18 de junho de 2026

Tribunal do Paraná zera as contas de Marcelo Auler para indenizar juíza

Ação contra o jornalista é uma afronta à liberdade de imprensa e ao direito à sobrevida digna, dizem entidades de classe

O jornalista Marcelo Auler teve suas contas bancárias pessoal e empresarial bloqueadas e zeradas no último dia 14, a mando de um juiz de Curitiba que determinou a medida para indenizar uma magistrada do Paraná, que alegou ter sofrido “danos morais” por reportagens publicadas no Blog do Marcelo Auler e no Jornal do Brasil em 2018.

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Além de ficar sem fonte de subsistência, Auler teve suas reportagens censuradas e está proibido pela Justiça de falar do processo que tramita sob sigilo processual. Em nota, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e os Sindicatos dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ) e do Estado do Paraná (Sindjor-PR) manifestaram repúdio à decisão, que configura uma “afronta à liberdade de imprensa e ao direito à sobrevivência digna”.

O valor da indenização em primeira instância havia sido arbitrado em R$ 40 mil, mas caiu para R$ 30 mil na segunda instância. Porém, o bloqueio veio com uma cobrança mais alta, de R$ 76 mil. A mudança súbita ocorreu numa movimentação processual nebulosa que tramitou longe das vistas da defesa.

Para a defesa do jornalista, a remoção do conteúdo e proibição de comentar o teor das matérias novamente afrontam jurisprudências do Supremo Tribunal Federal. “O STF, desde o julgamento da famosa ADPF nº 130, em abril de 2009, estipulou que não há possibilidade de censura, nem mesmo por meios judiciais e menos ainda censura prévia, como a que me foi imposta.”

Segundo Auler, as matérias sobre a juíza M.R.H.L. foram removidas porque o Tribunal de Justiça do Paraná “considerou que se tratava de notícia falsa”, sem levar em consideração “testemunhas que apresentei, inclusive pessoas que lidaram com exilados haitianos residentes naquela cidade e acompanharam todo o drama dos mesmos, como eu relatei nas reportagens, após minha conversa com os mesmos.”

O advogado Rogério Bueno da Silva, que defende Auler, impetrou uma a Reclamação (RC) 67.543/PR pedindo a revisão da decisão do TJ e a suspensão do processo da 5ª Vara Cível até a análise final da Reclamação. Distribuída ao ministro André Cavalcanti, a Reclamação aguarda despacho desde maio de 2024.

Quem é Marcelo Auler

Marcelo Auler é um jornalista independente com vasta experiência em reportagens investigativas e policiais. Trabalhou nos principais meios de comunicação do país, com passagens pela Rádio Globo, O Globo, O Pasquim, Jornal Movimento, Revista Manchete, Jornal do Brasil, Jornal de Brasília, Folha de S. Paulo, Isto É, Revista Veja, O Dia, Carta Maior, O Estado de S. Paulo, Consultor Jurídico, CartaCapital, Lance!, entre outros.

Desde 2014, realiza uma cobertura corajosa e independente da Lava Jato, com furos de reportagens e informações que expuseram a faceta oculta e os abusos praticados pelos agentes envolvidos na Operação. Em parceria com o Jornal GGN, lançou em 2021 o documentário “Sergio Moro: A construção de um juiz acima da lei”, com mais de 330 mil visualizações no Youtube.

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10 Comentários
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  1. Tania

    20 de janeiro de 2025 12:48 pm

    Até quando o STF vai deixar o Paraná ser esse carro desgovernado?

  2. Rui Ribeiro

    20 de janeiro de 2025 1:00 pm

    Os Desembarcadores são aqueles que comem na mão do Luciano Hang?

  3. Fábio de Oliveira Ribeiro

    20 de janeiro de 2025 1:20 pm

    Já fiz uma colaboração e compartilhei.

  4. Celia Maria Figueiredo Lacerda

    20 de janeiro de 2025 1:57 pm

    Marcelo Auler excelente profissional e ser humano.Segue minha modesta contribuição por Pix.

  5. ze sergio

    20 de janeiro de 2025 2:15 pm

    CONHECEREIAS A VERDADE. E A VERDADE VOS LIBERTARÁ. REALMENTE O TEMPO É SENHOR DA RAZÃO. CENSURA, MORDAÇA, PERSEGUIÇÃO, TIRANIA SÃO ABSURDOS E CRIMES INACEITÁVEIS CONTRA A LIVRE EXPRESSÃO E O DIREITO DO EXERCÍCIO LIVRE DA IMPRENSA. MOSTRAM A ABERRAÇÃO DITATORIAL QUE INFESTOU O BRASIL NESTES ÚLTIMOS 95 ANOS, FOI REIMPLANTADO NO ÚLTIMO MEIO SÉCULO A PARTIR DE UMA FARSANTE E CORRUPTA PSEUDO REDEMOCRACIA E SE INSTALA DE FORMA CRIMINOSA EM TODOS TRIBUNAIS DO BRASIL, DAS CORTES PRIMÁRIAS ATÉ STF. MAS ENTÃO PERGUNTAMOS: ONDE ESTÁ ABI? ONDE ESTÁ OAB? O SILÊNCIO NÃO É APENAS COMPARSA, É CRIMINOSO TAMBÉM.

  6. MARCOS GERHEIM VILLELA VIEIRA

    20 de janeiro de 2025 5:36 pm

    O justiça do Paraná quer ser igual ao Rio de Janeiro

  7. Cara de Capivara

    21 de janeiro de 2025 2:46 am

    É uma vergonha o que ocorre com o judiciário brasileiro, porém infelizmente isso não é uma exclusividade dos estados do Sul. Aqui no Centro-Oeste brasileiro enfrentamos problemas semelhantes. Casos como esses mostram como o sistema muitas vezes opera de forma desigual e injusta, impactando diretamente aqueles que tentam exercer seu trabalho de forma ética e responsável. O apoio a jornalistas que denunciam essas práticas é essencial para fortalecermos a democracia e combatermos os abusos de poder.

  8. Alexandre Santos

    21 de janeiro de 2025 1:24 pm

    Jusstiça corrupta e imoral

  9. jairo.francisco de moraes junior

    21 de janeiro de 2025 8:11 pm

    ” Brasil mostra sua cara !”
    VERGONHA !

  10. Raquel Margarida de Mello Camargo

    22 de janeiro de 2025 3:07 am

    O Tribunal de INjustiça do Paraná revela a perigosíssima contaminação que existe no Judiciário Brasileiro que coloca em risco os destinos de uma nação.
    Essa situação tem que ser amplamente denunciada por toda imprensa.

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