A França mergulhou em mais uma crise institucional nesta segunda-feira (6), quando o primeiro-ministro Sébastien Lecornu apresentou sua carta de renúncia ao presidente Emmanuel Macron, menos de um mês após ser nomeado para o cargo. A decisão, confirmada pelo Palácio do Eliseu, ocorreu poucas horas depois de o governo anunciar a nova composição ministerial, que deveria marcar o início de uma fase de estabilidade.
Em um discurso no pátio do Palácio de Matignon, Lecornu atribuiu a saída à falta de consenso entre os partidos políticos, que, segundo ele, colocaram ambições eleitorais acima do interesse nacional. “A composição do governo não foi tranquila e despertou certos apetites partidários — às vezes, de forma bastante legítima, ligados à próxima eleição presidencial. (…) Eu estava pronto para ceder, mas cada partido político queria que o outro adotasse todo o seu programa”, declarou.
A queda precoce do ex-ministro da Defesa, o quinto premiê do segundo mandato de Macron, expõe a paralisia de um Parlamento fragmentado e a incapacidade do presidente de consolidar apoio político desde as eleições legislativas antecipadas de 2024. O antecessor de Lecornu, François Bayrou, também havia renunciado após perder um voto de confiança no Parlamento, deixando um governo já enfraquecido.
A renúncia ocorre em meio a uma conjuntura econômica delicada: a França acumula a maior dívida pública absoluta da União Europeia e precisa aprovar com urgência o orçamento de 2026. A instabilidade, porém, já se refletiu nos mercados: o índice CAC-40 caiu quase 2% e o euro registrou desvalorização frente ao dólar.
Do outro lado, a oposição intensificou a pressão. O líder da extrema-direita, Jordan Bardella, pediu a dissolução imediata do Parlamento e novas eleições, enquanto setores da esquerda, liderados por Jean-Luc Mélenchon, protocolaram moção de impeachment contra Macron. “Não se pode restabelecer a estabilidade sem o regresso às urnas e sem a dissolução da Assembleia Nacional”, afirmou Bardella.

Deixe um comentário