O jornalista Marcelo Auler teve suas contas bancárias pessoal e empresarial bloqueadas e zeradas no último dia 14, a mando de um juiz de Curitiba que determinou a medida para indenizar uma magistrada do Paraná, que alegou ter sofrido “danos morais” por reportagens publicadas no Blog do Marcelo Auler e no Jornal do Brasil em 2018.
Além de ficar sem fonte de subsistência, Auler teve suas reportagens censuradas e está proibido pela Justiça de falar do processo que tramita sob sigilo processual. Em nota, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e os Sindicatos dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ) e do Estado do Paraná (Sindjor-PR) manifestaram repúdio à decisão, que configura uma “afronta à liberdade de imprensa e ao direito à sobrevivência digna”.
O valor da indenização em primeira instância havia sido arbitrado em R$ 40 mil, mas caiu para R$ 30 mil na segunda instância. Porém, o bloqueio veio com uma cobrança mais alta, de R$ 76 mil. A mudança súbita ocorreu numa movimentação processual nebulosa que tramitou longe das vistas da defesa.
Para a defesa do jornalista, a remoção do conteúdo e proibição de comentar o teor das matérias novamente afrontam jurisprudências do Supremo Tribunal Federal. “O STF, desde o julgamento da famosa ADPF nº 130, em abril de 2009, estipulou que não há possibilidade de censura, nem mesmo por meios judiciais e menos ainda censura prévia, como a que me foi imposta.”
Segundo Auler, as matérias sobre a juíza M.R.H.L. foram removidas porque o Tribunal de Justiça do Paraná “considerou que se tratava de notícia falsa”, sem levar em consideração “testemunhas que apresentei, inclusive pessoas que lidaram com exilados haitianos residentes naquela cidade e acompanharam todo o drama dos mesmos, como eu relatei nas reportagens, após minha conversa com os mesmos.”
O advogado Rogério Bueno da Silva, que defende Auler, impetrou uma a Reclamação (RC) 67.543/PR pedindo a revisão da decisão do TJ e a suspensão do processo da 5ª Vara Cível até a análise final da Reclamação. Distribuída ao ministro André Cavalcanti, a Reclamação aguarda despacho desde maio de 2024.
Quem é Marcelo Auler
Marcelo Auler é um jornalista independente com vasta experiência em reportagens investigativas e policiais. Trabalhou nos principais meios de comunicação do país, com passagens pela Rádio Globo, O Globo, O Pasquim, Jornal Movimento, Revista Manchete, Jornal do Brasil, Jornal de Brasília, Folha de S. Paulo, Isto É, Revista Veja, O Dia, Carta Maior, O Estado de S. Paulo, Consultor Jurídico, CartaCapital, Lance!, entre outros.
Desde 2014, realiza uma cobertura corajosa e independente da Lava Jato, com furos de reportagens e informações que expuseram a faceta oculta e os abusos praticados pelos agentes envolvidos na Operação. Em parceria com o Jornal GGN, lançou em 2021 o documentário “Sergio Moro: A construção de um juiz acima da lei”, com mais de 330 mil visualizações no Youtube.
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Tania
20 de janeiro de 2025 12:48 pmAté quando o STF vai deixar o Paraná ser esse carro desgovernado?
Rui Ribeiro
20 de janeiro de 2025 1:00 pmOs Desembarcadores são aqueles que comem na mão do Luciano Hang?
Fábio de Oliveira Ribeiro
20 de janeiro de 2025 1:20 pmJá fiz uma colaboração e compartilhei.
Celia Maria Figueiredo Lacerda
20 de janeiro de 2025 1:57 pmMarcelo Auler excelente profissional e ser humano.Segue minha modesta contribuição por Pix.
ze sergio
20 de janeiro de 2025 2:15 pmCONHECEREIAS A VERDADE. E A VERDADE VOS LIBERTARÁ. REALMENTE O TEMPO É SENHOR DA RAZÃO. CENSURA, MORDAÇA, PERSEGUIÇÃO, TIRANIA SÃO ABSURDOS E CRIMES INACEITÁVEIS CONTRA A LIVRE EXPRESSÃO E O DIREITO DO EXERCÍCIO LIVRE DA IMPRENSA. MOSTRAM A ABERRAÇÃO DITATORIAL QUE INFESTOU O BRASIL NESTES ÚLTIMOS 95 ANOS, FOI REIMPLANTADO NO ÚLTIMO MEIO SÉCULO A PARTIR DE UMA FARSANTE E CORRUPTA PSEUDO REDEMOCRACIA E SE INSTALA DE FORMA CRIMINOSA EM TODOS TRIBUNAIS DO BRASIL, DAS CORTES PRIMÁRIAS ATÉ STF. MAS ENTÃO PERGUNTAMOS: ONDE ESTÁ ABI? ONDE ESTÁ OAB? O SILÊNCIO NÃO É APENAS COMPARSA, É CRIMINOSO TAMBÉM.
MARCOS GERHEIM VILLELA VIEIRA
20 de janeiro de 2025 5:36 pmO justiça do Paraná quer ser igual ao Rio de Janeiro
Cara de Capivara
21 de janeiro de 2025 2:46 amÉ uma vergonha o que ocorre com o judiciário brasileiro, porém infelizmente isso não é uma exclusividade dos estados do Sul. Aqui no Centro-Oeste brasileiro enfrentamos problemas semelhantes. Casos como esses mostram como o sistema muitas vezes opera de forma desigual e injusta, impactando diretamente aqueles que tentam exercer seu trabalho de forma ética e responsável. O apoio a jornalistas que denunciam essas práticas é essencial para fortalecermos a democracia e combatermos os abusos de poder.
Alexandre Santos
21 de janeiro de 2025 1:24 pmJusstiça corrupta e imoral
jairo.francisco de moraes junior
21 de janeiro de 2025 8:11 pm” Brasil mostra sua cara !”
VERGONHA !
Raquel Margarida de Mello Camargo
22 de janeiro de 2025 3:07 amO Tribunal de INjustiça do Paraná revela a perigosíssima contaminação que existe no Judiciário Brasileiro que coloca em risco os destinos de uma nação.
Essa situação tem que ser amplamente denunciada por toda imprensa.