Um estudo inédito realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em parceria com a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e o Instituto Clima e Sociedade (iCS), traça o perfil dos trabalhadores da cadeia de valor de petróleo e gás (O&G) que serão mais afetados pela transição para uma economia de baixo carbono.
Lançada na COP 30, em Belém, no Pará, a pesquisa busca fornecer subsídios para políticas e estratégias que garantam uma transição energética justa, alinhada com o futuro do trabalho no setor, conforme explica o economista do Dieese, Cloviomar Cararine.
O Cenário do Emprego no Setor O&G
A cadeia de valor de O&G é diversificada e grande.
- Empregos Formais: Gerou mais de 800 mil empregos formais ao final de 2024 (dados RAIS, MTE, elaborados pelo Dieese). Este volume é comparável à população de cidades como São Bernardo do Campo (SP) ou Uberlândia (MG).
- Concentração Geográfica: A mão de obra se concentra no eixo Sul-Sudeste (principalmente São Paulo e Rio de Janeiro) e na Bahia.
- Segmentos: O maior empregador é o Comércio (66,5%), seguido pela Petroquímica (11,4%), E&P (7,7%), Transformação (5,5%), Refino (4,9%) e Transporte (3,9%).
O setor tem uma participação expressiva de 11% no PIB industrial brasileiro e oferece, em geral, empregos mais qualificados, com melhor remuneração e vínculos mais duradouros do que a média nacional (desconsiderando o Comércio de combustíveis).
Heterogeneidade e Qualidade do Emprego
A pesquisa revela grande heterogeneidade nas condições de trabalho entre os segmentos:
| Segmento | Características de Trabalho | Remuneração |
| E&P e Refino | Alta qualidade dos vínculos, maior presença de trabalhadores mais velhos, jornadas menores. | Alta Remuneração: Na Petrobrás (que predomina nestes segmentos, além de Transporte), metade dos trabalhadores ganha mais de 10 salários mínimos. |
| Comércio | Condições de trabalho inferiores à média nacional, com 70% ganhando até dois salários mínimos. | Baixa. |
Outras Constatações:
- Gênero: Predomínio de mão de obra masculina, superior à média nacional.
- Jornada: Jornadas de trabalho, na maior parte dos segmentos, acima de 40 horas semanais.
- Iniciativa Privada: Grande participação em quase toda a cadeia, com exceção de E&P, Refino e Transportes, onde a Petrobras predomina.
Para o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, “o debate em torno da transição energética justa passa prioritariamente pela questão do trabalho”, sendo essencial conhecer o perfil do trabalhador para garantir seus direitos.
Percepção das Lideranças Sindicais
O estudo também captou a percepção de lideranças sindicais petroleiras sobre o futuro do setor e a transição energética:
- Aquecimento Global: Cerca de 75,5% acredita que o aquecimento global é um dos maiores problemas da humanidade.
- Exploração de O&G: A mesma proporção (75,5%) defende que o mundo deve continuar explorando e produzindo petróleo e gás, até que as alternativas energéticas estejam mais desenvolvidas.
- Margem Equatorial: 83% das respostas foram favoráveis à exploração na Margem Equatorial, sendo a principal justificativa (47,7%) a necessidade de geração de recursos para o Brasil financiar a transição energética.
- Impacto no Emprego: Em caso de redução da produção de O&G, a maior concentração de respostas (43,3%) acredita na realocação dos empregos em outros setores energéticos.
Nota da redação: Este texto, especificamente, foi desenvolvido parcialmente com auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial na transcrição e resumo das entrevistas. A equipe de jornalistas do Jornal GGN segue responsável pelas pautas, produção, apuração, entrevistas e revisão de conteúdo publicado, para garantir a curadoria, lisura e veracidade das informações.
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