11 de junho de 2026

Taxa Selic: Copom mantém juros a 15% por unanimidade

Taxa básica de juros está no maior patamar em 20 anos; Copom justifica a manutenção pela persistência da inflação de serviços
Edifício do Banco Central, em Brasília. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

▸Copom mantém Taxa Selic em 15% ao ano pela terceira vez consecutiva, alegando necessidade de política monetária contracionista em meio a incertezas.

▸Decisão baseada em inflação acima da meta, expectativas desancoradas e riscos de alta, como desancoragem prolongada e resiliência nos serviços.

▸Manutenção dos juros altos por período prolongado visando convergência da inflação para meta no longo prazo, com alerta para retomada do ciclo de ajustes se necessário.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, por unanimidade, manter a Taxa Selic em 15% ao ano pela terceira reunião consecutiva, atingindo assim seu maior patamar em 20 anos.

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Em comunicado divulgado após a reunião, o colegiado cita a necessidade de uma política monetária “significativamente contracionista em um cenário de alta incerteza, tanto externa quanto doméstica”, visando garantir a convergência da inflação para a meta.

Fatores de Cautela na Decisão do Copom

A manutenção da taxa Selic 15% é justificada por um balanço de riscos que exige “cautela na condução da política monetária”.

1. Cenário Externo e Geopolítica

O ambiente global é visto como incerto, dominado pela conjuntura e política econômica dos Estados Unidos, que geram reflexos nas condições financeiras mundiais. Essa tensão, somada a um ambiente de tensão geopolítica, exige especial vigilância de países emergentes como o Brasil. O Comitê segue, inclusive, acompanhando anúncios sobre imposição de tarifas comerciais dos EUA ao Brasil.

2. Inflação Acima da Meta e Expectativas Desancoradas

Apesar da moderação no crescimento da atividade econômica, a inflação cheia e as medidas subjacentes permanecem acima da meta. As projeções da pesquisa Focus para 2025 e 2026 seguem elevadas (4,5% e 4,2%, respectivamente), demonstrando um cenário de expectativas desancoradas.

3. Riscos de Alta para a Inflação

O Copom destaca três principais riscos que podem pressionar a inflação para cima:

 – Desancoragem Prolongada: Manutenção das expectativas de inflação acima da meta por mais tempo.

 – Resiliência nos Serviços: Inflação de serviços mais persistente do que o esperado, impulsionada pelo dinamismo do mercado de trabalho e por um hiato do produto mais positivo.

 – Câmbio e Políticas Econômicas: Impacto inflacionário maior do que o projetado devido a uma taxa de câmbio persistentemente depreciada e à conjugação das políticas fiscais.

Juros Altos por Tempo Prolongado

Diante desse cenário, o Copom afirma que a estratégia de manutenção do nível atual da taxa de juros “por período bastante prolongado” é considerada suficiente para garantir que a inflação convirja para o centro da meta no horizonte relevante (2º trimestre de 2027, com projeção de 3,3%), reforçando que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste (subir os juros) caso avalie que a situação exija.

Repercussão

A decisão do Copom em manter a Selic em 15% era amplamente esperada pelo mercado e, na visão de José Áureo Viana, economista, assessor e sócio da Blue3 Investimentos, “a mensagem foi de continuidade, prudência e vigilância, priorizando estabilidade e credibilidade da política monetária”.

“O BC destaca os riscos para a inflação ainda altos, em especial a resistência da inflação de serviços, resultante de uma atividade ainda firme”, explica, ressaltando que o comitê “reforçou a cautela com um cenário onde prevalece incertezas, tanto no exterior quanto domestica”.

Já Marcelo Bolzan, planejador financeiro e sócio da The Hill Capital, destaca o tom “hawkish” do comunicado, ressaltando que “ele manteve o tom duro da ata quando todo mundo já estava imaginando uma sinalização um pouco mais tranquila”.

“Acho que o grande destaque aqui do comunicado foi um pequeno ajuste na comunicação que eles fizeram dizendo aqui que no cenário doméstico que a atividade segue apresentando um crescimento moderado, que o mercado de trabalho ainda está dinâmico, mas ele reconhece que a inflação mostra um pequeno arrefecimento”, pontua o economista.

“No comunicado, ele continua dizendo que o cenário exige uma política monetária em patamar significativamente contracionista por um período bastante prolongado. Então, sinalizando que vai continuar alto para os próximos meses ainda (…)”.     

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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4 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    6 de novembro de 2025 5:59 am

    “BC mantém o juros em 15% ao ano e diz que incerteza exige cautela”.

    Porventura, certeza inexige cautela?

    E vão Rolando Lero, enquanto a população, passiva, é ascharisada por eles impiedosamente e afunda cada vez mais na miséria e na ignorância

  2. Rui Ribeiro

    6 de novembro de 2025 6:14 am

    “BC mantém o juros em 15% ao ano e diz que incerteza exige cautela”.

    Porventura, certeza prescinde de cautela?

    Pq será que nossa ignorância é superestimada por esses burros?

    Tu sabes, Ambar. Responde-nos, por favor

  3. Rui Ribeiro

    6 de novembro de 2025 7:00 am

    Se a inflação aumenta, eleva-se a taxa de juros para controlar a inflação e manter o poder aquisitivo dos pobres, a fim de que eles paguem mais juros enquanto a dívida pública aumenta proporcionaente à elevação da taxa de juros.

    Os efeitos colaterais do remédio são piores do que a doença

  4. Paulo Dantas

    6 de novembro de 2025 6:56 pm

    Esperando o Lula chamar o Galípolo de “este cidadão”.

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