11 de junho de 2026

Com medo de perder passaporte e ser preso, Eduardo Bolsonaro abandona mandato para morar nos EUA

Eduardo justificou sua licença como uma forma de buscar apoio e atuar contra o ministro Alexandre de Moraes

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) anunciou nesta terça-feira (18) que vai se licenciar do mandato parlamentar para residir temporariamente nos Estados Unidos. A decisão foi divulgada apenas uma semana antes de o Supremo Tribunal Federal (STF) julgar se seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, se tornará réu pela tentativa de golpe de Estado de 2022.

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Segundo o discurso de Eduardo Bolsonaro, ele tratará nos EUA para buscar punição para as decisões do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Na mensagem, o filho de Jair Bolsonaro não informa quando retornará ao País.

“Irei me licenciar, sem remuneração, para que possa me dedicar integralmente e buscar as devidas sanções aos violadores de direitos humanos“, disse Eduardo Bolsonaro.

Eduardo Bolsonaro não foi indiciado pela PGR no inquérito do golpe, mas é alvo de duas ações de deputados governistas que peticionaram a apreensão do passaporte do filho de Jair Bolsonaro, que vem fazendo viagens aos EUA para promover ataques a Moraes e às eleições no Brasil.

Em vídeo divulgado no Youtube, Eduardo justificou sua saída como uma forma de atuar em defesa de seu pai e contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF. No discurso de cerca de 10 minutos, ele deixa claro que sua maior preocupação era ter o passaporte apreendido. Ele revelou, ainda, que viajou aos EUA às vésperas do Carnaval, no mesmo dia em que seus opositores na Câmara entraram com pedido de apreensão do passaporte.

Eduardo Bolsonaro também declarou que sua intenção é buscar apoio internacional contra Moraes e sua “Gestapo da Polícia Federal”.

Nos Estados Unidos, Eduardo pretende usar sua influência para mobilizar aliados do presidente estadunidense, Donald Trump, e incentivar críticas à Suprema Corte brasileira. Como a Justiça americana não criminaliza opinião, o deputado estaria protegido de possíveis retaliações por suas declarações.

Com a fuga de Eduardo Bolsonaro, a presidência da Comissão de Relações Exteriores da Câmara será assumida pelo deputado federal Zucco, do PL do Rio Grande do Sul. No vídeo em que anuncia a permanência nos EUA, Eduardo Bolsonaro enaltece a indicação do PL e afirma que trabalhará com Zucco, fazendo a ponte com os EUA.

“No meu lugar, será nomeado o deputado federal gaúcho Zucco para a comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional. Ele irá me ajudar institucionalmente a manter essa ponte com o governo Trump e o bom relacionamento com países democráticos e desenvolvidos”, afirmou Eduardo.

Segundo a coluna da Natuza Nery, do portal G1, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, decidiu no último domingo (16) que Eduardo Bolsonaro não assumiria a Comissão, o que teria contribuído para sua decisão de se afastar temporariamente.

A estratégia de se afastar do Brasil, além de reforçar sua imagem para os seguidores bolsonaristas, também ajuda a reforçar a falsa narrativa de uma possível perseguição política, algo que pode fortalecer sua base eleitoral e manter sua relevância no cenário político, já que mesmo com baixo desempenho em pesquisas de intenção de voto, Eduardo Bolsonaro é considerado um dos possíveis nomes para disputar a presidência em 2026 ou uma vaga para o Senado.

Apesar de declarar que a licença é temporária, Eduardo Bolsonaro não especificou por quanto tempo pretende permanecer nos Estados Unidos.

Confira, abaixo, o discurso de Eduardo Bolsonaro.

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Milleny Ferreira

Milleny Ferreira é estudante de jornalismo, repórter no Jornal GGN e produtora na TV GGN.

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5 Comentários
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    18 de março de 2025 3:57 pm

    O valentão fugiu, mas isso não significa que ele deva ficar tranquilo onde está. Já comecei a mexer as coordinhas no Facebook:
    “In recent weeks, I have seen news reports about thousands and thousands of immigrants being forcibly detained and deported from the United States, sometimes in inhumane conditions. Many of these people are highly skilled workers, others are ordinary workers. Almost all of them have been earning a hard and honest living in the United States for several years, but none of this has been taken into account by the Donald J. Trump administration. I am a Brazilian citizen and I have no legitimacy whatsoever to say how Americans should govern their country. That is their business. But there is one situation that seems strange to me, and it involves a Brazilian who is apparently living illegally in the United States. I am referring to Eduardo Bolsonaro. He has temporarily stepped down from the Brazilian Parliament, and his diplomatic passport is no longer valid. Eduardo Bolsonaro certainly has no skills whatsoever to work in the United States, but Trump’s La Migra did not bother him and deport him. What can the press do in this case, Democracy Now!?”

  2. emerson57

    18 de março de 2025 6:37 pm

    Alguém tem que pesquisar imóveis nos EUA que essa família tem.
    Podem começar com os que estão em nome do tal do José Aldo, famiglia Cid e outros.
    Algo vive a repetir na minha cabeça: “-nesse mato tem coelho”.

  3. Evandro Condé

    18 de março de 2025 8:39 pm

    Uma oportunidade única para o Trump mostrar a boa vontade com os imigrantes e, não só acolhe-lo como também dar a cidadania. E, num ato extremo de generosidade, dar casa e comida por toda a vida. Compartilhada, se é que me entendem.

  4. JOSE ERIVAN DE SOUSA AGUIAR

    18 de março de 2025 11:57 pm

    É bom lembrar que o primeiro ato presidencial do Bolsonaro foi tentar fazê-lo embaixador do Brasil em Washington.
    Quando questionado sobre o assunto veio a resposta: Se eu puder dar filé pro meu filho,eu dou e pronto!

  5. Frederico Firmo

    22 de março de 2025 1:27 pm

    No Brasil já usamos o termo, “tucanaram” em referência a rebuscar para fraudar o sentido de algo. Pois agora temos “bolsonaram”, uma especie de dicionário: tentativa de golpe= passeio de idosos em visita turística ao planalto, ou brincando dentro das quatro linhas. Agora temos que “fuga = missão secreta diplomatica patriótica, falar mal do país e tentar burlar a lei de imigrantes . mentira=liberdade de expressão. etc….

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