai pagar caro pelo ataque de mísseis desferido ontra Israel na noite do dia 30 de setembro. O embaixador diz que o governo iraniano parou de se esconder e colocou o rosto sob a luz e agora todos podem ver sua face monstruosa.

O embaixador israelense lembrou uma serie de ataques terroristas que, segundo ele, teriam sido patrocinados pelo Irã em outros países. “Por trás de cada bomba está o regime iraniano”.

Ele ainda perguntou o que outros países fariam se centenas de bomba – “um ataque inimaginável” – fosse desferido contra seus povos. “Nos vamos nos defender. Aqueles que nos atacarem sofrerão severas consequências. (…) O tempo para complacência acabou. (…) O tempo para simpatia e para desescalar a guerra passou.”

Em nome de Israel, ele apelou para que Irã seja punido pela comunidade internacional.

IRÃ, com Amyr Said, embaixador iraniano na ONU

Said acusou Israel de praticar genocidio e ilegalidades no Líbano. Afirmou que as forças israelenses violam direitos dos libaneses e assassinaram líderes do Hezbollah, além de um conselheiro do Irã em Beiture. Lembrou que, em abril de 2024, uma missão diplomática do Irã na Síria foi atacada e o Conselho de Segurança da ONU não tomou nenhuma medida. Em setembro passado, um líder do Hamas e ministro palestino foram atacados em agenda oficial. São violações ao direito internacional e à Resolução 1701, mas o Conselho da ONU nao faz nada disse ele.

“Irã pede paz e fim dos ataques a civis na região, mas Israel só entende a linguagem da força. Israel cometeu atos atrozes e a resposta do Irã foi necessária. E cada novo ato de agressão terá consequências e não será esquecido.”

“A comunidade internacional não pode se mater em silêncio. Conselho de Segurança da ONU precisa intervir para evitar que a situaçao fique ainda mais acirrada e se torne uma guerra regional”, defendeu o embaixador iraniano.

ESTADOS UNIDOS, com Linda Thomas-Greenfield, embaixadora americana na ONU

Ela disse que Israel defende a aplicação completa da Resolução 1701 da ONU mesmo estando em uerra com Hamas e Hezbollah. Para os EUA, a diplomacia permanece sendo a prioridade para o fim dos conflitos, por meio da Resolução 1701.

Porém, os EUA vão continuar respeitando o “direito de Israel de se defender do Hamas, Hezbollah ou houthis” (grupo do Iemen que faz ataques a Israel). “Mas como ele se defende importa. É preciso poupar os civis. Como disse o presidente Biden, os EUA apoiam Israel, mas suas ações precisam ser defensivas e Irã precisa ser responsabilizado por suas ações.”

LÍBANO, com Nuhad Mahmud, embaixador libanês na ONU

O embaixador prestou solidariedade a Antonio Guterres, que esta impedido de entrar em Israel, e acusou o pais comandado por Netanyahu de promover quase 12 meses de barbaridades aos civis em sua guerra contra o Hamas, praticando crimes de guerra.

Afirmou que Israel distorce a narrativa da guerra local, atacando deliberadamente e fazendo parecer que é apenas defesa. Clamou pela implementação completa da Resolução 1701, com a saída imediata das forças israelenses do território libanês. Só assim, disse ele, essa guerra cega e bárbara poderá ter um cessar-fogo.

Ele também defendeu o caminho diplomático como solução para o massacre de Israel contra os palestinos. O embaixador falou que e obrigação do Conselho de Segurança da ONU evitar a implosão do Oriente Médio, e pediu ajuda dos demais paises com doações para fazer frente à crise humanitária.

Mahmud ainda lembrou que Israel já invadiu o Líbano três vezes, e sempre terminou com morte de milhares de civis, seguido da derrota e recuo das tropas israelenses. “Está última tentativa não será diferente”, disse.

ONU, o secretário-geral Antonio Guterres

“A linha azul sofre tensões há anos, mas desde outubro a troca de tiros se expandiu em profundidade e quantidade. Aguerra entre Hezbollah, Hamas e outros grupos armados não-estatais e as tropas de Israel são uma violaçao à Resolução 1701 da ONU. A sobernia do Líbano precisa ser respeitada em todo seu território.”

“Com a escalada dos últimos dias, eu me pergunto o que resta da estrutura que este Conselho estabeleceu com a Resoluçao 1701.”

Segundo Guterres, os civis estão “pagando as contas. “Mais de 1700 morreram no Líbano e 300 mil estao desalojados. Cerca de 128 mil pessoas, tanto sírias quanto libanesas, deslocaram-se para a Siria.”

“É essencial evitar uma guerra total no Líbano, que teria consequências profundas e destruidoras.”

Leia também:

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

6 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    2 de outubro de 2024 4:11 pm

    O contra-ataque do Irã foi bem planejado e executado com muita precisão. Israel pode ou não ampliar o conflito, mas cometerá um erro mortal se acreditar que Teerã não está preparada para uma guerra de grandes proporções. Nesse momento, as Bases Schrödinger dos EUA na região estão e não estão vivas.

  2. Rui Ribeiro

    2 de outubro de 2024 5:09 pm

    O sistema anti-míssil de Usrael só é páreo ara os mísseis do Hamas e do Hezbollah, mas não para os misseis hipersônicos do Irã, que viajam 5 vezes mais velozmente do que o som. E para os da Rússia nem se fale

  3. Wagner Lemes

    2 de outubro de 2024 5:36 pm

    A ONU inércia total e passando o pano para o que o genocida do Netanyahu está fazendo, com o total patrocínio do EUA e da UE, este genocida deu uma banana para o próprio EUA, comportando-se como um filho delinquente e mimado. Tolerância zero para este país Israel enquanto ainda há tempo. Corremos o risco de uma 3º guerra mundial. Prisão para este criminoso de guerra. Conter imediatamente Israel parando está carnificina e tribunal internacional para todos que estão no comando com este genocida do Netanyahu. Tem que ser agora antes que mais vidas corram risco.

  4. +almeida

    2 de outubro de 2024 6:39 pm

    Chegamos a um momento perigosíssimo nessa escalada insana de bombardeios bélicos e de ataques de pelancas, onde autoridades governamentais de diversos países que são cultas, experientes e bastante vividas, nos fazem entender que preferem dar as mãos ao Demo, ao Terror, ao Horror e ao possível Apocalipse, já previsto na Bíblia. Onde iríamos imaginar que, talvez, a partir da Terra Santa indicada por Deus e das suas fronteiras, quem diria que a partir delas poderão ser abertas as portas do inferno? Como a evolução humana no mundo chega ao ponto de se calar e permitir que pequenas centenas de supostas autoridades enlouquecidas, desequilibradas e sem mais nenhum vestígio de humanidade destro de si possam desrespeitar, brincar e jogar no lixo da desimportância bilhões de espécies de vidas, em nosso planeta?
    O crescimento e a multiplicação humana pedida por Deus foi atendida. Porém, a história milenar da raça humana mostra que entre o amor ao próximo e as diversas tentações do pecado, o fracasso humano pode muito bem indicar qual foi a escolha adotada, desenvolvida e imperiosa.
    Enquanto a humanidade adoece, passa fome e é conduzida pelos falsos lideres para a escravidão e para a sarjeta da sobrevida, esses falsos líderes comportam-se como diabinhos mimados a destruírem tudo que não é agradável aos seus gostos, aos seus sentidos e as suas escolhas.
    As guerras, as agressões, as invasões e as matanças generalizadas, estúpidas, injustificáveis sob qualquer ponto de vista e álibi de defesa, confirmam e ratificam o milenar fracasso humano.
    De Adão e Eva até aos líderes atuais das diversas nações no Planeta Terra, a raça humana vira as costas para Deus, Jesus e Maria, o fim só Deus sabe, mas as previsões …

  5. Rui Ribeiro

    2 de outubro de 2024 8:24 pm

    Agora as armas são menos desproporcionais. Agora são dois Golias se digladiando. Ao contrário de Gaza, o Irã não é Davi. Quero ver o mundo arder não só por causa das mudanças climáticas mas também pela detonação de todas as armas existentes com todas as munições disponíveis. Sou assim, não quanto aos evanjegues

  6. Rui Ribeiro

    3 de outubro de 2024 8:59 am

    Vamos botar o Ali Khamenei e o Netanyahu num tatame e dar um punhal a cada um deles para que se matem e deixem de oprimir e explorar a população trabalhadora. Dois Ratos

Recomendados para você

Recomendados