10 de junho de 2026

Governo Tarcísio transforma Conferência de Mulheres em evento virtual e revolta movimentos sociais

Entidades denunciam esvaziamento da participação popular e retrocesso democrático na V Conferência Estadual de Políticas para as Mulheres
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A decisão do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) de realizar a V Conferência Estadual de Políticas para as Mulheres exclusivamente em formato virtual gerou forte reação entre movimentos sociais e entidades populares. A medida, oficializada pela Resolução SPM nº 010/2025, publicada em 15 de julho, transforma um espaço historicamente presencial e participativo em um encontro remoto, previsto para os dias 21 e 22 de agosto, por meio da plataforma Microsoft Teams.

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A mudança de formato, feita sem diálogo com a sociedade civil ou os Conselhos Municipais, é vista como mais uma demonstração do descompromisso do governo paulista com a democracia participativa e com os direitos das mulheres.

A conferência, que deveria reunir presencialmente centenas de rostos femininos de diferentes territórios e realidades do estado, será substituída por transmissões ao vivo e preenchimento de formulários online.

Barreiras ao acesso e à escuta das mais vulneráveis

Organizações como a Secretaria de Mulheres da União dos Movimentos de Moradia (UMM-SP) e a Marcha Mundial das Mulheres denunciaram que a medida representa um retrocesso na construção coletiva das políticas públicas.

A crítica central recai sobre o impacto da exclusividade digital na participação das mulheres mais vulnerabilizadas: moradoras de periferias, indígenas, quilombolas, de comunidades rurais e assentamentos, que enfrentam exclusão digital, dificuldades de conexão e ausência de equipamentos adequados.

A realização exclusivamente online representa uma barreira concreta à participação das mulheres mais vulnerabilizadas, especialmente aquelas que não dispõem de acesso estável à internet, equipamentos adequados ou familiaridade com plataformas digitais.”, afirma nota da UMM-SP.

Além disso, as entidades alertam para o esvaziamento do caráter deliberativo da conferência. “O formato online não se mostra suficiente para a realização da  Conferência Estadual, que exige tomadas de decisões de amplo impacto e muitas horas de reflexão. Assim, o formato remoto não é adequado pois limita a participação e o aprofundamento do debate. ”, critica a Marcha Mundial das Mulheres.

Retrocesso democrático e ausência de políticas públicas eficazes

As conferências de políticas para as mulheres são parte integrante da democracia participativa e ocorrem em nível municipal, estadual e nacional. Após uma década sem realização, o ciclo atual foi convocado pelo Governo Federal sob o lema “Mais democracia, mais igualdade, mais conquistas para todas!”. No entanto, em São Paulo, o maior estado da federação, a etapa estadual chega com ausência de transparência, diálogo e compromisso com a equidade.

As críticas também atingem diretamente a gestão da secretária Valéria Bolsonaro, responsável pela pasta estadual de políticas para mulheres, e da presidente do Conselho Estadual da Condição Feminina, Rosemary Corrêa. Ambas são acusadas de conduzirem o processo de forma autoritária, ignorando o histórico de conferências presenciais realizadas com infraestrutura e participação popular efetiva.

“A justificativa de que é caro fazer uma Conferência para 600 mulheres do Estado é no mínimo
vergonhosa considerando-se o tamanho e a importância do Estado de São Paulo. O governo de São
Paulo já organizou, em conjunto com a sociedade civil e os movimentos de mulheres, 4 Conferências
presenciais, cada uma com cerca de 1000 a 1500 participantes, então não há razões que justifiquem o
governo Tarcísio, agora, querer impor a forma online, isto é mais uma prova cabal do
descompromisso, do pouco caso do governo Tarcísio para com as mulheres do Estado de São Paulo e
com a democracia
”, afirma a Marcha Mundial.

Exigências e resistência: “Nada sobre nós sem nós”

Diante do cenário, os movimentos exigem a revisão imediata do formato da V Conferência Estadual, garantindo sua realização presencial, com estrutura adequada e ampla divulgação para garantir o acesso de todas as mulheres do estado. Também reivindicam transparência na atuação da Comissão Organizadora e inclusão efetiva das entidades populares na tomada de decisões.

Para as entidades, a realização remota não apenas fere princípios democráticos, como evidencia o projeto político do governo estadual: um modelo que privilegia o controle, o silêncio e a exclusão, em detrimento da escuta ativa, do debate plural e da construção conjunta de soluções.

Seguiremos firmes, organizadas e em luta para garantir que a participação popular seja respeitada e que as políticas públicas sejam construídas com as mulheres — e não sem elas”, finaliza a nota da UMM-SP.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

5 Comentários
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  1. Anônimo

    18 de julho de 2025 1:58 pm

    Além das medidas de privatização para agradar a faria lima, matança de negros e pobres, militarização da educação visando fazer da população pobre ser submissa e não almejar melhores posições, parece ter também o saco de pura maldade como é o caso da repressão a uma reunião aberta das mulheres.

    1. Norma Shirley Santos Angelo

      26 de julho de 2025 6:21 pm

      Nem um passo atrás!

  2. Ronaldo

    19 de julho de 2025 8:35 am

    Aplausos para o Governador Tarcísio de Freitas pela acertada decisão, possibilitando que o evento ultrapasse as fronteiras geográficas e possa ser acessado por muito mais pessoas de modo virtual. Este é o nosso grande governador!

    1. Andreia

      29 de julho de 2025 12:30 am

      Cara, o Tarcísio nem de São Paulo é. Grande governador kkkkk.Fica feio defender o indefensável só para agradar um nicho.

  3. Lucia M.C. Japp

    26 de julho de 2025 4:05 pm

    Um absurdo e retrocesso democrático! A participação deve ser pessoal e presencial, para ser democrática!

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