
O bolsonarismo volta para o esgoto. O fascismo vai junto?, por Gilberto Maringoni
1- O RELATÓRIO DA PF revelando a infame troca de mensagens entre a cúpula do bolsonarismo – o que inclui pai, filhos e o autodenominado pastor Silas Malafaia – coloca em crise aparentemente irreversível a cúpula do fascismo brasileiro. O mote principal da desmoralização do clã não são as 700 mil mortes da covid ou a política privatista e assassina levada a cabo em seu governo. É a revelação do caráter antinacional e traidor do bando.
2- EDUARDO BOLSONARO deu de bandeja a Lula e mesmo à imprensa liberal o elo que faltava entre o tarifaço, as ameaças e os impropérios de Donald Trump e nossa vida cotidiana. Toda a pregação patrioteira, com uso e abuso de símbolos nacionais, camisetas da seleção e de arreganhos de “Brasil acima de todos” está sendo triturada pela estupidez tática daquele que um dia alegou preencher requisitos para chefiar a embaixada brasileira em Washington, por saber fritar hambúrgueres. O 03 agora se joga na frigideira e flamba comparsas de maneira espetacular.
3- A CHAMADA “QUESTÃO NACIONAL” sempre foi uma quimera para a esquerda brasileira, há quase um século. O PCB – entre os anos 1920-1960 – sempre buscou dar-lhe consistência política, como elemento central na luta antiimperialista. A união nacional contra o inimigo externo seria tática essencial na luta pelo socialismo. A partir dos anos 1980, o tema tornou-se lateral até mesmo entre círculos democráticos e progressistas, pelo uso abusivo oportunista que a ditadura fez do patriotismo.
4- A INVESTIDA TRUCULENTA de Washington recoloca o tema no meio do gramado. O nacionalismo e o patriotismo da população é o argumento mais forte contra os “traidores da Pátria”, expressão que em boa hora volta ao vocabulário político. O nacionalismo empurra o bolsonarismo para a defensiva e legitima aos olhos da maioria sua condenação judicial. A defesa da legislação estadunidense contra ministros do STF torra o potencial eleitoral de seus defensores, como Tarcísio de Freitas, Magno Malta e rebotalho semelhante.
5- A CONTRAFACE MAIS SALIENTE do estilhaçamento do bolsonarismo é a pesquisa Genial Quaest, divulgada na manhã desta quinta (21). Lula aumenta a vantagem em todas as simulações eleitorais para 2026 e seus oponentes de direita e extrema-direita perdem terreno. Entra na conta a percepção de que o bloqueio de exportações de gêneros alimentícios para os EUA teve efeito imediato de baixar preços no mercado interno. Patriotismo e bolso se combinam nesse novo cenário. Leve-se em conta que as revelações da troca de mensagens entre a malta bolsonarista ainda não foi captada pelas sondagens. Ou seja, o cenário pode piorar para essa gente.
6- RESTAM VÁRIOS FIOS SOLTOS nesse imbróglio. A pergunta principal é: até onde a crise do bolsonarismo equivale à crise da extrema-direita? No mesmo dia da revelação dos impropérios da quadrilha, o governo foi derrotado no Congresso na indicação do presidente e do relator da CPI do INSS. Dois bolsonaristas de carteirinha assumem os postos. A comissão não visa esclarecer nada, mas servir de trincheira para desgaste do governo até outubro de 2026. A aprovação do PL da devastação é exemplo claro da capacidade do extremismo reacionário pautar a agenda nacional
7- NA SOCIEDADE, O FASCISMO segue vivíssimo, seja na cúpula das Forças Armadas, seja na ação das polícias de diversos estados, sejam eles governados pelo fascismo, ou pelo petismo. O financismo segue dando as cartas no Ministério da Fazenda e no Banco Central e o Brasil ainda não deixou de abastecer a máquina de guerra de Israel com combustível da Petrobrás. As provocações da Casa Branca contra a Venezuela seguirão ignoradas pelo Planalto?
8- O DESMONTE DO BOLSONARISMO mostra haver uma avenida aberta para uma firme ofensiva visando empurrar a extrema-direita para o esgoto, num cenário internacional tenso e perigoso. Há muitos problemas adiante, mas hoje, comemoremos! Merecemos ter um respiro e festejar!
Gilberto Maringoni de Oliveira é um jornalista, cartunista e professor universitário brasileiro. É professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC, tendo lecionado também na Faculdade Cásper Líbero e na Universidade Federal de São Paulo.
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Carlos
21 de agosto de 2025 2:49 pmO bolsonarismo volta para o esgoto.
Volta?
Alguma vez esteve fora do esgoto?
Fábio de Oliveira Ribeiro
21 de agosto de 2025 3:10 pmFascismo é capitalismo sem toda aquela baboseira de ética do trabalho e meritocracia. Fascistas são ladrões brutais, ponto final. Capitalistas também roubam mão de obra e dinheiro de trabalhadores e consumidores, mas preferem ser vistos como empresários socialmente sensíveis.
Mas no Brasil, devemos flexibilizar esses conceitos. Afinal, na favela o Fascismo policial não deixou de existir nem mesmo nos governos do PT. Cá existe uma certa vocação para o Capitalismo fascista com ou sem governos abertamente fascistas. O bolsonarismo foi uma aberração que rompeu com essa tradição e colocou tudo em risco e por essa razão ele pagará o preço. Ele está sendo sacrificado não pela esquerda, mas pela direita fascista gourmet.
Fábio de Oliveira Ribeiro
21 de agosto de 2025 6:25 pmFascismo é capitalismo sem toda aquela baboseira de ética do trabalho e meritocracia. Fascistas são ladrões brutais, ponto final. Capitalistas também roubam mão de obra e dinheiro de trabalhadores e consumidores, mas preferem ser vistos como empresários socialmente sensíveis.
Mas no Brasil, devemos flexibilizar esses conceitos. Afinal, na favela o Fascismo policial não deixou de existir nem mesmo nos governos do PT. Cá existe uma certa vocação para o Capitalismo fascista com ou sem governos abertamente fascistas. O bolsonarismo, com toda sua violência fascista, roubo escancarado, fundamentalismo evangélico, demonstrações de subserviência aos EUA, negação da ciência e destruição das estruturas do Estado, foi uma aberração que rompeu com a tradição brasileira e colocou a coesão social e a eficiência econômica em risco e por essa razão ele pagará o preço. Ele está sendo sacrificado não pela esquerda, mas pela direita fascista gourmet.
jsfilho
22 de agosto de 2025 9:56 amO fascismo sempre esteve entre nós e sempre estará. Nunca é demais repetir a frase do Brecht: a cadela do fascismo está sempre no cio (ou, numa tradução mais literal do alemão, o ventre da besta está sempre fértil). A única coisa possível é empurrá-los de volta pra dentro do armário, onde se escondem de tempos em tempos.
JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO
23 de agosto de 2025 8:20 amO habitat da extrema direita, é um esgoto a ceu aberto e para nossa infelicidade, parte significativa da nossa população é viciada no mau cheiro exalado.