10 de junho de 2026

“Não adianta fazer propaganda política”, critica o padre Júlio Lancellotti sobre a Cracolândia

"Dizer que todos estão em clínicas ou que foram para um lado ou para outro não é verdade. O bonito é a autoridade assumir e dizer a verdade", criticou o pároco
Crédito: Reprodução/ Instagram

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), comemorou na última quarta-feira (14) o vazio das ruas na região da Luz, anteriormente ocupadas por dependentes químicos na chamada Cracolândia, e negou que o Executivo municipal promoveu um espalhamento de usuários pela cidade. 

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Mas, também nesta quinta, o padre Júlio Lancellotti, conhecido pelo trabalho voltado a pessoas em situação de rua, publicou um vídeo no Instagram para rebater a versão oficial das autoridades. 

“Diante de todo esse mistério de que todos desapareceram da área chamada Cracolândia e naquela área da Luz, eles estão ficando espalhados pela cidade”, iniciou o pároco. 

“Dizer que todos estão em clínicas ou que foram para um lado ou para outro não é verdade. O bonito é a autoridade assumir e dizer a verdade”, continuou Lancellotti. 

O padre então pergunta a um dependente, que não se identifica no vídeo, onde ele estava. O homem confirma que estava na Cracolândia e denuncia as ameaças sofridas para deixar a região central da capital paulista. 

“Saí de lá por causa da opressão da polícia. A polícia vive batendo na gente, manda a gente de um canto para outro, e agora estão ameaçando a gente de morte”, continua o usuário. 

Julio Lancellotti pergunta então se a prefeitura ofereceu clínica ou trabalho para o homem. Ambas as respostas são negativas. 

“E qual é a opressão que eles têm feito contra você?”, questiona o padre. 

“Eles batem na gente, jogam spray de pimenta, ameaçam a gente de morte”, relata o dependente químico. 

O padre, então, se compromete a encontrar um lugar para abrigá-lo e encerra o vídeo com um apelo para que as autoridades façam de São Paulo uma cidade mais humana. 

“Vamos fazer essa cidade qualificada humanamente. Não adianta fazer propaganda política dizendo que a Cracolândia desapareceu. A Cracolândia não é um espaço físico, são as pessoas”, pediu o religioso. “Os irmãos precisam de acolhimento e não de violência.”

Entenda o caso

Desde terça-feira (13), o vazio nas ruas da Cracolândia ganharam destaque no noticiário e nas redes sociais, feito que o prefeito Ricardo Nunes considera “uma vitória da cidade e da sociedade”, apesar de reconhecer que o problema não foi completamente resolvido. 

“Eu, prefeito de São Paulo, faço um apelo: vamos parar de picuinha e olhar coisas que não devemos ver. Dê luz às coisas mais importantes e parem de dar luz a pequenos pontos, para querer descaracterizar e desconsiderar o avanço que o governo do estado e a prefeitura fizeram. Tem hora que cansa. É só crítica. Essa luta não é só do prefeito e do governador, é de todos nós. E a imprensa tem responsabilidade sobre isso também”, disse o chefe do Executivo.

Em janeiro, o painel de monitoramento da prefeitura indicava tendência de queda na concentração de usuários na Rua dos Protestantes. 

Porém, o diretor do HUB de Cuidados em Crack e Outras Drogas, Quirino Cordeiro, observou, na época, que a redução da concentração de dependentes químicos na região central não significava a diminuição de usuários.

E, há cinco meses atrás, já era possível constatar a formação de novas mini concentrações em outros pontos da cidade, como Avenida Jornalista Roberto Marinho, na Zona Sul da capital, e a Rua Doutor Avelino Chaves, na Vila Leopoldina, Zona Oeste.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que repudia qualquer conduta inadequada em relação aos dependentes químicos e que excessos policiais devem ser feitos às corregedorias.

“A Prefeitura de São Paulo reafirma que tem feito desde 2021 um trabalho contínuo para oferecer tratamento em saúde e atendimento social às pessoas em situação de vulnerabilidade na Cena Aberta de Uso (CAU), além de segurança à população em geral com o combate ao tráfico de drogas. O Município não compactua com conduta inadequada, repudiando veementemente qualquer ação dessa natureza. Denúncias de excesso policial devem ser feitas às Corregedorias das polícias. Em lugares com ocupações momentâneas ou periódicas na cidade, por pessoas em situação de rua, usuários ou não de drogas, a Prefeitura realiza abordagens de forma ativa por 1.600 agentes, que oferecem acolhimento e encaminhamento a serviços de saúde e assistência social, seguindo todos os protocolos. A Guarda Civil Metropolitana (GCM) permanece em patrulhamento por toda a região central para garantir a segurança e coibir o tráfico de drogas”, informa a nota.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

4 Comentários
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  1. Cidadão sem cidadania

    15 de maio de 2025 8:47 pm

    Deixar guarda municipal agindo como policia é Uma loucura, Lula põe a guarda como manda a constituição ou vai ficar cada dia pior porque ja temos a PM que nao é lá essas coisas e hoje guarda esta agindo como Outra PM só que piorada.

    1. Rafael

      16 de maio de 2025 8:34 am

      Não tem como Lula fazer nada quanto à isso

      1. Cidadão sem cidadania

        16 de maio de 2025 7:22 pm

        Tem sim, mas Lula nada fará porque assim com a direita quer mais repressão lula também quer quando o STF debateu a adin propostas pelo Guarda lula nada falou, agora olha a loucura do nosso país o cara não consegue passar no concurso para ser policia daí faz concurso para ser guarda depois o sindicato entra com uma adin para guarda ter o direito de policiar também,olha a Loucura total, mas num país onde uma pessoa faz 2 concurso para ser promotor e nao passa e ganha Uma vaga no STF porque basta ser amigo do presidente ou advogado da rede globo ou pior ser amigo do dono da rede citada para ganhar uma vaga ou seja num país onde estudar e ter saber jurídico nao serve para MuitA Coisa ou seja o pais nunca vai se tornar potência porque nada é levado a sério.

  2. Rui Ribeiro

    16 de maio de 2025 7:45 am

    Somos indesejáveis aos olhos do mercado. Tornamos as cidades e seus cartões postais dos Poderosos desagradáveis. Por isso somos escorraçados de um canto pra outro.

    Somos Stranger Blues two light years away from home

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