O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), respondeu às críticas de Jair Bolsonaro (PL) e aliados feitas em ato na avenida Paulista no último domingo (29) sobre o aumento da carga tributária promovida pela atual gestão do Executivo federal.
Durante o lançamento do Plano Safra para agricultores familiares, o ministro garantiu que não vai se intimidar na busca por justiça social, uma vez que o Brasil é uma das 10 maiores economias do mundo, mas também está entre os 10 com maior desigualdade social.
O ministro não falou sobre a crise do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), rechaçada pelo Congresso na semana passada. Mas apostou na aprovação das mudanças na tabela do imposto de renda (IR), inalterada durante os quatro anos de governo Bolsonaro.
“Sabe o que isso significa? Quando um trabalhador que teve um aumento apenas pela inflação, se ele passar a faixa de isenção do IR, ele passa a pagar o IR ganhando a mesma coisa, simplesmente pela crueldade de congelar a tabela de isenção como ele [Bolsonaro] fez durante quatro anos”, comentou.
A seguir, Haddad reafirmou os projetos para aumento de impostos para os mais ricos. “Qual é a moral desse senhor para falar de aumento de imposto? Porque nós estamos fechando brecha para o andar de cima passar a pagar? Isso nós vamos continuar fazendo.”
Economista, Haddad criticou os benefícios fiscais, chamados por ele de jabutis, em prol da elite brasileira, enquanto os trabalhadores pagam impostos.
“Nós vamos fechar todas as brechas que são criadas por jabutis. No Brasil, o jabuti é órfão de pai e mãe. Ninguém assume a paternidade de um jabuti. Ele aparece numa lei, em geral para favorecer um grande empresário. Para tirar esse jabuti do ordenamento jurídico, é um parto”, continuou o ministro.
“Cada vez que a gente sequestra esse jabuti, tira ele da árvore, e remove do ordenamento político, tem a grita do andar de cima, de que aumenta imposto. Não, isso não aumenta imposto. Isso é ter o mínimo de respeito com o trabalhador que paga suas contas com o Estado em dia”, concluiu.
Haddad lembrou ainda que a alteração no IR isenta ou reduz a carga tributária de 25 milhões de cidadãos, enquanto 140 mil milionários passarão a pagar mais.
“A alíquota [do IR] em país rico chega a 40%. Nós vamos cobrar o mínimo de 10%. O mínimo. Se o cara já paga 2%, que é o que ele paga hoje, vai pagar mais 8%. A mesma alíquota que paga um policial militar, um bombeiro, uma professora de escola pública. A mesma alíquota. E tá essa grita toda?”, explicou o ministro.
Para encerrar o discurso, Haddad lembrou que a atual gestão vai continuar os projetos de justiça social. “Pode gritar, pode falar, vai chegar o momento de debater. Mas nós temos de fazer justiça no Brasil. Não podemos nos intimidar na busca por justiça.”
LEIA TAMBÉM:
Rui Ribeiro
1 de julho de 2025 11:11 amO fiasco de uma manifestação pró-bolsonaro feita nesse ano no Rio de Janeiro foi explicada pelo $ilas Malacheia:
“No ano passado, 21 de abril, tivemos uma plateia semelhante a isso [ao da manifestação realizada ontem]. Eu disse para o Bolsonaro que domingo de manhã, no Rio de Janeiro, não é o melhor lugar para se fazer manifestação. Eu avisei ao Bolsonaro: ‘Carioca, no domingo, acorda mais tarde, se der praia, piora, tem jogo de Fla-Flu’. Mas ele: ‘Não, vamos fazer, vamos fazer. Depois fazemos um em São Paulo”.
Qual a explicação para o fracasso da manifestação pró-golpista de ontem, $ilas Malabufa?
José Carvalho
1 de julho de 2025 5:15 pmO fato de que as grandes fortunas praticamente não pagam impostos no Brasil , causa também uma consequência perversa à evolução do capitalismo no País. Sempre se disfarça a realidade na aplicação e cobrança dos impostos, com artifícios como o popular impostômetro, em que se divulga um valor estimado dos tributos que seriam cobrados supostamente de todos. E claro, há uma reação contrária principalmente dos setores da classe média que pagam na fonte essa cobrança e têm um sentimento de estar injustiçados. Quando políticas desvantajosas foram impostas ao País, sem esses jabutis, haveria uma necessidade de reação, tanto do ponto de vista da faculdade com que todos se submeteram, como em buscar progredir em competitividade os vários setores da economia brasileira. Antes pelo contrário, esse quadro favoreceu a decisão de muitos controladores de empresas a deixarem seus negócios. Não viam perspectivas maiores para esses negócios e acabaram vendendo. Isso não fez bem ao País, comprometeu a dinâmica de toda a economia. Mudar a lógica do desestimulo e dar condições mais justas a todos.