16 de junho de 2026

Ação trumpista contra Brasil sai pela culatra, diz Washington Post

EUA usa tarifaço para interferir na justiça e na economia brasileira, mas estratégia dá força para Lula defender a soberania nacional
Foto: Ricardo Stuckert/PR

A estratégia de Donald Trump em tarifar as compras de produtos brasileiros como justificativa para defender seu aliado político Jair Bolsonaro saiu pela culatra ao ajudar a aumentar o apoio ao atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva.

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Em artigo publicado no jornal Washington Post, o jornalista Ishaan Tharoor destaca que o atual governo é “explicitamente indiferente à causa dos direitos humanos globais”, e Trump “passou a defender um eleitorado político no Brasil que é abertamente nostálgico dos dias da ditadura militar”.

Recentemente, Trump não só tarifou as importações de itens brasileiros para os EUA em 50% como deixou claro que pode romper seu relacionamento com o segundo país mais populoso do hemisfério.

A tensão nas relações diplomáticas e econômicas é evidente: a ação norte-americana tem por objetivo obrigar o Brasil a suspender os processos judiciais contra Bolsonaro, bem como punir o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, responsável por aplicar a lei brasileira contra as big techs norte-americanas para reprimir a desinformação online.

Alvo incomum

Tharoor lembra que a estratégia norte-americana é incomum por si só, uma vez que as relações comerciais entre EUA e Brasil mostram que o mercado norte-americano possui um superávit significativo em bens e serviços com o Brasil.

Ao contrário do que aconteceu em outros países latino-americanos, o Brasil percebeu uma oportunidade na crise.

Desde a imposição do tarifaço, Lula destacou publicamente que Trump não pode esquecer que foi eleito para governar os Estados Unidos “e não para ser o imperador do mundo”.

Além disso, o presidente brasileiro começou a defender a soberania brasileira de forma mais explícita, o que lhe deu um novo fôlego nas pesquisas de aprovação – e as elites empresariais, principais apoiadoras da oposição à Lula, não ficaram nada satisfeitas com a ação bolsonarista.

Segundo o articulista, o plano de Bolsonaro não teve o resultado esperado: a base de apoio começa a se voltar contra o bolsonarismo e o ataque para “proteger um aspirante a ditador” renovou a força política de Lula.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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1 Comentário
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  1. GalileoGalilei

    22 de julho de 2025 6:16 pm

    Uma coisa interessante nesse artigo do Washington Post é a seção de comentários dos leitores. Vale a pena lê-la. Majoritariamente a opinião dos leitores é favorável ao Lula/Brasil e contra o Trump. De vez em quando aparece algum atacando o Lula e o Alexandre de Moraes, mas dá para perceber que é um brasileiro. O bom é que tem comentários de americanos que moram no Brasil e desmascaram as lorotas dos bolsonaristas. Sugiro enfaticamente a leitura dos leitores. É um excelente termômetro da opinião norte-americana, e mesmo de canadenses, sobre esse modo chantagista do Trump empregado contra o Brasil.

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