Inspirados em Trump, Tarcisios e Castros queimam arquivos
por Armando Coelho Neto
Lembram de Cármem Lúcifer? Voltou a ser Cármem Lúcia. Gilmar Mendes e Morais? Quem te viu quem te vê. Corta! “Pela memória do coronel Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff, voto sim”… Sem crime, pelo cachorrinho e/ou pelas barbas de Netuno, que importa? O golpe com Supremo, militares inclusos. Com a cabeça de Dilma Rousseff na bandeja da CIA e toques de legalidade para invernizar. Lewandovski assinou embaixo de pedaladas e pedalinhos.
Lula ganhou pecha de ladrão, “Ele Não” virou “sim”, e no dia da posse do execrável, só o cavalo do cortejo se rebelou. Veio o cercadinho, os palavrões… O Brasil passa a esperar o fim da tarde para ouvir o desmentido das sandices ditas pela manhã. Mortes, fila do osso, corrupção. O demônio já estava fora da garrafa, não dava pra devolver. Chama o Lula para exorcizar. O demônio fica fora da garrafa, pode ir para trás das grades, mas o espectro do mal sobrevive.
O odor de golpe e enxofre ainda paira nos quartéis, no Congresso inimigo do povo, na Polícia Federal, nos templos evangélicos — onde a morte e o ódio ganham ares de redenção… A rigor, vivemos sob o truque dos mágicos. Está em voga a exploração do suposto estado latente de beligerância humana. Seria o homem, lobo do próprio homem, de que fala o filósofo inglês Thomas Hobbes? Ou estaria a sociedade sob vigência do mal-estar na civilização, presente nas teorias de Sigmund Freud?
Não dá para falar da sede de sangue e cadáveres de Tarcísios, Castros et caterva, sem mirar na sociedade doente e não olhar pelo retrovisor. Rever o que não se entendeu para contextualizar o que ficou para trás. Entre o real e o especulativo, parece estar em curso o fenômeno decorrente da agressividade instintiva do ser humano, que, se não controlada, coloca em risco a sociedade. É o que se deduz do indiscutível joguete da engenharia social operada pelos algoritmos nas redes sociais.
Não há exagero em supor que a extrema direita perdeu os escrúpulos, se é que algum os tinha. É um punhal que você quer para matar o vizinho? Por que não dar? Armem a sociedade! Frustrações às turras, não importa se pelo crédito que não foi aprovado, se a chapinha no cabelo deu errado, se a amada(o) se foi com outro(a). São muitas as pressões: do agiota, do celular garfado e não pago, e que já virou cerveja ou crack. É o gás que acabou, a brochada, o estelionato do bitcoin.
Páginas de entidades públicas e privadas falsas usadas para dar golpes pela internet. No entanto, até lesados se opõem ao controle das redes. Liberdade e escravidão ganham ares contraditórios. Ódio, ressentimento, desejo de vingança somam-se às injustiças sociais, tudo mal elaborado. Mas não faltam candidatos para resolver tudo na porrada. Tarcísios, Castros et caterva aparecem com martelos, chicotes, fuzis e sangue. Sangue, de preferência de pobres, pretos.
Frustrações, medo, ódio, ressentimento, sede de vingança. Juntos e misturados, parte da grande mídia potencializa e alimenta o flagelo social. Eis que Tarcísios e Castros pensam: se Trump pode matar sem apurar, julgar, por que nós não? Trump sabe que, matando barqueiros, não está combatendo tráfico e que, quando mata, a chance de chegar aos chefões morre junto. Na linha de Trump, Tarcísios e Castros não combatem o crime, fazem queima de arquivo e destroem provas. Sequer as polícias acreditam nesse simulacro.
Eles sabem que traficante pra valer não mora no morro. É cinismo mostrar a moradia “premium” de suposto chefe de tráfico com banheira, TV 3D, aparelho celular de última geração, fuzil da Otan (desviado da Ucrânia), exibir o controle remoto da saída secreta do mocó. Tudo isso pode ser sinais de riqueza na visão de miseráveis, mas distante das fortunas reais que movimentam o planeta, que, aliás, não caberiam escondidas dentro de colchões em favelas.
Entre o ódio de Tarcísios e Castros pela pobreza e o ressentimento dos pobres contra a injustiça social, há uma relação simbiótica e confusa. Se de um lado é difícil de interpretar, de outro é fácil de manipular. Melhor tirar sádico proveito de suas próprias maldades, transformá-las em sangue. E que fique claro: estão em jogo o mal-estar social e o uso do sangue para sublimação deste, com o objetivo de tirar proveito eleitoral, versão combate ao terrorismo para abrir as pernas para Trump. Defesa de bandido, uma ova!
Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo
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AMBAR
12 de novembro de 2025 10:08 amEstás verdadeiramente inspirado!
omeg
12 de novembro de 2025 10:15 amDeus me proteja de mim.