10 de junho de 2026

Campos Neto no Nubank: movimento sindical bancário vê conflito de interesses e avalia medidas cabíveis

"Sair do banco para ir trabalhar no setor financeiro é, no mínimo, imoral e antiético", avalia Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT

O movimento sindical bancário manifestou forte preocupação com a negociação entre o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o banco digital Nubank, que prevê sua entrada como vice-presidente do conselho de administração e chefe global de Políticas Públicas da instituição.

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Para a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), o episódio é, no mínimo, “imoral e antiético” e configura “um dos mais graves conflitos de interesses já testemunhados” no setor financeiro, motivo pelo qual avalia a adoção de medidas junto aos órgãos competentes.

“Estamos avaliando as medidas cabíveis de denúncias em órgãos competentes, incluindo a CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Também defendemos o fim da porta giratória dos dirigentes do Banco Central. Sair do banco para ir trabalhar no setor financeiro é, no mínimo, imoral e antiético”, afirmou Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT, em nota publicada nesta quarta (07).

Mais do que uma questão ética, trata-se, segundo a dirigente, de um risco direto à credibilidade da autoridade monetária. Durante seu mandato à frente do Banco Central, Campos Neto manteve uma política de juros elevados, apesar das críticas de renomados especialistas quanto aos efeitos sociais e econômicos dessa decisão. Leia mais aqui >>> A última tacada de Campos Neto, o Flautista de Hamlin, por Luís Nassif

Campos Neto do BC ao Nubank: o conflito de interesses

Campos Neto esteve à frente do Banco Central entre 2019 e 2024. De 2016 até o fim de seu mandato, o número de fintechs reguladas saltou de 34 para 258. Esse crescimento teve como base a resolução publicada em 2018, que formalizou a atuação de fintechs de crédito no país — sucedendo uma circular de 2013, responsável por disciplinar os serviços prestados por instituições de pagamento.

Vale lembrar que, em abril de 2024, o jornal Valor Econômico revelou que ele cogitava abrir sua própria fintech após deixar o comando do Banco Central. Embora o plano não tenha avançado, agora o economista assume um cargo inédito criado especialmente para ele no Nubank: a vice-presidência do Conselho de Administração, posição que sequer existia anteriormente na holding.

A própria conduta do ex-presidente do BC, inclusive, foi alvo de investigação no Conselho de Ética da Presidência da República, por supostamente manter empresas offshore com investimentos em ativos que se beneficiam diretamente da alta da Selic. Em setembro de 2024, no entanto, essas apurações foram encerradas por decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O caso do Nubank, avalia a entidade, é emblemático de como a chamada “porta giratória” entre o setor público e o mercado financeiro ameaça o interesse coletivo e mina a confiança nas instituições.

Na manifestação, a Contraf-CUT também defendeu a revisão da autonomia do Banco Central, cuja estrutura atual — institucionalizada a partir de 2021 — tem se mostrado vulnerável aos interesses do mercado financeiro. 

Nesta entrevista à TV GGN, a advogada Nara Cysneiro explica como o órgão estatal deve obediência aos parâmetros constitucionais. “É autônomo em relação ao Executivo, mas não pode se tornar subordinado à chamada Constituição econômica”, que privilegia os interesses do sistema financeiro em detrimento do interesse público.

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3 Comentários
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  1. Paulo Dantas

    10 de maio de 2025 11:38 am

    A lei não exige apenas a quarentena ?

  2. Rui Ribeiro

    11 de maio de 2025 9:20 am

    O Rei tá nu.

    Alguém é ingênuo ao ponto de achar que, após tantos serviços prestados ao capital improdutivo, o Campos Netto iria para a roça e não para uma instituição financeira, continuar mamando?

  3. Rui Ribeiro

    11 de maio de 2025 9:22 am

    Então, após a quarentena do Musk, ele iria trabalhar para o governo chinês?

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