
As ameaças do presidente Donald Trump contra Alexandre de Moraes, por meio da Lei Magnitsky, escancararam uma ferida antiga: a vulnerabilidade de ministros do Supremo com vínculos estreitos a instituições e escritórios internacionais. Nesse cenário, Luís Roberto Barroso se destaca como uma peça central.
No olho do furacão, a postura de Barroso tem sido acompanhada por juristas como o professor de Direito Constitucional da UFRJ, Vinícius Figueiredo. Para ele, o ministro enfrenta um momento especialmente delicado devido às suas conexões com os EUA, sobretudo porque a Lei Magnitsky, criada para punir violações de direitos humanos e corrupção, foi transformada pelo governo Trump em uma ferramenta de pressão política.
Nesse contexto, segundo o portal 360, Barroso teria sinalizado nos bastidores, na quarta-feira (6), a possibilidade de deixar o cargo após o término do seu mandato na presidência do STF, marcado para setembro.
“O Barroso tem uma ligação forte com a Universidade de Yale, e seu escritório no Brasil é um dos maiores do país, já tendo atuado para a TV Globo e para a CBF. Ele teria muito a perder”, avalia Figueiredo, em entrevista à TV GGN [confira abaixo].
Ele relembra que o próprio ministro já teria sinalizado, no passado, uma possível aposentadoria. Mas agora, com a maré externa batendo mais forte, sua atuação ganha um peso ambíguo: a de quem precisa resistir e, ao mesmo tempo, calcular cada passo.
Vale destacar que, em julho, o governo de Donald Trump suspendeu o visto de vários integrantes do STF, incluindo Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes, Edson Fachin e o próprio Luís Roberto Barroso.
Além disso, a família de Barroso possui um apartamento avaliado em US$ 4,1 milhões em Miami, nos Estados Unidos. Com 158 metros quadrados, o imóvel está registrado em nome de uma empresa offshore, atualmente pertencente ao filho do ministro, o investidor Bernardo Van Brussel Barroso. As informações podem ser consultadas no Condado de Miami.
Essa não é a primeira vez que Barroso se vê no centro de uma ofensiva. No período da Lava Jato, como lembra Luis Nassif no livro A Conspiração Lava Jato, ele foi alvo de campanhas calculadas para desgastar sua imagem e afastá-lo de processos sensíveis.
A campanha contra Barroso na Lava Jato
Entre os protagonistas dessa guerra de informação estava o portal Vetorm.com. Ligado a redes tucanas no Paraná e comandado por Ari Cristiano Nogueira, ex-assessor do deputado licenciado Valdir Luiz Rossoni (PSDB) e já condenado por manter “funcionários fantasmas” e orquestrar campanhas difamatórias, o site disparou matérias insinuando ilegalidades de Barroso:
- uma suposta offshore da esposa de Barroso nos EUA, com endereço descrito como “ilha paradisíaca”;
- a renovação de contrato entre a Eletronorte e o escritório de advocacia do pai do ministro;
- e vínculos de familiares com empresas atingidas pela Lava Jato.
À época, as acusações ganharam combustível em colunas e programas da grande mídia. Augusto Nunes, por exemplo, chamou Barroso de “vigarista” na Veja, afirmando que o ministro escondeu deliberadamente um trecho do regimento interno da Câmara que permite o voto secreto em eleições internas. Resultado da discussão no Supremo fez a Câmara criar uma nova comissão especial do impeachment de Dilma Rousseff.
Foi a repórter Cintia Alves, do Jornal GGN, quem puxou o fio da meada. Em 23 de agosto de 2016, publicou a reportagem “O homem por trás dos ataques virtuais ao ministro Barroso”, revelando que a campanha não era espontânea, mas coordenada e com endereço político claro.
Anos depois, em 15 de setembro de 2023, ela voltou ao tema: trouxe à tona trechos inéditos da Operação Spoofing mostrando mensagens diretas de Deltan Dallagnol a Barroso. Em uma delas, o então procurador pedia urgência em decisões que favoreciam a Lava Jato, e até o acionava contra Gilmar Mendes. Relembre aqui.

Leia também:
Paulo Dantas
9 de agosto de 2025 10:48 amMe lembro do Ministro Gilmar falar para ele fechar o escrtório.
Me lembro de seu Jair falar ‘quanto custa uma vaga no STF?”.
Creio eu, palpite, que o STF vai deixar seu Jair elegível.
Pouco provável Trump recuar.
AMBAR
10 de agosto de 2025 4:31 pmMinha tia de Guarulhos, que não é bolsonarista e é nonagenária, lúcida mas está escandalizada com os atos do bananinha, disse-me numa conversa despretenciosa a respeito de bolsonaro: ” …mas e se ele for eleito de novo?”- Foi um choque pra mim.
Falou como se fosse uma possibilidade real e factível. Perguntei-me de onde ela tirou essa idéia.
Pelo jeito o impossível nos ronda para o pior.
Paulo Dantas
10 de agosto de 2025 9:43 pmSempre tem uma tese de um jurista europeu que pode ser usada, europeu pois dá credibilidade.
Pode ser matar a vizinha nonagenária â pedrada.
Um alemão Asafatsardem , com a tese “Über Steinwürfe des alten Nachbarn”.
AMBAR
11 de agosto de 2025 1:21 pmTá de brincadeira!
Apenas referi-me à minha amada e lúcida parenta pela sua sensibilidade intuitiva, eis que por sua argúcia e experiência tem aversão ao mito e a tudo que ele causou. Ela foi uma das vítimas da covid. Ela, não obstante toda a impossibilidade política do mito em se candidatar, aventou assustada a possibilidade medonha de ele conseguir reeleger-se. Mais que nós ela entende o quanto o mundo político investe em nos impor esse traste.
AMBAR
10 de agosto de 2025 4:37 pmDevemos ao grande barroso, ou seria enlameado ministro, a estadia de Lula no cárcere. Reinterpretou o entendimento constitucional para encarcerar apenas um cidadão que o incomodava politicamente e ainda pousou de jurista. A serviço de quem, sabemos, de sorte que o “ilibado” barroso, melífluo e vaidoso, se tiver juízo, deverá pegar o seu banquinho e sair de mansinho, porque sorte ele tem, mas esta não dura para sempre. E que Lula não escolha seu sucessor com o dedo podre.
Waldir Rodrigues Lima
13 de agosto de 2025 12:10 pmMeu querido Nassif, coloque na ordem do dia um amplo debate sobre as dividas ativas da nação estados e municípios, o valor é uma vergonha próxima a 10 trilhões de reais, salvo as dividas crônicas insolúveis, tem bons ativos recebíveis dormindo de proposito nas prateleiras escuras e empoeiradas.
+almeida
14 de agosto de 2025 11:19 pmEu fico imaginando o quanto a precisão da lei do retorno caberia para o ministro Barroso, caso ele venha ser atingido pelo confisco de bens, abocanhados de forma ilegal e injusta, pela Lei Magnitsky. Vejam como o destino pode se fazer real e como ele pode deixar seu recado claro e punitivo. Barroso está próximo de sofrer e sentir o peso do abuso, o absurdo da injustiça e experimentar a dor da indiferença.
Tudo isso, continuo imaginando, exatamente como ele e alguns de seus pares fazem com alguns milhares de aposentadas e aposentados. Muitos desses, que contribuíram até por mais de duas décadas anteriores ao ano de 1994, somados a alguns e algumas que infelizmente já faleceram, mas que mantém seus justos direitos transferidos aos herdeiros que os representarão se a ilegal tortura abusiva for merecidamente derrotada. Lembrando que o assemelhado ao um tiro de misericórdia deferido contra contribuintes é ignorar acintosamente que muitos conquistaram os seus maiores salários antes de 1994. Que mais provas desejam para enxergarem e raciocinarem o tamanho da injustiça, do deboche e dos graves prejuízos que definiram erroneamente as suas aviltantes e parcas aposentadorias.
+almeida
17 de agosto de 2025 3:20 pm“O Barroso tem uma ligação forte com a Universidade de Yale, e seu escritório no Brasil é um dos maiores do país, já tendo atuado para a TV Globo e para a CBF. Ele teria muito a perder”.
Sinto muito se o ministro Luis Roberto Barroso perder seus bens, suas conquistas e o seu currículo nas terras do Tio Sam. Porém, o que avalio de merecimento pela sua atuação e pela sua participação na Suprema Corte do STF, está em sentido oposto às simpáticas deferências que a grande mídia lhe concede. Afinal, o merecimento se refere “à qualidade que torna alguém digno de apreço, prêmio ou reconhecimento, ou seja, o mérito”.
Eu penso que desde o início da Operação Lava Jato até hoje, o que menos lhe cabia por avaliação era qualquer grau positivo de merecimento. O seu possível alinhamento com as decisões e os abusos bastante divulgados até o levou a ser considerado como um dos possíveis patronos apoiadores de toda a ilegalidade presente no dia a dia da s operações. Por conta das possíveis defesas que demonstrou patrocinar em favor da juíza Gabriela Hardt, ele me deixou próximo do sentimento de pena. Contudo, eu consegui me recuperar a tempo de ficar ainda mais furioso, por aquilo que eu classifiquei como muito próximo a um abusivo e ofensivo deboche, contra a inteligência de todos nós.
Milton
18 de agosto de 2025 9:53 amO dedo podre é um perigo. Melhorou nos últimos anos mas pode ter uma recaída. Afinal Lula é coluna do meio com `visão à esquerda.