10 de junho de 2026

Renúncia-relâmpago na França: Lecornu cai e aprofunda crise política

Novo premiê durou menos de um mês e deixou o cargo horas após anunciar seu gabinete
Sébastien Lecornu, novo primeiro-ministro da França. Foto: Wikipedia.

A França mergulhou em mais uma crise institucional nesta segunda-feira (6), quando o primeiro-ministro Sébastien Lecornu apresentou sua carta de renúncia ao presidente Emmanuel Macron, menos de um mês após ser nomeado para o cargo. A decisão, confirmada pelo Palácio do Eliseu, ocorreu poucas horas depois de o governo anunciar a nova composição ministerial, que deveria marcar o início de uma fase de estabilidade.

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Em um discurso no pátio do Palácio de Matignon, Lecornu atribuiu a saída à falta de consenso entre os partidos políticos, que, segundo ele, colocaram ambições eleitorais acima do interesse nacional. “A composição do governo não foi tranquila e despertou certos apetites partidários — às vezes, de forma bastante legítima, ligados à próxima eleição presidencial. (…) Eu estava pronto para ceder, mas cada partido político queria que o outro adotasse todo o seu programa”, declarou.

A queda precoce do ex-ministro da Defesa, o quinto premiê do segundo mandato de Macron, expõe a paralisia de um Parlamento fragmentado e a incapacidade do presidente de consolidar apoio político desde as eleições legislativas antecipadas de 2024. O antecessor de Lecornu, François Bayrou, também havia renunciado após perder um voto de confiança no Parlamento, deixando um governo já enfraquecido.

A renúncia ocorre em meio a uma conjuntura econômica delicada: a França acumula a maior dívida pública absoluta da União Europeia e precisa aprovar com urgência o orçamento de 2026. A instabilidade, porém, já se refletiu nos mercados: o índice CAC-40 caiu quase 2% e o euro registrou desvalorização frente ao dólar.

Do outro lado, a oposição intensificou a pressão. O líder da extrema-direita, Jordan Bardella, pediu a dissolução imediata do Parlamento e novas eleições, enquanto setores da esquerda, liderados por Jean-Luc Mélenchon, protocolaram moção de impeachment contra Macron. “Não se pode restabelecer a estabilidade sem o regresso às urnas e sem a dissolução da Assembleia Nacional”, afirmou Bardella.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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