4 de junho de 2026

Justiça condena mulher de 72 anos por racismo

Da Folha

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

 
Além de prisão em semiaberto, ela pagará R$ 29 mil por xingá-los de macacos
 
Aposentada negou ofensa relatada em shopping na Paulista; vítima diz que polícia só agiu após ‘carteirada’
 
MARIO CESAR CARVALHO
 
“Macaca, eu não gosto de negro; negro é imundo; a entrada de negros no shopping deveria ser proibida; odeio negros, negros são favelados.”
 
A aposentada Davina Castelli, 72, foi condenada na quarta-feira a quatro anos de prisão em regime semiaberto por despejar essa série de injúrias raciais sobre três negros que estavam no Top Center, um shopping da av. Paulista, em novembro de 2012.
 
Cada um dos três vai receber R$ 28.960 por danos morais. Os injuriados foram a corretora Karina Chiaretti, 36, a vendedora Suelen Meirelles e o supervisor predial Alex Marques da Silva, 23.

 
A juíza Giovana de Oliveira determinou que ela seja presa imediatamente, o que não é comum, por “descaso e desrespeito à Justiça”. Ela não foi presa ainda. A Folha não conseguiu localizá-la.
 
A aposentada não recebeu o oficial que foi intimá-la nem contratou advogado de defesa, apesar de ser de classe média –trabalhou na área jurídica da Aeronáutica.
 
Ao oficial, disse que não ia responder processo algum nem falar com juiz. Ela só depôs na delegacia, onde negou ter ofendido os negros.
 
A Defensoria Pública, que a defendeu, entrou anteontem com habeas corpus para suspender a prisão imediata.
 
Castelli é conhecida na avenida Paulista. Caminha com um andador e, segundo frequentadores, são comuns os xingamentos dela contra negros e nordestinos.
 
Na farmácia onde ocorreu o crime no shopping, ela pediu para “ser atendida por alguém da minha cor”. Na portaria do seu prédio, colado ao cine Gazeta, um porteiro negro diz ter ouvido dela : “Macaco! Volta para a selva?”.
 
Há até mesmo um vídeo no YouTube com o título “Racista da Paulista”, no qual ela ofende um policial.
 
Um dos porteiros do seu prédio diz que ela é lúcida. É a mesma impressão da advogada Carmen Ferreira, presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).
 
“Ela deveria ter sido levada para a delegacia por um PM, mas disse que precisava tomar um remédio e se trancou no apartamento. Isso não é comportamento de louca”, diz a representante da OAB.
 
POLÍCIA
 
Karina Chiaretti, que estava com a filha de 8 anos quando foi ofendida, diz que tão grave quanto as injúrias foi o comportamento da polícia.
 
“A polícia não está preparada para crimes raciais. A escrivã não queria registrar o caso. Ela disse: Vai embora que isso não vai dar em nada. Já tem seis BOs [boletins de ocorrência] por racismo contra essa mulher'”, diz.
 
Chiaretti conta que a polícia só passou a tratá-la melhor, quando voltou à delegacia três dias depois, porque seu tio, o militante negro Hélio Santos, ligou para o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e reclamou.
 
“Sem carteirada’, esse caso não teria andado”, afirma.
 
Marques da Silva, outro ofendido, afirma que os policiais diziam: “Por que vocês não deixam isso pra lá?’ Eu precisava voltar para o meu trabalho, mas pensei melhor: não vou aceitar esse tipo de humilhação. É demais”.
 
Chiaretti e Marques da Silva criticam o comportamento do shopping, que, para eles, foi omisso. “Essa mulher xingou todo mundo no shopping por mais de cinco anos e ninguém fez nada”, diz Marques da Silva. O shopping não quis se pronunciar.
 
Colaborou ARETHA YARAK, de São Paulo

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

16 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. antonio francisco

    22 de fevereiro de 2014 12:02 pm

    De perto, ninguém é normal.

    Uma coitada que caminha pelas ruas auxiliada por andador pode ser classificada como doente, sem dúvida.

    Pode-se dizer, como decorrência, que a lucidez pode ser abalada por doenças físicas.

    E qualquer um que seja flagrado aos berros em lugares públicos deblaterando contra seja o que for, está portando algum tipo de perturbação.

    No entanto, os ofendidos têm razão de ter procurado a polícia, porque não cabe a pessoas, em sua vida cotidiana, ficar decidindo se alguém é normal, ou não – para decidir se o que dizem pode ou não ser considerado ofensa.

    Quem deveria providenciar para que tais pessoas perturbadas encontradas em ruas ou em estabelecimentos públicos sejam medicadas e cuidadas são os representantes nossos, a quem pagamos para isto: polícia, serviços de saúde, governos.

     

  2. Gilson AS

    22 de fevereiro de 2014 12:11 pm

    Parece que não, mas creiam, o

    Parece que não, mas creiam, o racismo no Brasil está diminuindo. 

    Por causa, principalmente das redes sociais, esses casos estão mais em evidência.

    E a tendência é aumentar. 

    Que bom ! Devemos encarar esses casos de frente, e pararmos com aquela ideia de que não somos racistas.

    Que venham mais casos à tona, e que sejam devidamente punidos.

  3. nadja

    22 de fevereiro de 2014 12:19 pm

    Se oferecer uma maleta de

    Se oferecer uma maleta de dinheiro  ela irá rasgar? Vivemos um racismo brutal ainda. Mas uma vez o cumprimento da lei foi a favor da casa grande.

  4. marcelo

    22 de fevereiro de 2014 1:50 pm

    Claro. Vamos encarcerar uma

    Claro. Vamos encarcerar uma velhinha de andador. Afinal, ela é um perigo pra sociedade, com suas palavras que estupram, matam e roubam. 

    1. Antonio C.

      22 de fevereiro de 2014 2:10 pm

      Comentário.

      Sou totalmente favorável. Afinal, ela teve uma vida inteira pra aprender e não aprendeu. Ser idoso não é prova de idoneidade. Não tenho pena. E ainda saiu barato.

      1. marcelo

        23 de fevereiro de 2014 2:48 am

        sádico é o que não falta

        sádico é o que não falta neste planeta.

         

    2. Aline8d

      22 de fevereiro de 2014 3:00 pm

      Ser idoso não significa ser

      Ser idoso não significa ser coitado, aliás todo idoso pode fazer o que quiser se for assim. E,olha há vários casos de idosos estuprando e assaltando. Mau caratismo envelhece também… quem é ruim fica velho e velho ruim, não muda não.

  5. Luiz Eduardo Brandão

    22 de fevereiro de 2014 2:34 pm

    O pior papel foi o da polícia

    Nessa história, de certo modo o pior papel não foi da tal senhora, mas o da polícia. A senhora cometeu crime de racismo. Aliás, parece ser uma reincidente renitente. Merece ser punida, com as devidas atenuantes, se sofrer, como parece, de perturbações mentais.

    Mas a polícia pôr obstáculos à prestação de queixa dos ofendidos, quando seu papel devia ser o exato contrário (ou lei só é lei conforme os gostos e desgostos dos policiais?). Pior foi a polícia do que a senhora, porque a senhora é uma mera cidadã, uma pessoa qualquer, que pode eventualmente ser apartada do convívio social (vulgo: ir em cana), e a polícia uma instituição importantíssima da sociedade. A senhora é passageira; a polícia, permanente. Ninguém vai cobrar nada dos policiais que agiram dessa maneira inacreditável e inaceitável? Pelo menos isso, porque esperar das autoridades paulistas que formem melhor os policiais seria esperar demais…

  6. Flavio Martinho

    22 de fevereiro de 2014 3:04 pm

    Só espero que o caso da

    Só espero que o caso da australiana tenha consequencias. Alem de ofender a muitos, ainda ofendeu o policial. Se fosse la pelas australias ainda estaria presa e somente por desrespeitar o policial. Por aqui um juiz ou os juizes entendem que devem liberar todo e qualquer acusado.Não interessa a gravidade do delito. Como o racismo é um crime sem fiança, melhor ainda, o juiz solta e o acusado não depositará nenhum centavo. Incrivel. Que haja consequencias, inclusive com expulsão da acusada. Que vá para a Australia praticar seu racismo por lá.

  7. Daytona

    22 de fevereiro de 2014 5:56 pm

    Ela é a vó do Danilo

    Ela é a vó do Danilo Gentilli?

  8. Daytona

    22 de fevereiro de 2014 6:56 pm

    Essa mulher é exemplar do que

    Essa mulher é exemplar do que é a elite paulistana típica.

  9. Daytona

    22 de fevereiro de 2014 6:57 pm

    O Danilo Gentilli também fez

    O Danilo Gentilli também fez piadinhas racistas chamando os negros de macacos, por que ele não foi denunciado pelo MP?

  10. Daytona

    22 de fevereiro de 2014 7:02 pm

    é ela?Processando a

    é ela?Processando a Pullman?

    http://www.dgabc.com.br/Noticia/144048/idosa-passa-mal-ao-ingerir-bolo-e-vai-processar-pullman?referencia=navegacao-lateral-detalhe-noticia

    Seria interessante saber a opinião do também advogado Motta araújo, que parece compartilhar certas opiniões com essa senhora.

  11. osk

    24 de fevereiro de 2014 6:26 am

    Falem sério, a senhora tem

    Falem sério, a senhora tem mau humor e insulta todos, mas ser condenada por crime de racismo? Atitudes como esta, de condenar uma decrépita que está de mal com a vida só aumentam o racismo, até parece que os negros não ofendem e gozam as outras etnias. 

    Que mimimi! E ser insultado por ser pobre, pode? Porque os negros não tem mais auto estima, casam com negras e criam familias como valores e orgulhosas, em vez deste coitadismo?

    1. Priscilla

      27 de fevereiro de 2014 6:02 pm

      É importante ler e prestar

      É importante ler e prestar atenção no conteúdo da matéria, antes de escrever tantas sandices!

      Não houve coitadismo da parte das vítimas (até porque os xingamentos, não foram relacionados a sua classe social, mas sim ao tom da sua pele, para você que não entendeu, a alta concentração de melanina), eles estão corretíssimos ao denunciar! Independente da idade e cor desta senhora, nada lhe dá o direito de sair ofendendo pessoas, sejam elas negras ou não.

      Respeito e educação vem de berço, se ao longo dos seus 70 e poucos anos, ela ainda não aprendeu isso, sim, cabe a Justiça ensiná-la.

      E sobre as famílias a serem formadas, meu (minha) caro (cara), oi?????????!

      Você é tão preconceituoso (a) quanto essa pobre (de alma mesmo) senhora! PESSOAS merecem respeito, independente da sua etnia e têm direito de formar famílias com quem bem entenderem!

       

       

Recomendados para você

Recomendados