“Bozolóides” e sionistas jaboticabas nos quintais de Trump
por Armando Rodrigues Coelho Neto
A Colômbia vai virar uma Venezuela? Para variar e sem provas, Donald Trump, o rei do planeta, acaba de sancionar Gustavo Petro, presidente colombiano, juntamente com sua mulher e filhos. A desculpa é a mesma utilizada contra o venezuelano Nicolás Maduro. Tarifaço à parte, a Colômbia se avizinha aos quase 30 países sancionados pelos Estados Unidos, na base do manda, bate arrebenta.
O “Vai pra Cuba no Brasil” nunca caiu de moda. Mas cabe trazer à lembrança, que o então ministro da Economia Paulo Guedes, desconfiado de si mesmo, guarda até hoje fora do Brasil mais de 9,5 milhões de dólares. Sem explicar seu próprio fracasso, em março de 2021, resolveu fazer uma agourenta previsão sobre o Brasil: virar Argentina em seis meses e um ano e meio para virar Venezuela.
Guedes errou no mau presságio. E, como voz da Faria Lima (farinha e lama) que erra todas, cumpre o papel de satanizar a esquerda. Ignora o efeito das sanções estadunidenses na destruição dos países pobres, ao ponto de festejar, junto com o Tretas (desgovernador de São Paulo) e Dudu Bananinha, o tarifaço de Trump contra o Brasil. O tarifaço, na prática, é mera variante das sanções ianques no mundo.
Não existe informação precisa sobre o número de países sancionados pelos EUA. Até os respondedores oficiais de perguntas, GPT e o Gemini são imprecisos. Até por que as sanções podem ganhar maior ou menor intensidade, conforme humores da Casa Branca. As sanções, na prática, correspondem a um crime contra a humanidade, que pode estrangular Cuba, mas não funciona contra à Rússia.
Com a guerra Otan X Rússia, os ianques e aliados impuseram sanções contra os russos, que foram afetados nas áreas de petróleo, gás, bancos, tecnologia, bloqueio de bens, valores e, de um modo geral, na exportação e importação. Vladimir Putin, porém, praticamente zerou as punições e o feitiço virou contra o feiticeiro. Hoje, a Europa agoniza comprando mais caro no contrabando os produtos russos.
Com o drible dado nos EUA, a Rússia não virou Venezuela. Já esta, com sua economia focada no petróleo, sentiu o golpe baixo contra a PDVSA – uma espécie de Petrobrás de lá. Estão em curso restrições para realizar transações internacionais, nas áreas de crédito e seguro, congelamento de bens, restrições de viagem. Em síntese, os ianques estão na raiz da crise econômica da Venezuela.
Consta que em 2019, EUA, Portugal, e Inglaterra já haviam bloqueado em seus bancos, mais de US$ 140 bilhões da Venezuela. Recentemente, sem apresentar provas, os EUA divulgaram a apreensão de US$ 700 milhões pertencentes ao Nicolás Maduro, em forma de mansões, carros, aviões e joias, durante operação contra o crime organizado. Maduro nega e nenhum documento foi exibido.
Alheios às críticas da ONU, que vê as sanções como punição coletiva, os EUA fomentam e alimentam uma cruel crise humanitária, na qual, sobretudo os mais pobres são privados de alimentação e medicamentos. Como resultado, venezuelanos deixam o país. Crise criada, culpa da esquerda, prevalecem na mídia cínicas desculpas: democracia, direitos humanos, narcotráfico, terrorismo…
Se de um lado a Rússia driblou a sanha nefasta estadunidense, a Venezuela e outros titubeiam, mas nada se compara ao crime cometido contra Cuba. Desde de 1962, o povo cubano sofre e sobrevive heroicamente ao terrorismo dos EUA, sem poder vender ou comprar. Há punições para quem vender. Sob hediondas sanções, Cuba virou o fantasma com o qual a direita brasileira apavora os mais pobres.
Entretanto, virar ou não Venezuela está ligado à condição de ser quintal dos EUA. Nada a ver com democracia ou direitos humanos. A Arábia Saudita, por exemplo, não tem eleições, exceto parcialmente em municípios. Tem censura, penas de morte, amputação e açoites. Mas, via petróleo, integra o borderô extorsionista estadunidense, entre outras relações promíscuas, ditas geoestratégicas.
Não é Lula, nem os Petros da vida que podem transformar países em Venezuela ou Cuba, mas sim Bushes, Bidens, Trumps. Sequer faz sentido o viés esquerda ou centro esquerda, na medida em que países como Alemanha, Austrália, China, Dinamarca, Espanha e Noruega, entre outros, estão distantes do catastrofismo difundido por corruptos e sórdidos “bozolóides”, “malafaístas”, sionistas jaboticabas.
Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo
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