Brasil! Só com tornozeleira, focinheira e ratoeira eletrônicas
por Armando Rodrigues Coelho Neto
Em 1995, um bispo picareta da Igreja Universal do Reino de Deus chutou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, com transmissão ao vivo. A imagem não fazia sentido algum, seja para ele, seja os crentes descerebrados que conseguiu arrebanhar. Em 2022, em Foz do Iguaçu/PR, a intolerância resultou no assassinato de um guarda municipal apoiador de Lula (então candidato à Presidência).
Corta!
“Para fechar o Supremo Tribunal Federal, não precisa nem de um jipe, basta um cabo e um soldado”. Essa fala, de 2018, é de um deputado corrupto, traidor da Pátria, hoje homiziado nos Estados Unidos. Em conluio e patrocinado do pai (um ex-presidente), tenta coagir o STF a não cumprir a lei, e insufla parlamentares a conceder anistia a criminosos que tentaram um golpe de estado.
Os direitos e deveres para garantia do Estado e de seus cidadãos estão registrados na Constituição Federal, como uma espécie de contrato social ao qual todos se obrigam. Entre as regras principais está a divisão dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, este último representado pelo Supremo Tribunal Federal, a quem cabe a palavra final diante dos conflitos. Entretanto, só age quando provocado.

Em 21/8/2021, a revista Metrópoles publicou que o ex-ministro da Defesa e Segurança Pública Raul Jungmann disse que o ex-capitão teria solicitado à FAB para sobrevoar o STF acima da velocidade do som para estourar os vidros do prédio. O insólito pedido teria sido apenas um a mais, entre outros que causaram mal-estar nas Forças Armadas, fato determinante para alguns pedidos para deixar postos.
Em 7 de Setembro de 2021, o ex-capitão, aos berros na Av. Paulista (S. Paulo), disse que não mais cumpriria qualquer decisão do ministro Alexandre de Moraes. No ano seguinte, de forma nada enigmática, conclamou apoiadores a irem às ruas no 7 de setembro “Pela última vez”. Na mesma ocasião acrescentou que se algo desse errado, “vocês já sabem o que fazer”. Errado o quê? Fazer o quê?
Os ataques ao STF antecedem à eleição do ex-presidente, e prosseguiram durante todo desgoverno passado. A bazófia vociferante do deputado fujão revela o inconformismo com Estado Democrático de Direito. A ideia de que outro poder legalmente constituído pudesse por freio aos ímpetos autoritários do ex-capitão nunca o agradou. Aliás, não só a ele, mas às suas famílias, asseclas e cúmplices.
Cabe esclarecer que o STF só age se provocado. Se hoje está no centro dos debates políticos, é por que a constituição aceita pelos golpistas está resumida a singulares quatro linhas. Com um Congresso antipovo, a Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania parece tão nula quanto a de Ética. Jabutis e monstrengos ilegais e imorais acabam tendo que ser submetidos ao STF (“que se mete em tudo”).

Com esse perfil de mera extensão do Parlamento corrupto que golpeou Dilma Rousseff, de forma sistemática emergem demonstrações de desapreço aos valores constitucionais. O país havia saído de uma ditadura corrupta e criminosa, e a Constituição Federal retratou o desespero e o pedido de socorro da sociedade por uma Carta Magna Cidadã, com respeito ao Estado Democrático de Direito.
Hoje, tais valores são atropelados de forma sistemática. Galgaram a mesma importância da imagem de Nossa Senhora Aparecida para o pastor fanático. Com cheiro de covil neonazifascista, o Parlamento intolerante não representa o povo, tenta ser instância revisora do STF. Nem seus anais são lembrados, pois neles constam que o durante a ditadura militar o Congresso foi fechado quatro vezes.
Assim, sem codelinquentes no STF, o ex-capitão pediu apoio daquele “Consistório Nacional” e conseguiu. Claro que se beneficiou de forma direta e indireta, não sem antes entregar a chave do cofre da Nação. Grana correndo à sorrelfa, choveu dinheiro para a mais cara campanha presidencial. O que não o impediu de se tornar refém por conta de 153 pedidos de impeachment engavetados. Benditas Emendas!
Em 2019, durante entrevista para o programa Câmera Aberta (TV Bandeirantes), o ex-capitão declarou-se favorável à tortura e a uma guerra civil no Brasil. Sinalizando o que só arriscaria anos mais tarde, afirmou que se eleito presidente, daria golpe no mesmo dia, partiria para a ditadura. “Através do voto você não vai mudar nada nesse país”. Quem diria? Virou Poodle com lacinho eletrônico do Alexandre de Moraes.
Pobre Brasil! Um ex-presidente está com tornozeleira eletrônica. Seu filho foragido faz terrorismo verbal que vai da bomba atômica a porta-aviões no Lado Paranoá; da terra arrasada a sentimentos de vingança. Ele precisa de focinheira eletrônica. E, na falta de um Flautista de Hamelin, ao Congresso cairia bem uma ratoeira eletrônica.
Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo
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Carlos
23 de julho de 2025 2:52 pmPois é, outro apalermado, Oruam, acaba de ser justamente preso por afrontar a lei. Também defende o pai dele, mas sem a covardia do camundongo Dudu, acoitado atrás do laranjito e vomitando m* contra o Brasil o tempo todo.
Mas criminoso por criminoso, se os crimes do pai de Oruam são gravíssimos e pelos quais está justamente preso, os crimes do pai do camundongo Dudu ultrapassaram todos limites, sendo então a tornozeleira um benefício que vem sendo concedido pelo ministro Moraes para estes ratos bolsonaristas que tentam a todo momento desmerece-lo.
Aliás, grande parte dos integrantes bolsonaristas de partidos, em especial o PL, precisam ser submetidos ao Conselho de ética (?) do congesso. Andam ultrapassando todos os limites da racionalidade.
Aliás duas palavras que dificilmente estariam presentes numa mesma frase: bolsonaristas X racionalidade.