30 de junho de 2026

Trump revoga visto de Petro após discurso pró-Palestina, e colombiano reage

Decisão inédita dos EUA contra um chefe de Estado expõe embate político no palco da ONU
Presidente da Colômbia, Gustavo Petro. | Foto: Alexa Rochi/Presidência da Colômbia via Flickr

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, desembarcou em Bogotá neste sábado (27) trazendo consigo uma crise diplomática: a revogação de seu visto pelos Estados Unidos. A medida, ordenada pelo governo Donald Trump, foi justificada como resposta a declarações “imprudentes e incendiárias” feitas pelo colombiano em uma manifestação pró-Palestina em Nova York, à margem da Assembleia-Geral da ONU.

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A ordem de Trump e a reação de Petro

Segundo o Departamento de Estado, Petro “manifestou-se nas ruas de Nova York e pediu aos soldados americanos que desobedecessem às ordens e incitassem a violência. Revogaremos seu visto (…) devido aos seus atos imprudentes e incendiários”.

Em discurso improvisado com megafone, o presidente colombiano lançou um apelo inédito: “Peço a todos os soldados do Exército dos Estados Unidos que não apontem seus fuzis para a humanidade. Desobedeçam à ordem do (presidente Donald) Trump! Obedeçam à ordem da humanidade!”.

Poucas horas depois, já em Bogotá, o colombiano ironizou a decisão em sua conta no X: “Cheguei a Bogotá e descobri que não tenho mais visto para os EUA”. Em outra publicação, acusou Washington de atropelar princípios globais: “O fato de a Autoridade Palestina não ter sido autorizada a entrar e meu visto ter sido revogado por pedir aos exércitos americano e israelense que não apoiassem o genocídio, que é um crime contra toda a humanidade, demonstra que o governo americano não cumpre mais o direito internacional”. E, em tom irônico acrescentou: “Não verei o Pato Donald novamente, por enquanto, isso é tudo”.

Petro ainda lembrou que é cidadão italiano e, portanto, poderia entrar nos EUA pelo sistema ESTA. Mais do que uma questão burocrática, porém, a revogação expõe um debate jurídico: presidentes estrangeiros, convidados da ONU, estão sujeitos às regras de vistos de Washington? Para o colombiano, a decisão “quebra todas as normas de imunidade nas quais se baseia o funcionamento das Nações Unidas e de sua Assembleia Geral”.

Vozes de apoio

Dentro da Colômbia, a medida foi vista por aliados de Petro como retaliação política. O ministro do Interior, Armando Benedetti, disse que o alvo deveria ser outro: “O visto que deveria ser revogado é o de Netanyahu, não o de Petro. Mas, como o império o protege, retalia contra o único presidente capaz de lhe dizer a verdade na cara”.

A decisão vem na esteira de atritos prévios: Washington já havia retirado Bogotá da lista de aliados no combate às drogas, gesto simbólico, mas carregado de recado político.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

3 Comentários
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  1. Paulo Dantas

    27 de setembro de 2025 11:40 am

    Um discurso como do sr. Petro é descabido.

    O EUA teriam razão em protestar.

    Revogar o visto é descabido.

    Descabido é o novo normal

  2. Fábio de Oliveira Ribeiro

    27 de setembro de 2025 12:26 pm

    Faz sentido. O Donald Trump não gosta de ouvir a verdade. Então não faz realmente sentido governantes sul americanos irem aos EUA. Eles serão melhor tratados nos BRICS.

  3. JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO

    28 de setembro de 2025 8:28 am

    Está na hora dos cidadãos do mundo com alguma dignidade e que tenham visto dos EUA devolver os mesmos para os EUA, salvo os que por dever de ofício, estejam obrigados a portar os mesmos.

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