8 de junho de 2026

Crise desperta nação e soberania ganha força aglutinadora, por Luís Nassif

A percepção de que estamos a um passo de comprometer o futuro do país enquanto Nação reacendeu a esperança de reação.
Copilot

Um país só alcança pactos civilizatórios e projetos de desenvolvimento nos raros momentos em que o interesse coletivo se sobrepõe aos interesses individuais. São instantes mágicos, nos quais a sociedade se mobiliza em torno de um propósito comum.

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Por exemplo, a redução de direitos trabalhistas pode beneficiar empresas individualmente. No entanto, ao precarizar o mercado de trabalho, compromete-se a dinâmica do consumo, estimula-se a informalidade e enfraquece-se o tecido social. Sem uma força organizada em defesa do bem comum, prevalecem os ganhos individuais, mesmo que à custa do conjunto.

A privatização da Eletrobras é outro exemplo. Beneficiou um grupo restrito de investidores que conseguiu articular a operação, mas prejudicou o país como um todo, ao comprometer a oferta, o custo e a estabilidade do setor energético. Faltou uma organização capaz de conter o avanço dos predadores financeiros e proteger o interesse nacional.

O Brasil atravessou duas décadas de desmonte institucional. Primeiro, quando forças de centro e centro-direita aderiram ao golpismo e à erosão das regras constitucionais. Desde o episódio do “mensalão”, a política se transformou numa guerra encarniçada, marcada por uma polarização estéril e empobrecedora. Depois, quando, no poder, a esquerda petista negligenciou os problemas reais da população e falhou na construção de um projeto de futuro.

O Poder da Narrativa

A ideia, a informação, a narrativa — como define Yuval Noah Harari — são os grandes fatores de união e mobilização. Por isso, é essencial a existência de um Plano de Metas, de um projeto de país, de um “New Deal” brasileiro, como vimos batendo há tempos. A narrativa desenha o futuro e serve como elemento aglutinador.

Durante esse período de conflito, perdeu-se a capacidade de construir esse desenho. A guerra intestina entre liberais e progressistas, que dominaram a política brasileira pós-Constituinte, gerou um vácuo institucional. O impeachment de Dilma Rousseff aprofundou esse vale-tudo, entregando o país às garras do Centrão.

A desinstitucionalização foi tão profunda que permitiu ao crime organizado ocupar espaços relevantes no Estado, na Câmara dos Deputados, na estrutura policial e até no mercado financeiro. A apropriação do orçamento público, a infiltração nas polícias militares e o uso da chantagem explícita tornaram-se práticas comuns. A ausência de consenso e de um projeto nacional impediu até mesmo ações efetivas contra a taxa Selic e a escassez de crédito, afetando desde grandes grupos empresariais até consumidores de baixa renda.

Mas uma Nação não pratica suicídio.

A Ameaça à Nação e o Despertar Civilizatório

Nos últimos tempos, uma conjugação de fatores trouxe de volta o grande fator aglutinador: a crise. A percepção de que estamos a um passo de comprometer o futuro do país enquanto Nação reacendeu a esperança de reação.

Entre os sinais que despertaram essa retomada estão:

  • A atuação da Polícia Federal contra o PCC e os esquemas de lavagem de dinheiro;
  • O julgamento dos conspiradores do 8 de janeiro;
  • As ameaças de Donald Trump e a resposta firme de Lula e do Supremo Tribunal Federal;
  • A tentativa do crime organizado de aprovar leis de blindagem para criminosos abrigados na Câmara, que motivou a volta às ruas dos setores civilizatórios;
  • A volta dos grandes da MPB, como estimuladores da luta pela democracia;
  • O discurso de Lula na ONU, reafirmando a liderança brasileira na defesa da democracia e do multilateralismo, especialmente em um momento em que o genocídio de Gaza acende alertas em todo mundo contra o avanço da barbárie.
  • A constatação, ainda que tardia, de que o bolsonarismo e suas vertentes estaduais representam uma ameaça real à democracia;

Um exemplo emblemático foi o coro dos governadores de direita em favor da classificação do PCC como grupo terrorista. Com essa definição, agências como CIA, FBI, DEA e NSA passam a ter base legal para operações ofensivas no Brasil — espionagem, infiltração, sabotagem digital e captura de ativos.

Ao mesmo tempo, abre-se um enorme horizonte com o potencial das terras raras e da energia verde. Esse conjunto de ameaças concretas ao conceito de Nação parece finalmente despertar centro, centro-direita e centro-esquerda para a importância da soberania e dos riscos que se avolumam contra o país.

Os Editorais do Estadão: Um Sinal de Mudança

Um sinal interessante dessa mudança está nos editoriais do jornal O Estado de S. Paulo. Desde a redemocratização, os editoriais dos grandes jornais eram a parte menos dinâmica e mais previsível, refletindo muitas vezes apenas a voz do dono. No período do jornalismo de esgoto — de 2005 até a ascensão de Bolsonaro — essa característica se acentuou.

Hoje, em meio à crise do modelo tradicional de imprensa, os editoriais do Estadão se destacam como uma das melhores coisas que aconteceram na mídia recentemente. Em contraste, observa-se uma perda de qualidade e imaginação nos editoriais da Folha de S. Paulo.

Sem abandonar o conservadorismo, o Estadão parece ter recuperado a vocação original dos Mesquita: a defesa do interesse nacional. Nos primórdios da República, mesmo sob o peso dos interesses agrários, havia a pretensão de construir uma Nação — o que levou, por exemplo, à criação da Universidade de São Paulo.

Após um período deplorável, especialmente na cobertura da Lava Jato, cujo ápice foi o editorial de 8 de outubro de 2018 — “Uma escolha muito difícil” — que equiparou Bolsonaro e Fernando Haddad como extremos equivalentes, o jornal parece ter retomado o rumo da reconstrução nacional.

Esse novo espírito também parece ter influenciado o trio Horácio Lafer Piva, Pedro Passos e Pedro Wongtschowski — líderes industriais que, por muito tempo, estiveram imersos em um liberalismo de ideias fixas. Com o artigo “Precisamos proteger as eleições de 2026”, publicado em O Globo, eles retomam o compromisso com a sobrevivência da Nação, conclamando: “Daí decorre o desafio de todos os democratas do país de buscar eliminar, desde já, o risco de deslegitimação dos resultados da eleição de 2026”.

A Música como Fator de União

São apenas alguns sinais explícitos de uma mudança de ventos. A bandeira da soberania volta a ganhar força como elemento aglutinador. Eduardo Bolsonaro, ao escancarar a aliança da ultradireita com o crime organizado e com Donald Trump, acabou por dar visibilidade ao óbvio: o poder destrutivo dessa vertente política e sua total ausência de pudor em entregar o país.

No ritmo atual, é possível que, logo mais, a grande celebração do pacto nacional se dê em torno de projetos claros de desenvolvimento econômico e social, com políticas voltadas ao aproveitamento das vantagens competitivas do Brasil. E, talvez, com a constatação maior: o grande fator de aglutinação nacional é a música popular brasileira — expressão viva da identidade, da diversidade e da alma do povo.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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3 Comentários
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  1. jotajosedoAFF.marcelo

    6 de outubro de 2025 10:08 am

    Por isso q este Tarcísio é fraco,não tem coro grosso e não aguenta pancada,um telhado de vidro muito incrível,os bilionários mimados vão apoialo pq é o q está disposto a fazer o jogo sujo das elites ,qq um serve para tirar Lula e o pt,não foi assim com Bolso e lavajato?kkkk eles destruindo todo o Pais em nome de sei lá o quê,Tarcísio é vacilão,na crise criada por Thuamp revelou a quem serve e agora mais ainda está revelado,a Emae comprada ontem já foi vendida justamente para quem comprou a Sabesp AFF q escândalo de vendilhões da pátria e lógico,a midia tradicional vai aplaudir como fizeram com a lavajato q estava destruindo a economia e empregos do pais com isso favorecendo só vmeia dúzia de bilionários e acabando com os negócios de99 por cento dos empresário AFF kkkk foi incrível isto,olhem VAI SER UM CHOQUE QUANDO O POVÃO E EMPRESÁRIOS DESCOBRIREM O ESTRAGO DA LAVAJATO NO PAIS,mas para isto acontecer precisará qiem tem o MEGAFONE,utilizalo,precisa ditar o ritmo igual o Thuamp faz criando casos,encurralando,pressionando se não vão ficar só se defendendo AFF !!!

  2. Fábio de Oliveira Ribeiro

    6 de outubro de 2025 10:26 am

    Na Bet da política democrática os Bolsonaro serão eternamente perdedores.
    Primeiro eles apostaram na soberania da quadrilha de generais e coroneis do seu Jair contra a democracia e perderam.
    Depois eles apostaram na soberania da impunidade do seu Jair contra o Brasil com apoio de Trump. Além de perder a familícia deu um bônus político para Lula que está sendo amplificado com manifestações de rua.
    A nova aposta da familícia pode ser vista no Facebook, que está sendo inundado de Fake News contra Lula e a favor do seu Jair, como se fosse possível virar um jogo perdido no STF e na arena política interna e internacional. Essa inundação de Fake News vai apenas piorar a situação dos filhos do seu Jair na linha de tiro: Eduardo Bolsonaro e Carlos Bolsonaro.
    No final, não vai sobrar nenhum Bolsonaro em liberdade (exceto os netinhos do seu Jair, talvez).
    A Bet da política democrática é foda. Ela é extremamente viciante e só causa prejuízo aos Bolsonaro. Todas as pequenas vitórias que eles tiveram eram apenas armadilhas criadas para fazê-los ignorar que nessa Bet quem ganha é sempre a casa de apostas democráticas.

  3. Naldo

    6 de outubro de 2025 10:37 am

    Sábado teve um show meguetrefe na quebrada da zona leste, num dos lugares mais pobres, distribuíram uns brinquedos meia boca entre outras patifarias, quem financiou? Uma deputada de direita….a tal central das favelas anda meio sumida da rede globo, mas com certeza na época de eleição vai fazer esse rega bofes engana trouxa nas quebradas com cobertura da globo, junta isso, igrejas com pastores gritando que a esquerda é o demônio, se entende por que um político desqualificado como o governador do estado está bem avaliado…..tem quem goste de ser enganado.

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