O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, desembarcou em Bogotá neste sábado (27) trazendo consigo uma crise diplomática: a revogação de seu visto pelos Estados Unidos. A medida, ordenada pelo governo Donald Trump, foi justificada como resposta a declarações “imprudentes e incendiárias” feitas pelo colombiano em uma manifestação pró-Palestina em Nova York, à margem da Assembleia-Geral da ONU.

A ordem de Trump e a reação de Petro
Segundo o Departamento de Estado, Petro “manifestou-se nas ruas de Nova York e pediu aos soldados americanos que desobedecessem às ordens e incitassem a violência. Revogaremos seu visto (…) devido aos seus atos imprudentes e incendiários”.
Em discurso improvisado com megafone, o presidente colombiano lançou um apelo inédito: “Peço a todos os soldados do Exército dos Estados Unidos que não apontem seus fuzis para a humanidade. Desobedeçam à ordem do (presidente Donald) Trump! Obedeçam à ordem da humanidade!”.
Poucas horas depois, já em Bogotá, o colombiano ironizou a decisão em sua conta no X: “Cheguei a Bogotá e descobri que não tenho mais visto para os EUA”. Em outra publicação, acusou Washington de atropelar princípios globais: “O fato de a Autoridade Palestina não ter sido autorizada a entrar e meu visto ter sido revogado por pedir aos exércitos americano e israelense que não apoiassem o genocídio, que é um crime contra toda a humanidade, demonstra que o governo americano não cumpre mais o direito internacional”. E, em tom irônico acrescentou: “Não verei o Pato Donald novamente, por enquanto, isso é tudo”.
Petro ainda lembrou que é cidadão italiano e, portanto, poderia entrar nos EUA pelo sistema ESTA. Mais do que uma questão burocrática, porém, a revogação expõe um debate jurídico: presidentes estrangeiros, convidados da ONU, estão sujeitos às regras de vistos de Washington? Para o colombiano, a decisão “quebra todas as normas de imunidade nas quais se baseia o funcionamento das Nações Unidas e de sua Assembleia Geral”.
Vozes de apoio
Dentro da Colômbia, a medida foi vista por aliados de Petro como retaliação política. O ministro do Interior, Armando Benedetti, disse que o alvo deveria ser outro: “O visto que deveria ser revogado é o de Netanyahu, não o de Petro. Mas, como o império o protege, retalia contra o único presidente capaz de lhe dizer a verdade na cara”.
A decisão vem na esteira de atritos prévios: Washington já havia retirado Bogotá da lista de aliados no combate às drogas, gesto simbólico, mas carregado de recado político.
Paulo Dantas
27 de setembro de 2025 11:40 amUm discurso como do sr. Petro é descabido.
O EUA teriam razão em protestar.
Revogar o visto é descabido.
Descabido é o novo normal
Fábio de Oliveira Ribeiro
27 de setembro de 2025 12:26 pmFaz sentido. O Donald Trump não gosta de ouvir a verdade. Então não faz realmente sentido governantes sul americanos irem aos EUA. Eles serão melhor tratados nos BRICS.
JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO
28 de setembro de 2025 8:28 amEstá na hora dos cidadãos do mundo com alguma dignidade e que tenham visto dos EUA devolver os mesmos para os EUA, salvo os que por dever de ofício, estejam obrigados a portar os mesmos.