10 de junho de 2026

O último ato de um policial federal que questionava, por Sandro Araújo

"Jamais entendi o anacronismo da estrutura. Missões sem sentido, prisões ilegais. Muitos e muitos inocentes presos sem provas", diz policial
Foto: Arquivo Pessoal Sandro Araújo

Por Sandro Araújo

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O último ato de uma jornada que nasceu fadada à derrota. Não. Eu nunca quis ser policial federal. Nem quando criança e muito menos quando me tornei adulto. Até porque, em 1993, quando me inscrevi, as informações sobre a carreira eram escassas e muito folclóricas.
Fiz a prova por questões da vida que eu tinha na época. E só.

Mas quis o destino que eu passasse. Mais ainda, no meu concurso, fui o primeiro formado a escolher trabalhar no RJ.

E assim, há 28 anos iniciei minha jornada, recebido por legendários tiras antigões, que faziam incursões com uma pistola em cada mão, num estilo meio “Billy The Kid”.

Mergulhei no submundo do crime do Rio de Janeiro.

O garoto que andava sempre com livros de Garcia Marquez embaixo do braço se transformou aos poucos num policial de verdade.

E aí começaram as mazelas. Jamais entendi o anacronismo da estrutura. Missões sem sentido, prisões ilegais. Muitos e muitos inocentes presos sem provas, para saciar vaidades de meia dúzia.

Coloquei-me aberta e assertivamente contra o que considerei errado. E fui duramente perseguido por conta disso. Um asssedio moral sem precedentes, que culminou com uma prisão que me levou a um presídio de segurança máxima por três semanas. Pelo que? Por nada, como ficou provado na justiça. Preso sem provas…

Daí veio o Transtorno de Estresse Pós Traumático. E eu, apesar de tentar lutar para voltar a normalidade do trabalho, afundei-me de forma contundente na doença mental. Isso sem ser poupado em momento algum, do insistente assédio moral por parte de alguns.

Cheguei ao ápice do TEPT. Fiquei inviabilizado até para sair simplesmente de casa. Fobia social extrema. Pesadelos diários. Luta constante para manter a sanidade…

Até que tudo chegou ao fim…
Inviável
Incapaz… ou incapacitado, como está escrito.
Esta imagem traduz o último ato.
Acabou.

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3 Comentários
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  1. Jair Soares

    15 de novembro de 2024 8:09 pm

    Lamentável que uma das instituições mais confiáveis do país tenha se transformado numa máquina de moer… e se já era ruim, piorou após o ódio coletivo ao PT, disseminado pela porca mídia brasileira.

    1. Ana

      17 de novembro de 2024 10:39 am

      Será que transformou ou já nasceu podre e a gente não sabia?🤔

  2. AMBAR

    16 de novembro de 2024 1:01 am

    É bem assim, o maior inimigo é o colega do lado. O serviço público em alguns setores é uma sucursal do inferno, especialmente na polícia. O sistema quebra qualquer moralidade. O servidor entra cidadão e sai um bagaço, ou então, vira um um psicopata e se volta contra a sociedade.

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