4 de junho de 2026

O terrorismo do Tesouro com as estatais, por Luís Nassif

Se fossem menos cabeças de planilha, os técnicos que elaboraram o estudo estimariam o preço dos serviços prestados por essas estatais

A Secretaria do Tesouro Nacional usou um truque engenhoso para apontar prejuízos das estatais. Retirou da conta todas as estatais que vendem serviços ao público. E deixou apenas aqueles que fornecem serviços ao Estado. Tirou os bancos, por serem instituições financeiras, e a Petrobras, por ter governança.

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Teria sido mais honesto dizer que tirou todas as que dão lucros e deixou apenas as que prestam serviços. A única exceção foram os Correios, que registraram prejuízo de R$1,3 bilhão no semestre. Como é uma empresa pública essencial, inclusive para dar um mínimo de viabilidade ao comércio independente, espera-se que encontre o rumo em breve.

Se incluir todas as estatais, o governo recebeu R$ 51,5 bilhões em dividendos no acumulado de 12 meses até agosto de 2024.

Houve valores maiores em agosto do ano passado (pegando um pedaço de 2022) e em agosto de 2022, mas devido à política de canibalização das estatais, da venda de patrimônio em operações nebulosas, visando aumentar a distribuição de dividendos – já que essas estatais têm participação privada.

Por exemplo, a Petrobras vendeu a Refinaria Landulpho Alves (RLAM) em 2021 por US$ 1,8 bilhão.  Houve a venda da BR Distribuidora, com R$ 11,3 bilhões. E diversos campos de petróleo e gás.

No total, a queima de patrimônio da Petrobras chegou a quase R$ 34 bilhões apenas no governo Bolsonaro até agosto de 2022.

O mesmo aconteceu com o BNDES, que vendeu R$ 22,4 bilhões em ações da Petrobras, resultando em uma perda de R$ 22,4 bilhões dos dividendos que a empresa distribuiu no período.

O mesmo ocorreu com a Caixa Econômica Federal que vendeu a Caixa Seguridade e a Caixa Cartões. 

E quais as estatais que, afinal, deram prejuízo?

EstataisResultado (R$ bilhões)
Correios (logística)-R$1,5
Emgepron (construção naval)-R$ 0,7
Dataprev (tecnologia da informação)-R$ 0,4
Serpro (tecnologia da informação)-R$ 0,4
Hemobrás (farmacêutica)-R$ 0,2
Infraero (aviação) -R$ 0,2
ENBPar (energia) R$ 0,4

Vamos entender o papel de cada uma delas:

A Emgepron (Empresa Gerencial de Projetos Navais) é uma estatal vinculada ao Ministério da Defesa e atua principalmente no apoio ao desenvolvimento e à gestão de projetos estratégicos da Marinha do Brasil. Sua função principal é fornecer suporte em áreas como construção naval, modernização de embarcações e gerenciamento de projetos navais, além de contribuir para a indústria de defesa nacional. Além de atender às demandas da Marinha, a Emgepron também oferece serviços e produtos para o mercado civil e internacional, o que contribui para a geração de receita. Ela representa um custo, não um prejuízo.

A Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social) é uma estatal vinculada ao Ministério da Previdência Social que fornece soluções tecnológicas para a administração pública. A empresa tem um papel essencial na gestão de dados previdenciários e sociais e no suporte à implementação de políticas públicas voltadas para o cidadão. A Dataprev teve papel central na implementação do Auxílio Emergencial durante a pandemia da Covid-19, processando milhões de pedidos e integrando dados de diferentes bases governamentais para evitar fraudes.

O Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) é uma estatal brasileira vinculada ao Ministério da Fazenda, e sua principal função é fornecer soluções de tecnologia da informação e serviços de processamento de dados para órgãos e entidades da administração pública. 

A Hemobras (Hemobras – Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia) é uma estatal brasileira vinculada ao Ministério da Saúde. Sua principal função é a produção e distribuição de hemoderivados, que são medicamentos derivados do sangue, essenciais para o tratamento de diversas condições de saúde.

A ENBPar (Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional) é uma estatal brasileira criada em 2021 com a função de administrar e coordenar ativos estratégicos do setor energético, com foco em energia nuclear e projetos binacionais, especialmente a Itaipu Binacional. Sua criação ocorreu como parte da reestruturação do setor energético, com o desmembramento de algumas atividades que eram geridas pela Eletrobras, após a privatização parcial desta empresa.

Se fossem menos cabeças de planilha, os técnicos que elaboraram esse estudo ao menos estimariam o preço dos serviços prestados por essas estatais aos respectivos ministérios. Aí, ao menos serviria de subsídio para uma melhoria gerencial. Do modo como o trabalho foi elaborado, serviu apenas para alimentar manchetes terroristas.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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13 Comentários
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  1. grevista

    22 de outubro de 2024 8:59 am

    Nassif deveria relatar a importância dos técnicos do Tesouro para o golpe contra Dilma. Partiu deles a denúncia a respeito de “pedaladas fiscais”, por conta dos conflitos com Arno Agustin, então secretário. Um deles, inclusive, salvo engano, chegou a ministro do planejamento de Temer. É um núcleo fortemente neoliberal.

  2. MARCO ANTONIO CASTELLO BRANCO

    22 de outubro de 2024 9:35 am

    Nassif…a pergunta que não quer calar é a motivação dos tecnocratas comandados por Rogério Ceron para divulgarem algo tão enviesado. Com certeza o objetivo não foi informar a opinião pública. Jabuti não sobe em árvore. Ou é enchente ou mão de gente!
    Lula não precisa de se preocupar com a oposição bolsorentista fora do governo. Deve se concentrar em eliminar aquela que o está sabotando debaixo de seus olhos!

  3. Jotaabismado !!!

    22 de outubro de 2024 11:09 am

    EITAAA PORR… É MAIS GRAVE DO QUE EU PENSAVA,A MA?ONARIA É SUJA MRSMOOOO !!!

  4. Francisco Santos

    22 de outubro de 2024 12:30 pm

    A desonestidade intelectual da imprensa brasileira está cada vez maior

    Não se pode deixar o governo trabalhar e fazer prosperar o país, não, é preciso parcializar a realidade ou os dados governamentais para que caibam no discurso derrotista da mídia hegemônica familiar

    E por falar nisso quem regula ou pune essas fake news da imprensa hegemônica?

    1. Milton

      26 de outubro de 2024 9:32 am

      Há espaço para crescimento da desonestidade intelectual da imprensa ?
      Crescer onde ?
      As meias verdades/mentiras completas reinam nas manchetes e, pior, no texto.
      Só se partirem para o terraplanismo desbragado, o que não se pode duvidar.

  5. Ana Maria Amorim

    22 de outubro de 2024 1:38 pm

    O SERPRO é responsável pelo processamento dos pagamentos dos impostos de renda da Pessoa Física e da Pessoa Jurídica.

  6. Pedro Gilberto

    22 de outubro de 2024 5:26 pm

    A ENBPar teve lucro no período analisado de 2024, não foi prejuízo.

  7. victor

    23 de outubro de 2024 7:47 am

    A Secretaria do Tesouro também é um orgão independente como o BC ou está subordinada ao Ministério da Fazenda? Tem comer todo mundo no esporro e enquadrar os cretinos que tentam sabotar todo o esforço de reconstrução da credibilidade do Brasil.Esses caras de pau se sentem acima da Lei e dos interesses nacionais. Pau neles!

  8. victor

    23 de outubro de 2024 8:04 am

    Uma pergunta interessante: Teria a Secretaria do Tesouro gerado algum “lucro” para o Tesouro Nacional ou só está dando despesa por enquanto (Vencimento inicial do analista = R$ 19.197,06)?

  9. João Citelli

    23 de outubro de 2024 2:25 pm

    É a imprensa preparando terreno pra venda das estatais lucrativas.

  10. Sander Rezende

    23 de outubro de 2024 11:30 pm

    Se parte desse lucro ficasse na CAIXA ela teria mais condições de modernizar suas estruturas e prestar um melhor atendimento social. Que é o seu papel.

  11. Fernandes

    24 de outubro de 2024 3:53 pm

    Perfeito Nassif.👏👏

    1. Mario Salles

      26 de outubro de 2024 9:27 am

      Nosso inimigo são os juros pagos da dívida pública , que precisa ser auditada e essa taxa de juros pornográfica praticada pelo BC, sem nenhuma justificativa técnica. Não temos inflação por demanda então ..
      Onde foi parar os 1,2 trilhões de reais do tesouro repassado prós bancos fazer bombar a economia no governo passado ? Que presta conta do din Din?

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